A verdadeira história do pseudónimo B. Leza

Várias vezes tenho ouvido as mais especulativas versões da razão pela qual o grande compositor cabo-verdiano Francisco Xavier da Cruz é conhecido por B.Leza ou Beléza. Uns até chegam ao cúmulo de alegar que um brasileiro de passagem por Mindelo, terá ouvido Xavier tocar uma morna e exclamara: "Qui beléza!".... E acham que o nosso compositor iria passar a usar o pseudónimo B. Léza por causa disso? A exclamação do brasileiro referia-se à música ou, quanto mais não seja, à situação vivida; Francisco não iria atribuir a si próprio um pseudónimo que não lhe dissesse nada sobre si ou sua vida. Um pseudónimo não é uma alcunha, é algo íntimo e de especial significado para quem o escolheu e o usa.

Posto isto, vou lhes contar uma pequena história familiar:

Francisco Xavier era funcionário dos CTT (Correios, Telégrafos e Telefones) e fora colocado em serviço na ilha do Fogo. Rapaz novo, apaixonou-se perdidamente por uma das mais lindas (quiçá ricas) donzelas de São Filipe: uma das filhas mais novas do conhecido armador e capitão Djédjé de nh' Antóni ou seja de meu bisavô José António da Silva Essa filha, de nome Raquel, era tão linda (de "cabelo basado") que era conhecida pelo nome de ... Beleza!

E o casamento até já estava marcado, quando o nosso Francisco teve um rombo nos cofres dos CTT, à sua guarda. Para evitar o escândalo, uma vez que Francisco Xavier era um homem honesto e o desfalque surgiu por possível negligência contabilística, o futuro sogro "bancou" com a quantia em falta que foi imediatamente reposta no cofre dos CTT e o caso foi abafado.

Francisco Xavier foi no entanto e de seguida, transferido, tendo o namoro, por força da distância, esfriado. Francisco, em homenagem ao seu grande amor, adoptou discretamente o pseudónimo B.Leza.
publicado por jorsoubrito às 11:17 | link do post | comentar