Domingo, 31.01.10

Da magia de Bosco à magia de Schubert

Há dias mundiais para tudo e mais alguma coisa! Hoje, 31 de Janeiro, é o Dia mundial do Mágico e não resisto em evocar a paixão que sempre senti por esta arte, a do ilusionismo!

 

Em criança, tive o privilégio de assistir várias vezes aos espectáculos do, então famoso, Professor Cobrah. Este bondoso senhor, tinha o gosto de deleitar as crianças com a sua arte, não sendo porém essa a sua profissão. Se não estou em erro, ele era regente agrícola e pertencia à família Henriques, do Fogo. Um dos truques mais marcantes de Cobrah, era o dos lenços coloridos que fazia sair de um rolo de cartolina preta. O mágico fazia questão de nos provar que o cilindro negro era oco, podendo se ver através do canudo!

 

Naquele tempo, também havia um outro indivíduo aqui na Praia que fazia magia, mas era mais faquirismo que ilusionismo: tratava-se do " Barbosa", que se celebrizou por "comer vidro". Claro que isso de ver alguém comer vidro não me entusiasmava, preferia os truques que faziam puxar pela cabeça. À medida que crescia, tentava sempre aprender novos passes de mágica e aos 16 anos via-me eu a impressionar os colegas com truques os mais diversos. Livrei-me de alcunhas do tipo "Jojo magia", pois não eram truques de tuta-e-meia, nem os fazia por "dá cá aquela palha". Minha mulher chegou a confessar que os truques que me via fazer, tiveram influência positiva na opinião que de mim tinha, antes de lhe ter pedido namoro!

 

Quando fui para a universidade em França, adquiri vários livros de ilusionismo, e adorava ir a espectáculos de magia. Mais recentemente, seguia com atenção a série televisiva apresentada na SIC:

Os Segredos da Magia
Vejam um extracto:
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Há poucos anos, assisti em Lisboa, a um fantástico filme: "O Ilusionista". Eis a sinopse:
O famoso ilusionista Eisenheim assombra as plateias de Viena com seu impressionante espectáculo de mágica. Suas apresentações despertam a curiosidade de um dos mais poderosos e cépticos homens da Europa, o Príncipe Leopold. Certo de que as mágicas não passam de fraudes, Leopold vai ao show de Eisenheim disposto a desmascará-lo. Quando Sophie, noiva de Leopold, é chamada ao palco para participar de um número, ela reconhece em Eisenheim uma paixão juvenil. Eles iniciam um romance clandestino e o príncipe delega a um inspector de polícia a missão de expor a verdade por trás do trabalho do mágico. Este, no entanto, prepara-se para executar a maior de suas ilusões.
Apreciem a apresentação deste filme:
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Mas, porque se escolheu o dia 31 de Janeiro para o "Dia Mundial do Mágico"? É que é nesta data que se comemora o aniversário da morte (31 de Janeiro de 1888) do Santo padroeiro dos Mágicos: São João Bosco. Conta-se que, quando menino, ele ajudava a família trabalhando como acrobata, malabarista e mágico. Bosco é igualmente o fundador da Sociedade de São Francisco de Sales, mais conhecida por Salesianos. Bosco ajudou também a criar a congregação das Filhas de Maria Auxiliadora.

 

É caso para se dizer então AVÉ MARIA! e façamo-lo com esta famosa peça de Franz Peter Schubert, (nascido a 31 de Janeiro de 1797). Apreciem-na na inconfundível voz de Andrea Bocelli:
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sinto-me:
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Domingo, 17.01.10

A.A.O. o anacoreta comunista entre a aguardente de Santo e o "grogo" do Diabo

Segundo reza a história, a 17 de Janeiro do ano 356, morria Santo Antão do Deserto, um monge, nascido em 251 no Alto Egipto. A Igreja católica celebra este dia como o dia de Santo Antão. E foi assim que quando em 17 de Janeiro de 1462, Diogo Afonso avistou a nossa mais setentrional ilha, lhe atribuiu o nome de Santo Antão (veja aqui um apontamento interessante da Inforpress).
 
A leitura desse apontamento, deixou-me curioso sobre a vida deste santo. Após um sobrevoo na Internet, fiquei a saber que o apelidavam ainda de: "o Eremita" ou, "o Anacoreta". Palavra estranha esta, que me fez lembrar um amigo, o embaixador português Eugénio Anacoreta Correia, bem como me trouxe à memória, um solitário personagem que muito me impressionou: António Augusto de Oliveira. Este senhor do Paúl, podia perfeitamente ser apelidado desse nome (anacoreta) se não fosse o facto de não ser nada religioso!
 
AAO, como assinava seu nome, possuía uma propriedade no verdejante vale do Paúl. Certa vez, acompanhei uma delegação de Professores universitários portugueses meus amigos, a Santo Antão e levaram-nos à propriedade de António Oliveira. Este recebeu-nos muito bem, fez-nos saborear um excelente grogo debaixo de uma lendária árvore (uma amendoeira) que, contou-nos ele, pacientemente foi domando os ramos, de forma a constituir uma copa em redoma, onde os humanos pudessem disfrutar de sombra e de um espectáculo ímpar de cores e de raios de luz que dançavam por entre a folhagem e iluminavam amareladas folhas que sobre o solo jaziam.
 
Este então nonagenário senhor (o segundo a contar da esquerda, na fotografia ao lado) fez-nos saber que tinha sido militante do Partido Comunista Português e que o pai era um amante da botânica, tendo trazido para a ilha várias espécies vegetais, entre as quais uma variedade peculiar de cana-do-açúcar. Homem mui culto e de grande sabedoria, não deixou que lhe chamássemos de doutor, alegando não ter completado nenhum dos cursos em que se inscrevera.
 
Companheiro de Álvaro Cunhal e de Mário Dionísio (conhecido pintor neo-realista português), António Augusto de Oliveira sonhava poder vir a ser um conhecido pintor. É deveras interessante ler o que Mário Dionísio escreve na sua autobiografia, sobre três de seus amigos, entre os quais António Augusto:
 
Dos amigos que mais me acompanharam nesses anos difíceis, três havia que falavam muito de arte, particularmente de pintura. Eu ouvia-os, feliz. Fe­liz, via e revia os álbuns que me traziam para me ajudarem a dar menos pelo tempo, esses meses passando sobre os meses, os anos sobre os anos, radiografias, saídas periódicas para fazer o pneumo­tórax até quando? Via esses álbuns e sentia alguma coisa reacordar em mim. Um dos tais três amigos desenhava muito bem, era o Álvaro Cunhal, e falava-me, com o espírito insinuante que era o seu, de museus da Europa, tantos museus!, tantos artistas! Käthe Kolwitz, uma paixão que partilhei com ele. E mandámos fa­zer seis grades a um carpinteiro meu conhecido, três para cada um, para esticar nelas telas, para pintar. Tê-las-á usado? Eu, sim. E mal. Outro, o Huertas Lobo, que faleceu há pouco, era filho de pintor, conhecia a história da arte do princípio pa­ra o fim e do fim para o princípio e ofereceu-me a caixa de óleos do pai, prova inestimável de amiza­de, o que fora do pai era sagrado para ele. O ter­ceiro, que queria ele próprio ser pintor, trouxe-me todas as suas tintas e não descansou enquanto não me viu servir-me delas. E curioso o respeito e a curiosidade (a secreta cupidez) que uma caixa de tintas me inspirava. Até o cheiro, que delícia! E a que ele me trazia, mais para eu ver, estava cheia de bisnagas de cores desconhecidas. Mas eram de­le, está claro, não me atrevia a tocar nelas. Chamava-se António Augusto de Oliveira (assinatura hieroglífica: 2 A A e um O) regressou à sua terra — Cabo Verde — a instâncias do pai, que o não via avançar no curso de Direito, onde em verdade nunca pusera os pés, e pouco mais soube dele se­não que não chegou a ser pintor. Mas era o mais teimoso. Vendo uma pequeníssima paisagem que eu ousara fazer com as tintas dele, disse-me, impa­ciente: «Deixe-se de diletantices, por favor. Pinte mesmo. A sério». Falava-me, encantado, de Gauguin (o que ele quereria ser, Cabo Verde, o inte­rior, um novo Taiti, eu bem o entendia) e de ou­tros autodidactas da aventura criadora. Chegava a ofender-se: «Está à espera de quê?»
Mas a teimosia de AAO, o engenho do mesmo em fazer curvar a amendoeira à sua maneira, as suas deambulações pela arte, pela política e pelo Direito, não podiam deixar de invocar nas minhas meninges a figura do " jornalista, editor, autor, maçon, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e xadrezista americano" que foi Benjamin Franklin. De facto, estar debaixo dessa frondosa árvore, seria um perigo em dia de trovoada! Daí a pensar no inventor do para-raios é apenas um passo.
 
Finalmente uma nota de apreço pela aguardente seleccionada com que nos brindou AAO, aguardente esta, que não era nem falsificada, nem conspurcada. Imagino o pai do AAO (Sr. Serafim, se bem me lembro) nos anos trinta, a produzir essa aguardente (de cana seleccionada) para sustentar o filho que , preferia fazer política e pintura, a seguir a trilha do Direito. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Al Capone vendia bebidas desta natureza às escondidas e sob um alto clima de violência, crime e repressão. Mil vezes este saboroso grogo dos Oliveira, bebido na tranquilidade do pacato vale do Paúl, do que a duvidosa aguardente do Alfonso, caríssima e impregnada de sangue!
  • Benjamin Franklin nasceu a 17 de Janeiro de 1706
  • Alphonsus Gabriel Capone nasceu a 17 de Janeiro de 1899
Se a Al Capone lhe tivessem dado o nome do santo festejado no dia em que nasceu, falar-se-ia nos USA da "maldita aguardente do Diabo Antão". Haveria no mundo, a aguardente de Santo Antão e a aguardente do Diabo Antão.
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Domingo, 03.01.10

Stress, química e objectos oblongos

Acaba hoje o período de festas! Amanhã toca a iniciar as aulas e a ir ao trabalho. Deu para descansar? Duvido. Creio que as pessoas estiveram bem "stressadas". Minha mulher de tanto fazer bolos, viu seu colesterol aumentar. Diz ela que leu algures (será aqui?) ser o stress uma das causas do aumento do colesterol. Veio ela do mercado hoje, com duas dúzias de beringelas, alegando serem boas para o tal colesterol.
 
 
Esta roxa e oblonga fruta parece ser rica em muitas coisas, entre as quais a vitamina C e outras biomoléculas estranhas e especiais que só a biologia molecular saberia elucidar.
 
 
E o dia 3 de Janeiro, traz-me às minhas meninges, objectos oblongos, vitamina C e biologia molecular , na figura de Linus Pauling, o único cientista que ganhou sozinho, dois prémios Nobel (em menos de 9 anos).
 
 

Este paradigmático e transdisciplinar cientista, ganhou em 3 de Janeiro de 1954, o prémio Nobel da Química pelos seus trabalhos sobre a ligação química. Foi ele que engendrou a teoria das hibridações das orbitais atómicas. Pauling tornou-se também num fervoroso adepto da vitamina C, tendo feito vários estudos sobre esta vitamina e publicado um livro intitulado "Vitamin C and the Common Cold". Sabe-se também que a vitamina C alivia a resposta do corpo ao stress.

 

Mas o stress e os objectos oblongos estão ainda na minha mente, associados a outros momentos e circunstâncias. Vou vos contar uma pequena história que presenciei: Um belo dia, vinha eu tranquilamente a passar junto a um parque da nossa cidade, quando deparei com dois petizes dos seus 10 anos, a discutir frenética e nervosamente (com bastante stress), atirando frases insultuosas um ao outro, à guisa de "quen qui ta côba más fédi". Às tantas o que parecia mais novo, olha para a cabeça rapada à escovinha do mais alto, cabeça esta que tinha a forma de um seixo (essas pedras roliças do mar) e desferra: "Cabéça sima pedra di limpa cadêra!" Logo me ocorreram outras versões deste analógico insulto:

  • "cabéça sima simenti mángui"
  • "cabéça sima zipilin" (esta mais antiga, proveniente do evento a seguir evocado)

 

Mais uma vez, a propósito de coisas oblongas relacionadas com o stress, eis que o Zeppelin se mostra um interessante exemplo. Não é que recebo hoje por e-mail uma extraordinária foto do LZ127 Graf Zeppelin aquando da sua passagem a 21 de Maio de 1930 pela cidade da Praia, a caminho de Rio de Janeiro! Vejam ao lado, a foto que me foi enviada pelo meu dileto primo, Carlos Alberto Mascarenhas Loff FONSECA. De facto o Zeppelim era bastante perigoso, pois continha hidrogénio, um gás bem combustível. Ficou célebre o incêndio do dirigível Hindenburg em 6 de maio de 1937. Vejamos no entanto o resto da viagem do Zeppelim que pela Praia passou:

 

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sinto-me:
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Domingo, 06.09.09

Nel blue dipinto di blue: Dalton, Teixeira de Sousa e Pavarotti

Tendo sido hoje o meu último dia de férias (viva a liberdade!), fui com a família passar o dia no Sambala Village. Após o almoço, estendemo-nos à beira da piscina sobre uns catres ali colocados para o efeito. Olhava eu ora para o azul do céu, ora para o azul turquesa da piscina, tentando magicar o artigo que deveria escrever neste blog, ao regressar a casa.
 
Nisto, oiço meu filho ao lado, soltar uma valente gargalhada. Virei-me e deparei com um livro de banda desenhada de Lucky Luke, atrás do qual pude discernir o cabelo do rapaz, cuja cabeça enfiara pelo livro adentro. "A balada dos Dalton" era o título. Fiquei logo baralhado, pois ocorreu-me não ter mencionado o "outro" Dalton no artigo da semana passada. Entretanto senti saudades dos livros de quadradinhos da minha infância e das peripécias à volta das leituras dos mesmos, muitas vezes às escondidas dos nossos progenitores.
 
 
Voltei ao azul envolvente para me concentrar de novo no que iria escrever. O céu, a piscina, o mar próximo (região da praia de São Francisco) deram-me a sensação de vaguear em grande liberdade e acabei dormitando a sonhar que voava sobre as ondas do mar, acompanhado por anjos daltónicos que só viam o azul. Acordei pouco depois com uma nova, troante gargalhada. Levantei-me e fui nadar!
  
À tardinha, regressámos à Praia e dirigi-me ao computador para iniciar este artigo. Olho para o cinzento retrato de Rutherford do artigo anterior e volto a sentir remorsos por não mencionar o nome do "pai da teoria atómica moderna", ou seja John Dalton. Este estudioso e pesquisador transdisciplinar, não foi Professor universitário, mas metia muitos deles no bolso, como podem ver, seguindo o link do nome.
 
 
 

Mas, o sonho da "djonga" com os anjos daltónicos persegue-me, pelo que talvez seja bom mencionar o facto deste cientista ter feito um estudo sobre a discromatopsia, ou seja a dificuldade que algumas pessoas têm em percepcionar certas cores. Dalton padecia desta anomalia que veio, em sua homenagem, a ser conhecida por Daltonismo. Acontece que tenho dois cunhados e um meio-irmão daltónicos! esses não distinguem o verde do castanho: não distinguiriam por exemplo o número 6 na figura ao lado.

 

 

Vejo que hoje, me sinto levado no vento, qual escritor inspirado pelo azul do mar. Poderei eu um dia tornar-me escritor? A minha área é das ciências exactas e estou habituado a usar poucas palavras para ir direito a assuntos, sem rodeios! Quando disse isto a um amigo, ele me lembrou que Teixeira de Sousa era médico, porém, um respeitado escritor cabo-verdiano!

 

Efectivamente, Henrique Teixeira de Sousa é descrito como um escritor influenciado pelo Mar. Vejamos um extracto do site "Livro di Téra" a propósito do escritor e seu livro "Capitão di Mar e Terra":

 

 

"A temática do mar foi a obsessão e o fascínio de Teixeira de Sousa, o que é característico, aliás, em diversos escritores cabo-verdianos. É o mar cercando as ilhas, o mar convidando à evasão, o mar, em suma, aprisionando e aliciando à aventura, à emigração. Foi assim em Contra Mar e Vento e em Ilhéu de Contenda, é assim em Capitão de Mar e Terra."

 

 

Há bem poucos dias descobri que tenho um laço de parentesco com Teixeira de Sousa. Já tratei de o colocar na árvore genealógica (ver aqui). Talvez esses laços e a vivência do dia de hoje me esteja a conduzir para "me fascinar" à Teixeira de Sousa: mar, evasão, liberdade, um daltonismo que faça ver tudo pintado de azul! N.B.: O último livro de Teixeira de Sousa tinha capa azul e intitulava-se: "Ó Mar de Túrbidas Vagas". Mas isto me faz lembrar uma maravilhosa canção criada em 1958 por Domenico Modugno and F. Migliacci, intitulada "Nel blue dipinto di blue", mais conhecida por VOLARE:

 

Penso che un sogno così non ritorni mai più

Mi dipingevo le mani e la faccia di blu

Poi d'improvviso venivo dal vento rapito

E incominciavo a volare nel cielo infinito

 

Volare, oh, oh!

Cantare, oh, oh, oh, oh!

Nel blu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

 

E volavo, volavo felice più in alto del sole ed ancora più su

Mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiù

Una musica dolce suonava soltanto per me

 

Volare, oh, oh!

Cantare, oh, oh, oh, oh!

Nel blu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

Nel biu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

 

 

Poderia vos oferecer esta canção interpretada pelo próprio Domenico Modugno (ver aqui) mas, sendo tantos os intérpretes ao longo dos anos, e em diversas línguas (inclusive em português por Simone de Oliveira - ver aqui), tenho o privilégio da escolha. Assim aqui vai ela, interpretada pelo maior tenor do século XX: Luciano Pavarotti. Reparem nas paisagens do clip que se segue, onde o mar e o azul dominam:

 

..

 

 

Já descobri a razão desta inspiração do "outro mundo" que adveio da conspiração destas nobres almas:

 

  • John Dalton nasceu a 6 de Setembro de 1766 (243º aniversário hoje)
  • Henrique Teixeira de Sousa nasceu a 6 de Setembro de 1919 (90º aniversário hoje)
  • Luciano Pavarotti faleceu a 6 de Setembro de 2007 (2º aniversário hoje)
sinto-me:
música: VOLARE
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Domingo, 30.08.09

Do vazio de Rutherford à chuva copiosa de Bronson

Quando comecei a dar aulas de Química no ensino superior (ver o artigo: Os meus queridos alunos - I), era para mim um grande desafio fazer passar a noção da estrutura atómica. Era um assunto que me apaixonava, pois meu sonho de adolescência era vir a ser um físico nuclear como Einstein. Ao me formar em Química, a questão da estrutura atómica era como uma ponte entre esta ciência e a física nuclear. Talvez por isso, no percurso da história da estrutura atómica, que ia de Demócrito a Schrödinger, era para mim o ponto mais emocionante, o da demonstração de que "o átomo era vazio". Esta conclusão foi conseguida por Rutherford, (um cientista nascido precisamente há 138 anos, na Nova Zelândia, em 30 de Agosto de 1871, que, embora físico, ganhou em 1908 o prémio Nobel da Química), que interpretou a experiência levada a cabo pelos seus discípulos Geiger e Marsden; vejam:
..

Rutherford chegou a essa conclusão [na vida universitária, é mesmo assim: os discípulos fazem o grosso do trabalho e o mestre "tira o coelho da cartola"] e para demonstrar quão vazio era o átomo do hidrogénio, comparou-o a um campo de futebol, onde o minúsculo electrão circulava ao longo das "4 linhas" e o grosso da massa do átomo se encontrava condensado numa bola no centro do campo. Eis ao lado o "Estádio" da Várzea em 1981 como imagem para a comparação.

 

A ênfase que eu punha na explicação dos raciocínios de Rutherford, valeram-me da parte de meus alunos a sugestão de dar esse nome ao meu então recém-nascido primogénito (Outubro de 1983). Claro que não fui no bote, e coloquei o nome de Marcos Miguel ao pimpolho. Alguns, mais meus amigos, até insistiram, mas disse-lhes que tirassem o cavalinho da chuva.

 

E nesta época chuvosa, estar à chuva me faz lembrar um filme que me marcou pelo seu suspense e brutidão: "O passageiro da chuva", estreado há 40 anos e contracenando Charles Bronson e Marlène Jobert. O actor era mesmo feio e assustador, mas revelou-se um dos melhores actores para este tipo de papéis. Vejamos então um extracto:

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Hoje, dia internacional dos desaparecidos, fazem seis anos que desapareceu da face da Terra, este grande actor, que foi Charles Bronson !
E agora desapareço eu! (do blog, claro!) .
sinto-me:
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Domingo, 26.07.09

A "laranjite" que cura a laringite, ou da laranja-baía ao Grand Marnier

Durante a minha infância não comia frutas. Além de ser alérgico à banana, várias frutas coçavam-me a garganta, pois tinha no fundo da mesma, uma cicatriz resultante de uma flauta que lá se espetara, após uma queda minha ao pular de uma cama para outra enquanto a tocava. Nesta época paranóica da gripe A recomenda-se porém, muita vitamina C. E uma das fontes mais conhecidas desta vitamina é sem dúvida a laranja. Comer muita laranja é bom preventivo para a gripe e para infecções da garganta (laringites por exemplo). Raramente me constipo e minha garganta esteve sempre de boa saúde. Talvez porque, embora detestasse as frutas, adorasse uma única entre elas: a laranja! Geralmente as da terra, eram de casca verde e tons de amarelo, ora doces, ora ácidas (comia-as com açúcar). Raramente via-mos as laranjas europeias; que estranho eram elas, assim tão ... cor-de-laranja! Achava estranho falar-se dessa cor como sendo a da laranja! Uma laranja era "verde com manchas amarelas!".
 
Nesses bons velhos tempos, a minha avó Candinha trazia do mercado, umas enormes laranjas que vinham da Cidade Velha. Eram muito doces, autêntico mel, sem sementes e com uma espécie de protuberância umbilical muito engraçada e característica. Estou a falar da laranja de umbigo, conhecida entre nós por laranja-baía. O nome vem da Baía, estado brasileiro onde esta espécie citrina é abundante. Ali também estas laranjas são cor-de-laranja (ver foto ao lado).

É curioso como a laranja foi uma fruta "fabricada" pelo Homem, na antiguidade, através de cruzamentos de outras espécies. Mais curioso é que actualmente as laranjas são referenciadas como da Califórnia, da Flórida, de Israel, de Marrocos, do Hawai, etc e não da Índia, donde ela é originária! Vejam o que se diz desse fruto nas enciclopédias da Internet:

 

"A laranja doce foi trazida da China para a Europa no século XVI pelos portugueses. É por isso que as laranjas doces são denominadas "portuguesas" em vários países, especialmente nos Bálcãs (por exemplo, laranja em grego é portokali e portakal em turco), em romeno é portocala e portogallo com diferentes grafias nos vários dialectos italianos" [artigo inteiro aqui]

Hoje, já como várias frutas, mas a laranja continua a ser a minha preferida. Ao natural, em sumos, em bolos, em gelados, em doces e até em bebidas, não perco a ocasião de apreciar esta divina fruta! . A propósito de bebidas com laranja, assinalo dois fantásticos licores franceses com base em laranjas: o Grand Marnier e o Cointreau . Faça clique nos links e saberá da história e da composição destas maravilhas. Uma das diferenças, é que o Grand Marnier é um cognac aromatizado com laranja, e o Cointreau é uma aguardente com óleos extraídos de cascas de laranja maceradas.

 

Falando de cascas de laranja, há dois meses comi um doce de cascas de laranja, feito por Garda e ao qual sugeri que lhe deitasse um cálice de Grand Marnier na calda do açúcar, antes desta tomar o ponto. Ficou uma maravilha! Não vos dou ainda a receita, mas para que fiquem com água na boca, aqui vai a fotografia tirada:

sinto-me:
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Domingo, 19.07.09

Un flamboyant métro qui va de Praia à la Lune

Hoje, 19 de Julho 2009, olhei pela janela da nossa casa e voei (minha imaginação e memória) até à Lua num Metro flamejante ! Vejamos primeiro o que da janela vi:
 

Uma imagem contrastante! Entre o verde das copas se denota uma árvore repleta de flores vermelho-lume. A beleza dessa árvore, contrasta também com "aquela coisa" feia, no centro de um canteiro sem plantas, poeirento e atapetado de placas de cimento. A árvore em destaque, é conhecida no seio dos entendidos, por acácia rubra. Minha mãe ensinou-me se tratar da árvore de Santo António, por florir no mês de Junho, encontrando-se no seu apogeu floral, por ocasião do 13 desse mês, dia de Santo António. Esta árvore é originária da ilha de Madagáscar e é muito vista por todo o mundo lusófono. Seu nome científico é Delonix regia devido à sua majestade (regia) e ao evidente (do Grego delo) aspecto ungulado (do Grego onix) de suas flores. Flamboyant é o nome francófono, a fazer jus à sua presença flamejante e ao caracter exuberante (palavra aplicável à árvore e a pessoas). Esta árvore embeleza sobremaneira as nossas paisagens, como podem ver na foto ao lado, tirada em São Jorge dos Órgãos.

 

. Flamejantes seriam também as chamas do Apolo 11, a missão espacial histórica cujos 40 anos se celebram nestes dias. Amanhã, dia 20 de Junho, completam-se 40 anos após a primeira vez que o ser humano pisava o solo lunar. "That's one small step for a man, one giant leap for mankind" a emblemática frase de Neil Armstrong que assinalava este extraordinário facto:

 

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Tinha eu 11 anos quando isto aconteceu. Nessa altura, alcatroavam-se as ruas da Praia (a cidade limitava-se ao que agora se chama de "Plateau"). Lembro-me de passar horas esquecidas a observar a máquina alcatroadora e seu operador mor, a "regar" de alcatrão líquido, pegajoso e fumegante, o leito de gravilha colocado sobre o pavimento calcetado das ruas. O tal operador, era um Português típico, baixo, anafado, sanguíneo, de patilhas acentuadas, chapéu negro e casaco ensebado de pele. Talvez Alentejano, lá estava ele a alcatroar as ruas do "Ténis" (então bairro da cidade) quando, conversa puxa conversa, lhe disse eu que o Homem acabava de poisar na Lua. Maldito momento esse em que resolvi dar essa notícia. O homem ficou danado, chamou-me de aldrabão, e à medida que insistia eu na notícia, mais vermelho ficava até que me enxotou com o casaco dizendo não admitir que um pirralho fizesse pouco dele! NB: há quem até hoje não acredita e há quem alegue que foi tudo uma encenação forjada (ver aqui). Mas podem ler aqui a contra-resposta.

 

Corri logo para a praça em frente da casa de minha avó. Gostávamos de brincar nessa praça, cheia de lugares para se esconder, como n' "aquela coisa" de que vos falei no início deste artigo. Vejam-na na foto ao lado; tratava-se de uma casa de banho pública subterrânea, naquela época bem cuidada, cheirando a creolina. Nhu Pedro, o guarda zarolho e coxo que de vara em riste nos afugentava dos canteiros, não deixava que nenhum andrajoso fosse para lá dormir, ou fazer coisas que não devia. Anos depois, já após a Independência, este local passou apenas a mictório (engraçada a placa que "em bom português" ostentava a palavra "urinor"). Quando se transformou num lugar ainda mais fétido e covil para vícios inconfessáveis, o subterrâneo foi pela edilidade de então, literalmente gradeada! Esse urinório, pelo seu carácter subterrâneo e pelo aspecto de sua entrada, evocava o Metropolitano. Era o "Metro da Praia" para as crianças jocosas da pequena burguesia da época. Havia mesmo quem acreditasse e fizesse a ingénua pergunta: "Onde é que vai dar?" a que respondíamos divertidos: "à Praia-Negra!" (NB: o local onde iam cair os esgotos municipais). A propósito, hoje é aniversário da inauguração do Metro de Paris. Conhecido originalmente como o "Chemin de Fer Métropolitain", começou a operar em 19 de Julho de 1900 com apenas oito estações da Linha 1, ligando a zona leste à oeste: Porte de Vincennes a Porte Maillot. Várias vezes fiz este percurso, quando estudava em Paris; ainda (em 1981) a linha tinha algumas carruagens de 1900! Por todas estas recordações e efemérides do dia, é que minha imaginação "foi à Lua num Metropolitano flamejante!" .

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Domingo, 12.07.09

Modigliani ... tout court!

Por mais que queira fugir às tentações de me inspirar nas efemérides do dia para evocar momentos singulares do meu percurso existencial, não consigo escapar desta vez a mencionar o sublime momento em que assisti a um discreto mas marcante filme: Modigliani (nascido a 12 de Julho de 1884). Eis a sinopse:
Estamos em 1919. A Grande Guerra acabou e a vida nocturna em Paris está cheia de paixão escura e obsessão descontrolada. No café Rotonde, o refúgio dos artistas, encontramos uma mesa, como qualquer outra na história: Picasso, Rivera, Stein, Cocteau, Soutine, Utrila e Modigliani.Esta é a história da rivalidade entre Modigliani (Ande Garcia) e Picasso (Omid Djalili). Dois Homens cuja inveja um do outro é alimentada pelos seus brilhos, arrogâncias e paixões.É também a história da maior tragédia amorosa na história da arte. Jeanine Hebuterne (Elsa Zylberstein) era uma jovem e bonita rapariga católica, cuja única falha, segundo seu pai, foi apaixonar-se por Modigliani, um judeu.O pai de Jeanine envia secretamente para um convento num lugar longínquo o seu filho e de Modigliani.Ao mesmo tempo, Paris prepara-se para a competição anual de Arte. O prémio é dinheiro e uma sólida carreira. Até este momento Picasso e Modigliani nunca concorreram porque eram Picasso e Modigliani. Mas agora Modigliani e Jeanine tém de salvar o seu filho. Bêbado e com raiva, Modigliani inscreve-se na competição. Face a isto Picasso inscreve-se também. Paris torna-se frenética de excitação!

Mas, porque me impressionou este filme? ... Porque, tratando-se das rivalidades entre dois amigos talentosos, com laivos de inveja à mistura e com perfis comportamentais e familiares bem diferentes, me fizeram lembrar os meus primeiros anos de puberdade. Eis o caso:

 

Meus três últimos anos da escola primária, fi-los numa escola particular, a "escola da Dona Eulália", onde éramos uma quinzena de crianças. Fomos bem treinados e éramos excelentes alunos. Um de meus colegas destacou-se ainda como um chefe de fila, brigão e líder das traquinices. Já nessa altura considerava-me como rival académico. Tornámo-nos amigos, pois nossas mães o eram e frequentávamos as casas um do outro. Um belo dia, em plena sala de aulas, o dito-cujo não gostou de uma das minhas jocosas/sarcásticas provocações e desafiou-me para uma briga, mais tarde, lá na praça (a em frente da minha casa - ver cabeçalho deste blog). Atarracado e com físico de Maradona (até com ele se parecia), meu amigo, rapaz de brigas, iria certamente dar -me uma valente sova! Lembrei-me de que ele gostava de dar socos no ventre do adversário e lá me precavi "forrando" minha barriga com uma tampa metálica duma caixa de chocolates. Porém, antecipando a cena da mão dorida após o 1º soco, não resisti em revelar o "segredo" a um dos outros rapazes, que tinha por leal amigo. Só que este era mais leal ao brigão e no momento H contou-lhe o "segredo". Claro que a primeira coisa que o fulano fez, foi retirar-me a lata, e em seguida iniciar a tal sova. Recusei-me a brigar e o incidente não passou de um soco. Meu pai (brigão no seu tempo) disse-me que eu era sim, um "latoso"! Quando no ensino secundário entrámos, este meu brigão amigo, rivalizava-se comigo para ser o melhor aluno do ano e da escola. Uma vez, ele apanhou uma melhor média que a minha no 1º período e todo ufano, se vangloriava disso, parecendo um pavão. Nos dois períodos subsequentes, suplantei-o, vindo a ser o melhor aluno do então Ciclo Preparatório. O indivíduo não se continha em verbalismos pouco abonatórios a meu respeito! Isso me dava um grande prazer. Contudo éramos amigos e estudávamos juntos, quer em casa dele, quer na minha. Mandáva-mos buscar de Lisboa, os famosos "pontos" resolvidos, da Porto-Editora e treinávamos juntos a sua resolução. Era uma competição sadia e fazíamos jogo limpo! .

 

Por isso, a história desse filme trouxe-me estas valiosas recordações. Não foi pela arte de Modigliani, que foi capaz de transformar a beleza de sua mulher (foto à esquerda) nesta pintura (à direita), porém considerada obra-prima. Vejam agora um extracto do filme onde se vê o genial artista a pintar esse quadro.

 

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sinto-me:
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Domingo, 07.06.09

Santos diabinhos!

Há trinta anos comemorava-se o Ano Internacional da Criança. Nesse ano, os Correios de Cabo Verde lançaram no dia 1 de Junho, selos comemorativos e castiços envelopes do 1º dia. Eis a imagem de um dos envelopes da minha colecção filatélica:
 
 

 

 

 

Reparem que a célebre frase atribuída a Cabral, "As crianças são as flores da nossa revolução", foi "doirada" para "As crianças são as flores da nossa luta" ! (no coments!)

 

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Há vinte anos (1989), as crianças viam nascer uma famosa telenovela Mexicana: Carrussel. Na sua versão brasileira de 375 episódios, elas eram apelidadas pelo zelador do colégio, o Firmio, de "Santos diabinhos". Dava gosto assistir aos episódios dessa produção televisiva. Fazendo um clique na foto ao lado, serão conduzidos para um YouTube resumo do 1º episódio.

 

 
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Há poucos dias fui desencantar nas minhas "pesquisas arqueológicas" aos haveres de meus antepassados, três fotos de minha infância, onde me encontrava ladeado de outras crianças em poses inocentes, após (lembro-me perfeitamente) diabruras e traquinices no quintal da casa de minha avó, que agora é meu lar. Reparem que bem podiam estas fotos serem intituladas de "Santos diabinhos":

 

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Já repararam nas características orientais desses meus amiguinhos? Pois é, estávamos em 1963 e já tínhamos "chineses" na nossa cidade! Quem serão eles? Vou suspender aqui o artigo, para vos dar a oportunidade de adivinharem. Dica: são parentes (sobrinhos) de uma médica, então vizinha nossa, que viria a ser objecto de trocadilhos após a exibição aqui na Praia do filme Born Free. O título em português e os nomes do casal governamental, da época dirão tudo.

 

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E disseram mesmo! Recebi há minutos a resposta que esperava, por e-mail, de uma parente minha, prima do ilustre tio das crianças das fotos, minhas vizinhas (moravam no palácio do Governador).

Esse tio, era o então (1963-1969) Governador da Província de Cabo Verde, Leão Maria Tavares Rosado do Sacramento Monteiro (origem do Fogo). A mulher desse Leão (que está na minha árvore genealógica) era uma médica macaense que respondia pelo nome de Elsa (Elsa Maria José de Sena Fernandes). As crianças eram filhas da irmã de Elsa, de nome Arlete. O filme em questão tinha por título: "Uma Leoa chamada Elsa", donde as piadas que à boca pequena (era no tempo da PIDE) se faziam.

 

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Este filme foi muito comovedor. Baseado no livro Born Free da escritora checa Joy Adamson, (nascida Friedericke Victoria Gessner) relata a história verídica sobre uma leoa e a mulher (Joy) que a criou e depois devolveu à liberdade. O filme recebeu vários galardões internacionais, entre os quais os óscares da melhor banda sonora (compositor Jonh Barry) e da melhor canção de 1967. Esta canção é certamente de vós conhecida e terei muito gosto de terminar este artigo com o clip da mesma, primorosamente interpretada por Matt Monro, nome artístico de Terence Edward Parsons, cançonetista londrino dos anos 60 que se tornou famoso pela voz que dava às canções de filmes:

 

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sinto-me:
publicado por jorsoubrito às 08:32 | link do post | comentar
Domingo, 31.05.09

Eutrópio, Ennio e Clint: por sobre píncaros da excelência

Logo que reparei não haver nenhuma câmara de televisão na sala da Assembleia Nacional, aquando do espectáculo inaugural do Orfeão da Praia, pensei logo que isso iria dar que falar. Na realidade, irados comentários se fizeram ouvir a respeito, em diversos media e fora de discussão.
 

Felizmente minha filha captou, com o telemóvel que lhe emprestara, alguns extractos dos nossos cantos. Sabendo igualmente que o nosso estimado maestro, Eutrópio Lima da Cruz, fora convidado por Abraão Vicente, a falar sobre o Orfeão no programa 180º, resolvi gravar a entrevista e fazer uma montagem com partes da mesma, entremeado com os referidos extractos de nossos números. Eis o resultado em três partes:

 

1ª parte
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2ª parte
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3ª parte
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Após se terem deleitado com estas montagens vídeo, tenho muito gosto de vos apresentar um clássico das músicas de filme, composto pelo extraordinário Ennio Morricone e interpretado em Berlim por uma orquestra sinfónica (com um coro de vozes à mistura) sob a batuta do próprio maestro. Este clássico não é nada mais nada menos, do que o da banda sonora principal do filme de Sergio Leone: "O Bom, o Mau e o Vilão". Notar que foram usados clips do próprio filme nesse sublime vídeo:
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O paradigmático actor principal deste filme é Clint Eastwood. Este "monstro" do cinema americano está ainda no activo e em plena forma, apesar dos seus 79 anos, que completou hoje, dia mundial sem tabaco. Ainda há bem poucos meses, tive o privilégio de ver o seu mais recente filme (realização e interpretação) Gran Turino, um emocionante filme (ver trama aqui), lançado em Janeiro 2009 e que já obteve
"mais de 30 milhões de dólares na primeira semana de exibição nos Estados Unidos, fazendo de Clint o ator mais velho a conseguir um primeiro lugar em bilheterias" [in wikipédia]
Bem, despeço-me desejando um bom dia mundial da criança (dia 1 de Junho, feriado em três países entre os quais Cabo Verde) .
sinto-me:
publicado por jorsoubrito às 09:20 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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