Domingo, 07.11.10

Agressividade - o traço animalesco de Guerra e Paz

Aos Domingos de manhã, dedico-me um pouco mais ao jardim e aos nossos animais de estimação. Após cuidar dos caniches, sentei-me a descansar e a olhar para os pássaros. De repente o habitual "coquetel de chilreios" transformou-se numa estridente algazarra sonora. Tirei imediatamente do bolso o telemóvel-câmara e filmei a cena:
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Porque estariam estes animais, que se davam tão bem, a brigar? São fêmeas da mesma espécie, a Melopsittacus undulatus ou periquito australiano. Ciúmes?

Nasceu a 7 de Novembro de 1903
Bem, lá me vi eu de novo a cogitar sobre o comportamento de animais. Esta "mania", vim aprender muito mais tarde, que se enquadrava numa ciência chamada Etologia, a qual teve por expoente máximo, Konrad Lorenz. Eis o que dele se diz num site educativo:

"Tinha um mini-zoológico em casa, com várias espécies de peixe, aves, macacos, cães, gatos e coelhos, muitos dos quais ele capturava em suas excursões pelo campo. Ainda muito jovem, ocupava-se de nutrir e tratar os animais doentes no zoológico de Schonbrunner, nas proximidades de sua casa. Também anotava metódica e detalhadamente em um diário o comportamento de suas aves. A observação dos hábitos dos animais e a comparação do instinto de agressão animal com o comportamento humano foi uma grande preocupação dos cientistas e um momentoso tema dos pensadores no período entre as duas grandes guerras, em busca de explicações para a agressividade humana."

Efectivamente, Konrad fez bastantes estudos sobre a agressividade animal, com vista à comparação com o comportamento humano. Vejamos mais um extracto do citado site:

"Em 1973 Lorenz recebeu o prémio Nobel de Medicina e Fisiologia, dividido com outros dois estudiosos do comportamento animal, Karl von Frisch e Nikolaas Tinbergen. Seu trabalho sobre as raízes da agressividade alcançou grande repercussão devido à possibilidade de aplicação ao conhecimento da violência urbana e, em maior escala, à prevenção das guerra. Jean Piaget tomou-o, juntamente com os resultados de sua própria pesquisa, como base para sua inovadora psicobiologia. Recebeu também diplomas honorários das Universidades de Yale, Loyola. Leeds, Basel, e Oxford, além de vários outros prémios e honrarias.
O ponto crucial da visão de Lorenz a respeito da natureza humana é que, assim como muitos outros animais, o homem tem o impulso inato do comportamento agressivo em relação a sua própria espécie."

Morreu a 7 de Novembro de 1910
Guerra e Paz, as eternas faces da mesma moeda. Muito gira à volta desta "moeda", muito se escreveu e se pode escrever sobre este assunto. Leão Tolstoi gastou rios de tinta para escrever uma obra com este nome:

"É uma das obras mais volumosas da história da literatura universal. O livro narra a história da Rússia à época de Napoleão Bonaparte (nomeadamente as guerras napoleónicas na Rússia). A riqueza e realismo de seus detalhes assim como suas numerosas descrições psicológicas fazem com que seja considerado um dos maiores livros da História da Literatura."

Como liguei sempre mais às ciências ditas exactas que à história, não cheguei a ler Guerra e Paz. Nos primeiros anos da Independência, o "livro grosso" que mais estava na moda era "o Capital" de Karl Marx. Muitos dos jovens "revolucionários" de então, andavam em lugares públicos com este calhamaço debaixo dos braços, para ganhar status de intelectuais. Conhecendo a "escrita pesada" desta obra e conhecendo o nível de discernimento de alguns destes ditos-cujos, o conteúdo do livro só poderia transitar por osmose para os seus detentores, na razão inversa da catinga do sovaco.

Nasceu a 7 de Novembro de 1879
"Peta", um destes jovens, era no entanto pessoa inteligente e andava muito envolvido em movimentações políticas. Muitas vezes um pouco agressivo, viu-se um belo dia perseguido por agentes do poder e, creio eu, uma bala foi disparada. Um médico psiquiatra e político activo, amigo do nosso herói, foi o primeiro a vir em socorro do mesmo. Houve muito alarido nessa altura, vindo à tona a questão dos Trotskistas do PAIGC. Foram momentos tensos, tendo havido sessões de "crítica e autocrítica", onde muitos "Trotskistas" mostraram-se arrependidos (alguns de lágrimas nos olhos) e outros tiveram de sair do Governo e do país ( vejam a entrevista de Jorge Carlos Fonseca aqui). Muita agressividade pairava no ar. Bem gostaria eu de ver Konrad Lorenz a fazer a crítica destes seguidores de Trotsky e dos seus perseguidores !

A propósito de "Peta", conta-se que nos tempos do liceu (antes do 25 de Abril) era ele muito romântico e que uma vez, platonicamente, enamorou-se de uma linda jovem cuja alcunha era "Pi". Claro que nós os jovens alunos liceais, logo aproveitamos para fazer trocadilhos e aconselhamos ao mesmo que passasse a frequentar os laboratórios de química do liceu, pois ali encontraria muitas pipetas (PI-PETA) entre os vidros laboratoriais!

Nasceu a 7 de Novembro de 1867

Isto não só me traz recordações das experiências de química que fazíamos sobre as tampos azeviche das ardósias das bancadas desses laboratórios, como também dos heróis e heroínas da Física e da Química. A nossa professora de Físico-Química fazia questão de valorizar o papel da francesa Marie Curie nestas áreas, realçando o facto dela ser mulher. Mais tarde vim a saber, que na realidade a cientista era polaca e que nascera Maria Sklodowska. Foi a primeira mulher que recebeu o prémio Nobel duas vezes. Sua filha também veio a ser galardoada com este prestigioso prémio. Deixo-vos com um vídeo sobre os prémios Nobel dos Curie:

 


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Domingo, 14.03.10

Que j'aime à faire connaître ce nombre utile aux sages

Acordei sorrindo ao me aperceber que neste dia 14 de Março, morria em 1883 o pai do comunismo (Karl Marx) e nascia em 1990, o MpD (partido liberal do nosso modesto espectro político).

 

Afastei mentalmente esta mania minha de harmonizar efemérides e dirigi-me ao jardim interior de minha casa (o quintal) onde, entre outros seres viventes, também se encontram aves decorativas e canoras. Entrei na ampla gaiola destes emplumados para deles cuidar, e eis que minha filha bate-me uma chapa surpresa, que resultou na fotografia que vos apresento em cabeçalho.

 

Após os matinais cuidados disponibilizados aos coloridos pássaros, resolvi sentar-me debaixo do caramanchão formado por videiras de uvas brancas, numa cadeira de lona virada para a gaiola, a observá-los e a ouvi-los cantar. "Pi, pi, piiii..." soava a caturra, "criiik...crik crac cric" metralhavam os fishers, e os rosicolers "zen, zeen, czzz" ritmavam os mandarins e "sherlii, scherliu chiu..." contrapunha o bengalim macho.

 

Precisavam de um maestro, tal a descoordenação dos sons e dos cantos. Aproxima-se a primavera e eles mais se preocupam com encontrar pequenos ramos e cordéis para confeccionar os ninhos. "Looking for straws" em vez de "Sounding like Strauß" pensei eu com os meus botões, enquanto lia no meu tablet PC que Johann Strauss (pai) nascera a 14 de Março de 1804 (há 206 anos).

 

Lembrei-me que tinha lido num dos famosos livros da colecção "Ver & Saber", deleite da minha adolescência, que a harmonia musical estava intimamente ligada a frequências proporcionais e perfeitamente calculáveis com bastante precisão e grau de previsão.

 

Tratava-se do livro "Números e Figuras". Documento precioso que despertou em mim o gosto pela matemática. Li-o quando tinha 10 anos! Numa linguagem simples, fazia a correlação entre factos da vida quotidiana e noções basilares do mundo matemático. É pena que hoje em dia já não se fazem livros tão preciosos como esses.

 

Um desses capítulos, o que mais me impressionou, foi o da descoberta do número π (pi) . Este número irracional é mesmo estranho; uma dízima infinita não periódica, um número aproximado cujos algarismos após a vírgula tem vindo a ser objecto de muita paixão.

 

 

3,1415926 lá o íamos decorando nós no liceu. Hoje os melhores computadores já calcularam um trilhão de algarismos após a vírgula! 3/14 - March 14th, é o dia escolhido em 1988 por Larry Shaw, físico americano do Museu de Ciências Exploratorium, em São Francisco, para o "Dia internacional do Pi". O auge desta festa (vejam a foto ao lado) de 3/14 é às 1h 59mn e 26s. Há quem tente recitar o número pi com milhares de cifras!

 

 

 

Malucos esses físicos e matemáticos diriam vocês. Mas é um desses malucos que me inspirou bastante: o que disse que um grama de matéria convertido em energia, daria para iluminar uma lâmpada de 100w durante 40 mil anos! Trata-se de Albert Einstein, o mais memorável físico de todos os tempos! Hoje, também se comemora o aniversário de seu nascimento: 14 de Março de 1879.

 

 

 

Assim como estes físicos, gostaria de "fazer conhecer este número útil aos de bom senso":

 

 

Que3 j'1 aime4 à1 faire5 connaître9 ce2 nombre6 utile5 aux3 sages5

 

os algarismos a vermelho (nº de letras na palavra) são os primeiros do número Pi com dez casas decimais!

 

 

E agora, o que haverá de comum entre os "malucos" a seguir retratados em friso?:

 

  • Adoram Matemática
  • 14 de Março lhes é importante
  • Têm cabelos grisalhos, compridos e desgrenhados
  • Têm caras passíveis de caricatura e parecem se divertir bastante
  • Aprenderam a língua alemã

Agora vou vos deixar com uma marcha dedicada a um glorioso marechal austríaco, que durou 70 anos no exército e naturalmente, falava também alemão: o Marechal Josef Wenzel Radetzky von Radetz. A marcha chama-se Marcha Radetzky e é considerada a obra prima de Johann Strauß (sénior). A orquestra é a Filarmónica de Viena, dirigida por Georges Pétre, em concerto do ano novo de 2010:

 

 

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Domingo, 13.09.09

Brito - Cabrito, a jocosa associação de ideias

Durante a minha infância escolar, não conseguia evitar que coleguinhas fizessem trocadilhos com o meu nome de família (Brito). Uns chamavam-me de cabrito, outros justapunham o apelido ao nome do caprino, repetindo, qual refrão de compositor pouco inspirado: brito-cabrito!, brito-cabrito!, brito-cabrito! ...
 
A princípio, até ripostava dizendo-lhes que, lembrando-me a partícula de negação da língua cabo-verdiana, se contradiziam, pois sendo eu Brito não poderia ser ao mesmo tempo não-Brito (ca Brito).
 
O que é certo é que adorava brincar com cabritos e ao que parece o gosto pelo animal tornou-se hereditário, como podem ver nas fotos seguintes:
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»»»»»»Eu, aos três anos »»»»»»»Mélanie (minha filha) aos três anos«««««« .
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Domingo, 12.04.09

Páscoa, chocolates, cunicultura e Bunny

Ovos de chocolate e coelhinhos da Páscoa não faltaram hoje na minha mesa. Curioso, que no tempo da minha infância, não havia esta tradição em minha casa! Como morava, e moro, junto à "igreja matriz", a procissão à volta da praça Alexandre Albuquerque era o prato do dia. O Bispo de então, circulava ladeado de padres, que iam balanceando os aparatos lançadores de incenso e de água benta. As janelas das casas circundantes, sobretudo as com varandas como a nossa, eram ornadas com colchas coloridas e de brilho acetinado. Lá ficávamos à espera de, após a procissão, virem padres à nossa casa para a bênção pascoal. Aquilo tudo me parecia fascinante, ao mesmo tempo que fastidioso .
 

Hoje, as coisas mudaram e enquanto trincava a casca do ovo, ou melhor, o chocolate quebradiço e côncavo, não pude deixar de me interrogar sobre o porquê dos ovos e do coelho, numa festa assaz religiosa. Encontrei várias tentativas de explicação pela Internet fora e apanho uma ao acaso, que transcrevo:

Ressurreição de Cristo – coelho simboliza vida em abundância

 

Na Antiguidade, os povos escolheram a lua para determinar a data da Páscoa. Como o coelho era tido como um símbolo da lua, passou também a ser considerado um símbolo da Páscoa.

Os coelhos são mamíferos, roedores, que se reproduzem de forma rápida, tendo grande fertilidade. O seu período de gestação não passa de quarenta dias, tornando-se símbolo da preservação da espécie.

Para os cristãos, a Páscoa é marcada pela ressurreição de Cristo, pelo Seu renascimento, pelo surgimento de uma vida nova. Além disso, a sexta-feira santa é a data assinalada pelo seu sofrimento, pela sua crucificação.

Existem algumas curiosidades sobre a história do coelho da páscoa. Na Alemanha, as crianças esperam ovos dos coelhos. As crianças tchecas confiam que os presentes são ofertados por uma cotovia (ave campestre). Na Suíça, são os cucos que levam os ovos de presente e, no Brasil, a tradição do coelho, que veio no final do século XIX.

Outra história põe sentido à tradição do coelho representar um símbolo da páscoa, uma vez que este simboliza a igreja. A igreja tem a missão fecunda de propagar os ensinamentos cristãos, a palavra de Deus, para todos os povos; sem distinção, ou seja, aumentar a quantidade de discípulos da mesma. Assim, uma grande quantidade de pessoas é representada pela fertilidade do coelho.

Há uma lenda que marca a história do coelho da Páscoa. Conta a mesma que uma mulher pobre, que não tinha como presentear seus filhos no domingo de Páscoa, cozinhou alguns ovos de galinha e os pintou. Ela teve a ideia de colocá-los dentro de um ninho e escondê-los no quintal da casa, entre as plantas. Quando as crianças encontraram os ovos, um coelho apareceu por perto e fugiu; as crianças acreditaram que o mesmo havia colocado os ovos para elas, assim a história se propagou.

 

E senti então saudades da Bunny, a nossa coelhinha branca de estimação, que faleceu de velhice há dois meses atrás. O animal fazia o deleite dos meus filhos mais novos ... e meu também!
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Bunny andava à vontade no nosso quintal com os demais mamíferos que por ali circulavam. Quando eu era criança, a minha avó Candinha criava coelhos (cunicultura) no quintal e às vezes escapuliam do local que lhes era reservado indo para o alçapão. Um belo dia a Dona Candinha foi ao alçapão e meteu o pé num dos buracos que os lagomorfos fizeram, tendo apanhado um belo entorse! ... Na semana seguinte, já não havia mais coelhos na nossa casa! Porém, deixaram-me boas recordações esses bichinhos. Observava-os a comer folhas de couve e me impressionavam os característicos movimentos de suas bochechas quando mastigavam as folhas. Captei a Bunny na minha câmara do telemóvel a comer folhas de repolho. Vejam-na:
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De facto, os movimentos circulatórios das bochechas destes animais quando mastigam, impressionavam-me quando era miúdo. Tinha os meus seis anos, quando após observar fixamente minha tia Filó a mastigar, resolvi exclamar alto e em bom som:
"Lolóoo ... come como quelho!"
Noutra ocasião, falar-vos-ei de cunicultura, a ciência e a arte de cuidar de coelhos. Fiquem bem!
sinto-me:
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Domingo, 28.09.08

1º mêsversário dos sheridanzitos

Há um mês, os nossos caniches "di raça trabessadu" (Sheri & Dan's ) tiveram a sua segunda ninhada (num ano). A conselho de minha filha, não podia deixar de assinalar a data, neste blog. Aliás há muito que prometera a meu cinófilo amigo Zé Cunha que voltaria a falar desta raça de cães. Comecemos então por ver o pequeno vídeo que preparei, da actividade dos canídeos neste dia comemorativo do primeiro mês de existência da ninhada:

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Cães desta raça, são hoje-em-dia muito apreciados como animais de estimação, embora no passado tivessem sido usados como animais de caça, sobretudo de aves aquáticas, como os nomes Caniche e Poodle sugerem. Vejamos agora o que do animal diz o site Saúde Animal:

O Poodle, também chamado de Barbone e Caniche, é considerado uma das raças mais inteligentes, obedientes, dóceis e versáteis. Por possuir tais características e uma aparência encantadora, é considerado o mais popular das raças. O nome deriva da palavra alemã "pudel", que significa "chapinhar na água". No passado, esse animal serviu como excelente cão de busca. Embora moderno lebre o antigo Water Spaniel Irlândes, a linhagem do Poodle continua um mistério. Na França este cão é chamado Caniche (Canard = pato) porque houve um tempo em que era considerado um excelente resgatador (que vai buscar a caça abatida e a traz para o seu dono) de aves selvagens aquáticas.

O nome Poodle faz-me lembrar de cenas de filmes, onde esses cachorrinhos tosquiados em festival de ponpons, costumam ser passeados por ladies da alta sociedade ou por homens afeminados. Mas donde vem esta mania de tosquiar os Caniches? Vejamos o que diz a Wikipédia:

"Acredita-se que o corte tradicional de pêlos em forma de bracelete nas pernas era usado antigamente nas caçadas na neve, onde a maioria do pêlo era tosado baixo para facilitar a natação do cão, mas as juntas, pulmões, coração e rins eram mantidas com pêlo alto para protegê-los do frio. O pompom no fim do rabo servia como uma "bandeira" para ser avistado pelos donos enquanto o Poodle mergulhava no fundo da água"
Cães e cachorros em Cabo Verde são muito estimados, embora pouca gente se preocupa, em serem eles de raça ou não e muito menos com tosquias artísticas de caniches. Aliás, esta raça não é muito conhecida em Cabo Verde e na homenagem filatélica feita em 1995 a cães de raça, ela não figura, como se pode constatar por este lindo envelope do primeiro dia:



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Domingo, 03.02.08

Caniche, cão de circo, cão carnavalesco

Enquanto não tiver o vagar de escrever sobre esta engraçada raça de cães, aqui vos deixo em pleno Domingo Gordo, o pândego retrato do Dan's o nosso caniche macho que adora posar para a fotografia.

Mas que nome tão estranho para um canídeo! Antes de vos dar a explicação, talvez seria melhor vos apresentar a foto dos dois caniches que deambulam em nossa casa: a Sheri e o Dan's

Como vêm, ela e ele têm cores que fazem lembrar o célebre licor irlandês lançado pela pela empresa Thomas Sheridan & Sons em 1994: o Sheridan's

Assim, achamos por bem, ilustrar tal cromática semelhança e solidário companheirismo de cachorros saídos duma mesma ninhada, com os nomes: Sheri e Dan's . A inteligência da raça tem sido bem explorada por nossa filha Mélanie Sofia, que já lhes ensinou uma boa dúzia de comandos verbais que eles obedecem sem pestanejar... ai deles!
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Domingo, 30.12.07

A resposta de um cinófilo

No artigo anterior, mencionei José Eduardo Cunha como meu melhor amigo de infância, mas também de adolescência. Eis que o mesmo, ao ler esse artigo, fez um interessante comentário, recheado de testemunhos de fina sensibilidade, terminando com um autêntico "plaidoyer" sobre a maldade de alguns humanos em relação aos cães. É com imenso gosto que transcrevo a seguir a missiva que Zé Eduardo me dirigiu:

Caro Jorge


Apenas para fazer uma pequena correcção. O nosso cão, porventura irmão, primo, tio, "Eu sei lá!" do teu Boby (de que me lembro bem), chamava-se Cachito (lê-se Katxitu), título da famosa canção do Nat King Cole CACHITO MIO, na moda nos anos 60. O nome, sempre gostamos lá em casa de alimentar esta versão, foi escolhido pelo próprio, quando um dia, ouvindo o Nat cantá-la, desatou a uivar. A verdade é que, por associação ou não, muito mais tarde o Cachito continuava a uivar sempre que ouvia a famosa canção que lhe deu o nome.

Foi meu companheiro de infância, e parte da juventude, e morreu de velho. Terá vivido entre 10 a 12 anos, não sei precisar. Confirmo que foi a tua avó que o ofereceu, ao meu Pai, ou à minha Tia Leonor, e não às minhas irmãs, que na altura ainda não tinham nascido. O Cachito foi para nossa casa em 1962 ou 1963, ainda no Bêco da Pracinha não muito longe da tua casa, e do cinema, que, naquela altura, era uma ‘República’ onde moravam o meu Pai, os meus Tios e Tia, e os Primos destes.

Tinha eu 5 ou 6 anos, ele era um cãozinho quase acabado de nascer quando para lá foi, e ainda bebia leite no nosso colo. Na verdade nós saímos dessa casa em 1964 quando o meu Pai se casou, para a casa na confluência das então Rua Sá da Bandeira, Rua da República, e a Rua 5 Outubro (a nossa rua). A minha primeira irmã só nasceria em 1965, já o Cachito vivia connosco há já algum tempo. Como disse atrás, morreu de velho e doente, sofrendo muito, simplesmente porque para nós era inconcebível mandar matá-lo. Eu, por mero acaso, não estava em casa quando aconteceu. Encontrava-me no Serrado/Órgãos com o meu amigo Rui Bastos/"Hometa" em casa do Avô deste, o conhecido Sr. Bastos, produtor de ananzes, a passar uma semana. De regresso deram-me a notícia da morte do Cachito, mas nunca, até hoje, me disseram aonde o tinham enterrado. Chorei muito aquela perda. Lembro-me, como se fosse hoje, de muitas peripécias que passei, e passamos, com ele. Ele, como tudo o que me tocou, e como tudo o que amei, faz parte da minha vida, e ocupa um lugar central nela. Nunca mais tive outro cão. Nem penso vir a ter. O Cachito não foi apenas um cão. Mas um dos meus melhores e mais fiéis amigos. Ele é insubstituível. Não sei quantos cães da tua avó terão tido vida tão longa e tão próspera, terão tido tanta importância na vida de uma família, ao ponto de ter feito parte integrante dela, e terá sido tão conhecido na Praia como o foi então o Cachito.

Fico então à espera que fales mais da "Raça" do teu Boby e do nosso Cachito, e já agora, caso não seja pedir demais, vê lá se descobres, pelo menos, o nome dos seus progenitores. É, também, destas memórias de que somos feitos. Obrigado por teres partilhado esta recordação. Concluo, respondendo à tua pergunta. Sou cinéfilo, e sou cinófilo. De cinema falaremos noutra ocasião. O Cinófilo sofre todos os dias quando tropeça num cão abandonado. E por aqui há muitos. Há dois períodos terríveis para esta barbárie que é abandonar um cão. Um é o período das férias, o outro é este precisamente em que te escrevo, fim/início do ano. A táctica canalha desta gente, é atravessar a Ponte 25 Abril e abandoná-los à sua sorte na margem sul. Então é vê-los por aí desesperados à procura do caminho de casa, aflitos e perdidos à procura dos donos, porque, estou certo disso, abandono é algo que o elevadíssimo sentido de fidelidade dos cães não entende nem reconhece. Infelizmente, nem todos os cães merecem os donos que têm. A mim ofende-me vê-los por aí perdidos, tristes e indefesos. Acredita, que poucos olhares, como os dos cães, são tão ricos e expressivos. Basta olhar um cão nos olhos para se saber se é feliz e se está bem tratado. Obrigado pela oportunidade que me dás de começar bem este ano, falando de algo que me é particularmente caro. Fi-lo in memoriam do meu amigo CACHITO.

Bom Ano

Zé Cunha



P.S.- A propósito de cães, dos Boby's e dos Cachito's deste mundo, faço-te aqui esta recomendação. Lê o livro "TIMBUKTU", do Paul Auster, Edição Asa.


Se já o leste, sabes do que falo. Se não, então lê, porque sei que vais gostar muito. É uma espécie de "Evangelho" para Cinófilos. Um dos livros mais belos que já li até hoje, e, definitivamente, um dos livros da minha vida.

Cá vai a letra. Sublinhados meus.

Cachito Mio

Nat King Cole


A tu lado yo no se lo que es tristeza
y las horas se me pasan sin sentir
tu me miras y yo me pierdo la cabeza
y lo unico que puedo repetir.




Lalalalalalalala
Lalalalalalalala
Cachito, cachito, cachito mio
pedazo de cielo que Dios me dio
te miro y te miro y al fin bendigo

bendigo la suerte de ser tu amor.

Me preguntan que porque eres mi cachito
y yo siento muy bonito al responder
porque eres de mi vida un pedacito
a que quiero como a nadie de querer.

Cachito, cachito, cachito mio
pedazo de cielo que Dios me dio
te miro y te miro y al fin bendigo
bendigo la suerte de ser tu amor.

Cachito, cachito, cachito mio
pedazo de cielo que Dios me dio
te miro y te miro y al fin bendigo
bendigo la suerte de ser tu amor.

Cachito (cachito)
cachito mio (cachito)
ay pequeñito
de mama y de papa.

Cachito (cachito)
cachito mio (cachito)
ay amorcito
de mama y de papa.

Cachito, cachito, cachito mio
pedazo de cielo que Dios me dio
te miro y te miro y al fin bendigo
bendigo la suerte de ser tu amor.

Lalalalalalalala
Lalalalalalalala

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Domingo, 23.12.07

Serei um cinéfilo ou um cinófilo?

Na realidade nem uma coisa nem outra, ou melhor um pouco das duas coisas!

Embora tivesse nascido ao lado do cinema da Praia e por meu pai ter na altura dois lugares cativos (por ser seu técnico de serviço) em todas as sessões, podendo eu assistir a dezenas de filmes (sem muitas vezes ter a idade requerida), não é de cinema que vos quero aqui hoje falar. Sim, não é do cinéfilo em mim, mas sim do cinófilo que julgo um pouco ser. Que significa este "palavrão" ? Nada mais nada menos do que amigo dos cães.

Desde os seis anos que me acostumei a conviver com cães em casa e tinha um pequeno cão branco e felpudo que se chamava Boby. Este tinha-me sido oferecido pela minha avó paterna, Nha Quinha, que em sua casa na "rua do hospital" fazia a criação destas preciosidades que desconfio muito serem aparentados dos caniches (falarei destes num próximo artigo). Meu Boby era da mesma ninhada de um outro com nariz rosado e que fora oferecido às filhas do Sr. Flávio Cunha, técnico dos CTT, colega de meu pai e progenitor do meu melhor amigo de infância, José Eduardo Cunha.

Boby era muito inteligente e brincávamos às escondidas e a outras diabruras durante 11 anos. Em 1974, este animal que tinha o hábito de sozinho ir e vir à casa de vovó Quinha ver os outros cães (e certamente cadelas) irmãos mais novos, desapareceu, pura e simplesmente. Houve quem sugerisse que o infeliz tivesse sido capturado por um tal Sr. Maurício, dono do restaurante "a Floresta" então sito nas traseiras do local onde veio a ser construido o Hotel Marisol. Maurício ficou famoso por servir uns excelentes guisados de cabrito... até que foram encontradas peles de cachorros nas redondezas do quintal do restaurante que explorava. Pobre Boby!
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Domingo, 11.11.07

Alex e Mimi os génios US e CV dos papagaios cinzentos

O papagaio cinzento de cauda vermelha (Psittacus erithacus), conhecido entre nós por papagaio de São Tomé, é considerado como a ave mais inteligente do Mundo.

Experiências várias ligadas às ciências comportamentais, à etologia e até à psicologia têm vindo a ser feitas com esta extraordinária espécie.

O célebre papagaio ALEX, acrónimo de Avian Learning Experiment, conseguia, segundo o blog "thesoundofsilence", "identificar 50 objectos diferentes, 7 cores, 5 formas, quantidades até 6, categorizar mais de 100 itens diferentes e conhecia conceitos como maior/menor, igual/diferente, etc. Além de que era uma celebridade em programas de televisão, onde até dizia piadas breves, como “take it easy”..." O pobre animal faleceu recentemente e houve uma onda inimaginável de consternação (se se introduzir no Google as palavras Alex + Parrot aparecem quase 6 milhões de entradas).

Bem, embora eu não tenha (ainda) um destes papagaios em casa, conheci um durante a minha infância. Chamava-se MIMI e vivia empoleirado num bar da cidade da Praia, pertencente ao Sr. António Leão e à Dona Elvira (já falecidos). Mimi "falava pelos cotovelos" e todos se divertiam com as sua tiradas. Um belo dia, o Sr. Vital Moeda passava pela porta do botequim, e Dona Elvira, solícita, o manda entrar e "apresenta-lhe" a Mimi. Esta então resolve não abrir o bico e por mais que Elvira a estimulasse teimava em se manter em silêncio, colocando a dona numa posição embaraçada pois tanto elogiara os dotes do animal. Logo que Vital se foi embora, Elvira volta-se para Mimi e ralha: "abó Mimi, si qui bu ta pon na burgonha!?" Mimi abre então o bico e com ar vaidoso profere: "min ca pinton!!"

Estes animais são realmente susceptíveis, e requerem muito mimo. Podem encontrar vários artigos na Internet que dão dicas de como cuidar deles.

Deixo-vos agora com um fantástico clip de vídeo ilustrativo da capacidade destes animais em imitar sons e palavras ... todas no seu devido contexto:


Então, Einstein, o papagaio em questão...Parla? ou Fala?
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Domingo, 14.10.07

O Xá da Pérsia está em minha casa

Pois é! Quem me mandou anunciar que este Blog era de periodicidade semanal! Já lá vão uns meses que não honrei a minha promessa.

Recomeço agora com um pouco sobre os animais domésticos que circulam à minha volta. Não que eu ache que o mundo deva conhece-los (os meus), mas sim porque pode ser útil saber um pouco mais sobre os mesmos (o tipo e/ou raça em questão).

Um gato Persa não deve ser confundido com um gato Angorá. Muita gente usa indiscriminadamente estes nomes, pensando que se referem à mesma raça. Vejamos então as diferenças descritas no site "Raças de gatos"

"Corpo e cabeça: é muito comum as pessoas confundirem o gato angorá com o persa. Porém, ele [o angorá] apresenta características muito diferentes. O corpo e a cauda são mais longos, e sua cabeça é menor, com orelhas retas. É um gato de porte médio; seus membros posteriores devem ser um pouco maiores que os anteriores, deixando a garupa mais elevada. Sua principal diferença em relação ao gato persa está no nariz mais longo e no fato de não apresentar o “stop” acentuado, que dá o aspecto de carinha amassada do persa. O angorá apresenta tufos de pêlos nas orelhas. Os gatos brancos devem apresentar o nariz e os coxins palmares e plantares com coloração rosa. Olhos: são grandes e amendoados, com coloração azul, âmbar ou ímpares (um azul e outro âmbar ou verde)."

O meu Xá (chamei-o assim pelo seu porte majestoso de um Rei ... da Pérsia; e também pelo trocadilho que a sonoridade induz em relação à língua francesa) nasceu em São Vicente. Porém creio fala agora "badiu". Como rezam as crónicas de seu comportamento, é ele que escolhe o dono e não ao contrário. Só a mim responde ele ao chamamento. Podem constatar no video seguinte:



Vou agora finalizar, segundo o citado site "Raças de gatos" com a descrição do PERSA:

É a raça preferida no mundo, sendo a mais alterada pelo homem e a menos parecida com os felinos tradicionais. Sua popularidade é tanta que a quantidade de seus registros supera a de todos os outros gatos de raça juntos. Somente no Brasil, os persas superam 90% dos registros na maior organização de nosso país, o Clube Brasileiro do Gato.

Origem: os primeiros gatos de pêlo longo e com formas mais esguias chegaram à Europa no século XVI, trazidos de Ankara, na Turquia. Logo depois, lá aportaram também outros de pêlo longo, mais robustos vindos da Pérsia, actual Irão. Ambos foram cruzados e seus descendentes deram origem ao Persa actual. Aqueles que vieram da Turquia formaram a atual raça, Turkish Angorá, hoje um tanto diferente de seus ancestrais.

Pelagem: densa, com pêlos bem longos, finos e sedosos, que podem formar nós com facilidade, caso o dono não os escove diariamente.

Cor: a diversidade de cores é muito grande. No início, só haviam cores sólidas (únicas). Hoje, já são reconhecidas mais de 100. Entre as mais comuns temos o chinchila (branco), o brow classic tabby (rajado marrom), tortie (cor de casco de tartaruga) tortoiseshell-and-white (atartarugado e branco), spotted tabby (rajado pintado), bicolor, azul, azul-creme, creme, esfumaçado, camafeu, preto, chocolate e outros. A cor da pelagem deve ainda combinar com uma determinada cor de nariz e dos coxins (preta, azul, chocolate, rosa e cor de tijolo).

Corpo: linhas robustas e arredondadas. Pernas curtas e retas. Peito profundo e maciço. Abdômen curto e arredondado. Costas retas.

Cabeça: deve ser redonda e muito maciça, com caixa craniana muito ampla e larga. Orelhas pequenas; bochechas fortes. O focinho é bem curto - deve ter praticamente a mesma medida de comprimento e largura -, o que dá a aparência de nariz achatado, típico da raça.

Olhos: grandes e ligeiramente arredondados. As cores aceitas são apenas azul, verde e cobre.

Cauda: curta (porém, proporcional ao tamanho do corpo) e carregada em um ângulo mais baixo do que as costas, mas nunca curva ou arrastando no chão.

Comportamento: gostam de brincar e subir em árvores. Por isso, precisam de espaço. Podem ser criados em apartamento, desde que o dono o leve para passear sempre.

Dono ideal: deve reservar alguns minutos do dia para cuidar do pêlo de seu gato.

Cuidados especiais: a escovação e banho são essenciais para a manutenção da saúde e beleza da pele e dos pêlos. Ajudam também a evitar o aparecimento de bola de pêlos no estômago, que pode causar gastrite crônica e obstrução do intestino. As pelagens dos persas de cor creme, azul e preta ficam queimadas se muito expostas ao sol. Para preservá-las, o ideal é que não tomem mais de uma hora de sol, restrito ao período da manhã.

Reprodução: deve-se ter cuidado no acasalamento dos gatos brancos com os dois ou apenas um dos olhos azuis, para evitar a surdez. Recomenda-se cruzá-los apenas com parceiros de olhos cor de cobre, para evitar filhotes brancos de olhos azuis, que são mais propensos ao problema de surdez.

Adestramento: os persas são facilmente adestrados desde que você se empenhe nas lições de adestramento, principalmente antes dele completar um ano de idade.

Defeitos: cara excessivamente achatada, o que causa: prejuízo à respiração devido as narinas estreitas; irritação e infecção ocular, por causa de ductos lacrimais estreitos ou sem orifício; problemas locomotores por falta de desenvolvimento do cérebro, devido à perda de espaço no crânio, e boca permanentemente semi-aberta pelo deslocamento dos maxilares. Prognatismo. Orelhas grandes. Peito estreito. Costas longas. Pescoço longo e delgado. Cor de olhos pálida. Olhos muito juntos.



publicado por jorsoubrito às 17:58 | link do post | comentar

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