Domingo, 03.10.10

Cândido dos Reis, o Romeu da República Portuguêsa

Estamos no Outono, estação dos climas temperados e sem significado para o sistema climático cabo-verdiano. No entanto, quando criança (em plena era colonial) estudávamos as quatro estações do ano, como se fosse essa a nossa realidade. As folhas caídas e amareladas das árvores, eram para nós, fruto da imaginação. As únicas "coisas amarelas" de que me lembro caírem das árvores, eram umas vagens secas de uma espécie arbórea existente na Rua Cândido dos Reis e com as quais a criançada se deleitava a fazer "ventoinhas" cruzando duas dessas vagens sobre a extremidade de um pau de carriço e fixando-as com um pequeno prego, tendo filtros de cigarros como anilhas amortecedoras.

A Rua Cândido dos Reis da cidade da Praia traz-me sempre boas recordações de infância. As citadas árvores, quando floridas, emanavam um aroma tão suave e perfumado, que me faziam, então, insistir com meus pais a passar sistematicamente por esta rua, quando passeávamos de carro pela cidade. Nessa ocasião o passeio era curto pois poucas ruas tinha a Praia. Minha mãe, de quem herdei a mania dos purismos e das precisões, esclarecia sempre que passávamos pela rua paralela à Cândido dos Reis, a "Rua d' Horta", que esta não se chamava assim, mas sim Miguel Bombarda! e acrescentava logo que a Cândido dos Reis era também "Almirante Reis" e não Cândido dos Reis.

Estas duas ruas gémeas (não idênticas porém) vão ambas desembocar na rua da "Igreja Protestante", a dos Nazarenos, naquela ocasião denominada Rua 5 de Outubro, da qual descia também a Rua da República. Parece que a toponímia de então, insistia  no ideal republicano. Os ilustres homenageados, foram os principais promotores do movimento que se iniciava há 100 anos, a 3 de Outubro de 1910 e que conduzia à proclamação da República Portuguesa a 5 de Outubro de 1910.

Irónicamente, estes dois amigos e companheiros, não assistiram à citada proclamação por que tanto lutaram. O Dr. Bombarda, médico, foi assassinado a 3 de Outubro desse ano, por um doente mental do Hospital de Rilhafoles e Cândido dos Reis, ao saber disso e das notícias de denúncia do golpe, pensou estar tudo perdido e matou-se (a 4 de Outubro). Triste história deste herói de origem cabo-verdiana, que me faz lembrar o final de Romeu e Julieta onde Romeu se mata pensando que Julieta estivesse morta.
A origem cabo-verdiana de Carlos Cândido dos Reis, é descrita pelo conhecido genealogista cabo-verdiano, João Manuel Oliveira, nestes termos:

"A mãe é que era da Brava. Carlos Cândido dos Reis, (sob reservas ), filho de Matilde de Azevedo, mais conhecido por Almirante Reis por causa da avenida lisboeta que leva o seu nome. Embora todos saibam o seu nome poucos sabem quem foi, facto que o escritor Luís de Stau Monteiro põe na boca de um personagem do romance Angústia Para o Jantar, (p. 18): “Quem teria sido o Almirante Reis? Que teria ele descoberto? A pólvora? Se calhar descobriu a pólvora e não disse nada a ninguém”. Nasc. a 16 de Janeiro de 1852, nat. de Lisboa, (segundo outros teria nascido em Cabo Verde, sendo baptizado em Lisboa)."

Ambos foram enterrados no mesmo dia e tiveram um funeral conjunto. Quer um quer outro, eram declarados anticlericais. De notar que ser anticlerical, não significa que se seja agnóstico ou ateu:

"O anticlericalismo propugna pela separação e não interferência entre as esferas do poder religioso e do civil. O activista anticlerical critica a acção política das instituições religiosas."  [tirado daqui]

A propósito de liberdade religiosa e separação da Igreja do Estado, acontece que neste momento, encontro-me em Provo, nos Estados Unidos, a participar no 17º Simpósio Internacional sobre Lei e Religião, a convite da Brigham Young University, universidade ligada à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (os Mormons).
Hoje, Domingo, participei na Conferência Anual da citada igreja, evento grandioso realizado em Salt Lake City num auditório de 21 mil lugares e acompanhado pelo celebérrimo Coro do Tabernáculo Mórmon.

Deixo-vos com um vídeo deste coro:


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Domingo, 06.06.10

Estrelados ovos, expressiva pintura e roupa lavada

Ontem Sábado, houve cachupa em nossa casa. Como manda a tradição, no dia seguinte (hoje) ao pequeno-almoço, serve-se a conhecida cachupa refogada, com linguiças da terra e ovo estrelado!

- "Mauro! hoje vais tu preparar a cachupa" - diz a mãe com um sorriso jocoso.
- "Coitado... nem sabe estrelar um ovo!" - remata a irmã.

Com este remate, pus-me a reflectir sobre a frase, e reparei que para quem já cozinhe, estrelar um ovo lhe parece coisa tão fácil que o mais comum dos mortais é capaz de o fazer. Será mesmo assim tão fácil? Algumas perguntas:

  • Como se quebra o ovo? Numa tigela ou num prato? directamente para a frigideira?
  • Numa frigideira de chapa grossa ou fina? Sobre uma placa aquecida e untada?
  • Um fio de azeite ou muito óleo para que se possa regar a gema com essa gordura?
  • Azeite, óleo ou manteiga?
  • Gema no final, líquida ou cozida?
  • Primeiro verte-se a clara e no fim a gema, ou de uma só vez?
  • E o sal? em cima da gema, só na clara ou em ambos? Quando é que se polvilha o sal?
  • Estrela-se um a um ou em grupo?

 

Bem, na realidade, isto é um pouco "à vontade do freguês!" Podemos dizer que em certa medida, deve-se distinguir entre um ovo estrelado mal passado (bom para cavalgar um bife e servir de fonte de líquido amarelo onde se pode embeber pedaços de carne ou de pão, à medida que se consome o prato) e um ovo estrelado bem passado (quando o ovo em si é a iguaria e o resto o acompanhante).

No meu entender, para um ovo estrelado mal passado, um fio de azeite sobre uma placa térmica (ou frigideira de chapa grossa e película aderente), dará o melhor resultado. Sal só sobre a gema, a meio percurso. Ovos da terra, de gema bem avermelhada, são os mais saborosos. Aqui o que se quer é "sentir o ovo!", ou seja, pôr a ênfase na intensidade do gosto.

Para um ovo estrelado bem passado, aconselho usar azeite à vontade para poder ser recolhido por uma colher e vertido em momento certo sobre a gema. Previamente, pode-se alourar um dente de alho no azeite (e/ou uma folha de louro). Retirar estes ingredientes do azeite, baixar o lume e abrir os ovos (vereficados frescos) sobre o azeite (dois ovos no máximo de cada vez). Ao esbranquecer da clara, polvilhar a gema de sal fino, aumentar de novo o lume, inclinar a frigideira e com uma colher de sopa, verter o azeite quente sobre a gema até que fique cozida. Há quem prefira com uma espátula, revirar o ovo de cabeça para baixo, deixando a gema em contacto directo com o fundo da frigideira. No fim, pode-se cobrir com uma fatia fina de queijo flamengo e polvilhar com pimenta. Ou então deixar uma noz de boa manteiga se derreter sobre o ovo, salpicando-a de salsa ralada. Um ovo bem passado, é um combóio de suaves aromas pelo palato em deleite!

Antes de ir fazer o pequeno-almoço, mandei o Mauro experimentar estrelar um ovo. Saiu-se bem, embora deixasse respingar gordura quente na camisa branca que usava. A mãe mandou imediatamente colocar a camisa num alguidar com detergente. "Persil" (como salsa em francês) lia-se no boião de detergente líqido. Fiquei curioso por saber a razão de tão estranho nome. Salsa?! Não é que uma longa história se esconde atrás desta marca (PERSIL foi lançado em 6 de Junho de 1907) cujo nome vem da junção de PERborato e SILicato de sódio, ingredientes da fórmula original! Já que estou nas efemérides do dia, o ferro de engomar eléctrico que será usado logo à noite, viu sua invenção também num dia 6 de junho (de 1882) por Henry Seely of New York City.

Finalmente: "quem foi o célebre pintor que pintou os ovos estrelados da velha?" Asks um imaginário amigo meu. (hoje é o aniversário do nascimento do artista... claro!)
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Domingo, 16.05.10

O Sésamo que transportou a família ao palco

Ontem, dia 15, foi o dia internacional da família, dia instituído pelas Nações Unidas em 1993. Por ter caído este ano num Sábado, foi mais fácil engendrar um programa com a família, que, penso, foi do agrado de todos. Porém, mais fácil seria se nossos filhos fossem crianças, pois, as horas mortas seriam preenchidas com programas educativos de maior valor acrescentado que os banais, muitas vezes violentos, desenhos animados modernos.

Hoje, resolvi confeccionar um prato à moda japonesa. Não, nada de peixe cru. Tratava-se de:

Pato assado desfiado em molho teriyaki acri-doce, com sementes de sésamo tostadas.

Não penso ser necessário dar-vos a receita de pato assado. Vou apenas vos falar do molho acri-doce teriyaki:
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Ingredientes (doses a olho conforme o volume da carne a que se vai juntar o molho):
  1. Começar por doirar as sementes de sésamo (gergelim no Brasil) no óleo alimentar.
  2. Quando a cor lhe agradar deite a colher de manteiga e abrande o lume
  3. Junte o molho teriyaki, o vinagre balsâmico e o açúcar mascavado, mexendo incessantemente até engrossar
O treino ajudá-lo-á a chegar à dose certa dos ingredientes que satisfaça o seu gosto e o de seus convivas. A arte de cozinhar, é a meu ver, baseada em três princípios subjectivos que não estão nunca claros nas receitas (nem podiam). Estes princípios têm paralelo na gestão do nosso dia-a-dia, pelo que a cozinha é uma autêntica lição de vida. Senão vejamos:
  • Princípio da dose (na vida: ser ponderado): os temperos e ingredientes devem ser bem escolhidos e obedecer a proporções criteriosamente sincronizadas em função do prato em vista.
  • Princípio do momento certo (na vida: sentido da oportunidade): os ingredientes não se colocam ao mesmo tempo, nem em qualquer ordem. O momento certo para cada ingrediente é crucial para o sucesso do prato!
  • Princípio da temperatura certa (na vida: entre a serenidade e o vigor das emoções): as reacções químicas que se sucedem, diferem consoante a energia recebida, pelo que por vezes devemos dar escaldões e por vezes o lume deve ser brando. A temperatura pode também ser regulada internamente, consoante o tipo de óleo usado (a manteiga reduz a temperatura do meio e o azeite aumenta).
Enquanto comíamos, um de meus filhos perguntou o nome das sementinhas castanhas e deliciosas que identificara no molho. Ao lhe responder "sementes de sésamo" seus olhos brilharam e evocou o célebre "Rua Sésamo" dizendo: "o nome daquele programa do pássaro amarelo ... o Poupas!".

Não sei porquê, mas logo pensei no dia anterior, o tal da família em que programas destes viriam a preceito. O pior veio mais tarde, quando em frente do computador, procurando as efemérides do dia, deparo com o vigésimo aniversário da morte do "pai dos bonecos do Sésame Street" o famoso Jim Henson. Creio que vou perder a credibilidade junto de meus leitores, se disser que é mais uma coincidência, mas o facto é que lá estava a data do falecimento deste grande criador de marionetas. Lembro-me perfeitamente desse dia em que Jim morreu, pois encontrava-me nessa altura nos Estados Unidos a doutorar-me. Durante dois dias não se falava noutra coisa senão no desaparecimento físico do autor dos "Marretas". lembram-se do genérico? ... Ei-lo:

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Mas nesse triste dia, faleceu também uma outra grande figura do entretenimento. Os noticiários repartiam seu tempo e homenagens entre Jim Henson e Sammy Davis Jr. Porém, devido ao preconceito a proporção das notícias pendia a favor de Henson. Segundo a biografia apresentada no UOL Educação (ver aqui): "A carreira de Sammy Davis foi bastante prejudicada pelo preconceito racial, que limitou seus papéis no cinema, mesmo considerando sua parceria com amigos do Rat-Pack como Frank Sinatra e Dean Martin. O artista, porém, compensava com espetáculos ao vivo, tendo uma agenda constantemente lotada e casa cheia. "Gostem ou não de mim, eles sabem que meu espetáculo vale o dinheiro que gastaram com o ingresso", disse ele numa entrevista." Para finalizar, vejamos um clip deste grande entertainer que faz ao seu lado, a imitação de um outro grande: Nat King Cole. Até parece um show dos Marretas!:

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sinto-me:
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Domingo, 17.01.10

A.A.O. o anacoreta comunista entre a aguardente de Santo e o "grogo" do Diabo

Segundo reza a história, a 17 de Janeiro do ano 356, morria Santo Antão do Deserto, um monge, nascido em 251 no Alto Egipto. A Igreja católica celebra este dia como o dia de Santo Antão. E foi assim que quando em 17 de Janeiro de 1462, Diogo Afonso avistou a nossa mais setentrional ilha, lhe atribuiu o nome de Santo Antão (veja aqui um apontamento interessante da Inforpress).
 
A leitura desse apontamento, deixou-me curioso sobre a vida deste santo. Após um sobrevoo na Internet, fiquei a saber que o apelidavam ainda de: "o Eremita" ou, "o Anacoreta". Palavra estranha esta, que me fez lembrar um amigo, o embaixador português Eugénio Anacoreta Correia, bem como me trouxe à memória, um solitário personagem que muito me impressionou: António Augusto de Oliveira. Este senhor do Paúl, podia perfeitamente ser apelidado desse nome (anacoreta) se não fosse o facto de não ser nada religioso!
 
AAO, como assinava seu nome, possuía uma propriedade no verdejante vale do Paúl. Certa vez, acompanhei uma delegação de Professores universitários portugueses meus amigos, a Santo Antão e levaram-nos à propriedade de António Oliveira. Este recebeu-nos muito bem, fez-nos saborear um excelente grogo debaixo de uma lendária árvore (uma amendoeira) que, contou-nos ele, pacientemente foi domando os ramos, de forma a constituir uma copa em redoma, onde os humanos pudessem disfrutar de sombra e de um espectáculo ímpar de cores e de raios de luz que dançavam por entre a folhagem e iluminavam amareladas folhas que sobre o solo jaziam.
 
Este então nonagenário senhor (o segundo a contar da esquerda, na fotografia ao lado) fez-nos saber que tinha sido militante do Partido Comunista Português e que o pai era um amante da botânica, tendo trazido para a ilha várias espécies vegetais, entre as quais uma variedade peculiar de cana-do-açúcar. Homem mui culto e de grande sabedoria, não deixou que lhe chamássemos de doutor, alegando não ter completado nenhum dos cursos em que se inscrevera.
 
Companheiro de Álvaro Cunhal e de Mário Dionísio (conhecido pintor neo-realista português), António Augusto de Oliveira sonhava poder vir a ser um conhecido pintor. É deveras interessante ler o que Mário Dionísio escreve na sua autobiografia, sobre três de seus amigos, entre os quais António Augusto:
 
Dos amigos que mais me acompanharam nesses anos difíceis, três havia que falavam muito de arte, particularmente de pintura. Eu ouvia-os, feliz. Fe­liz, via e revia os álbuns que me traziam para me ajudarem a dar menos pelo tempo, esses meses passando sobre os meses, os anos sobre os anos, radiografias, saídas periódicas para fazer o pneumo­tórax até quando? Via esses álbuns e sentia alguma coisa reacordar em mim. Um dos tais três amigos desenhava muito bem, era o Álvaro Cunhal, e falava-me, com o espírito insinuante que era o seu, de museus da Europa, tantos museus!, tantos artistas! Käthe Kolwitz, uma paixão que partilhei com ele. E mandámos fa­zer seis grades a um carpinteiro meu conhecido, três para cada um, para esticar nelas telas, para pintar. Tê-las-á usado? Eu, sim. E mal. Outro, o Huertas Lobo, que faleceu há pouco, era filho de pintor, conhecia a história da arte do princípio pa­ra o fim e do fim para o princípio e ofereceu-me a caixa de óleos do pai, prova inestimável de amiza­de, o que fora do pai era sagrado para ele. O ter­ceiro, que queria ele próprio ser pintor, trouxe-me todas as suas tintas e não descansou enquanto não me viu servir-me delas. E curioso o respeito e a curiosidade (a secreta cupidez) que uma caixa de tintas me inspirava. Até o cheiro, que delícia! E a que ele me trazia, mais para eu ver, estava cheia de bisnagas de cores desconhecidas. Mas eram de­le, está claro, não me atrevia a tocar nelas. Chamava-se António Augusto de Oliveira (assinatura hieroglífica: 2 A A e um O) regressou à sua terra — Cabo Verde — a instâncias do pai, que o não via avançar no curso de Direito, onde em verdade nunca pusera os pés, e pouco mais soube dele se­não que não chegou a ser pintor. Mas era o mais teimoso. Vendo uma pequeníssima paisagem que eu ousara fazer com as tintas dele, disse-me, impa­ciente: «Deixe-se de diletantices, por favor. Pinte mesmo. A sério». Falava-me, encantado, de Gauguin (o que ele quereria ser, Cabo Verde, o inte­rior, um novo Taiti, eu bem o entendia) e de ou­tros autodidactas da aventura criadora. Chegava a ofender-se: «Está à espera de quê?»
Mas a teimosia de AAO, o engenho do mesmo em fazer curvar a amendoeira à sua maneira, as suas deambulações pela arte, pela política e pelo Direito, não podiam deixar de invocar nas minhas meninges a figura do " jornalista, editor, autor, maçon, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e xadrezista americano" que foi Benjamin Franklin. De facto, estar debaixo dessa frondosa árvore, seria um perigo em dia de trovoada! Daí a pensar no inventor do para-raios é apenas um passo.
 
Finalmente uma nota de apreço pela aguardente seleccionada com que nos brindou AAO, aguardente esta, que não era nem falsificada, nem conspurcada. Imagino o pai do AAO (Sr. Serafim, se bem me lembro) nos anos trinta, a produzir essa aguardente (de cana seleccionada) para sustentar o filho que , preferia fazer política e pintura, a seguir a trilha do Direito. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Al Capone vendia bebidas desta natureza às escondidas e sob um alto clima de violência, crime e repressão. Mil vezes este saboroso grogo dos Oliveira, bebido na tranquilidade do pacato vale do Paúl, do que a duvidosa aguardente do Alfonso, caríssima e impregnada de sangue!
  • Benjamin Franklin nasceu a 17 de Janeiro de 1706
  • Alphonsus Gabriel Capone nasceu a 17 de Janeiro de 1899
Se a Al Capone lhe tivessem dado o nome do santo festejado no dia em que nasceu, falar-se-ia nos USA da "maldita aguardente do Diabo Antão". Haveria no mundo, a aguardente de Santo Antão e a aguardente do Diabo Antão.
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Domingo, 13.12.09

Orfeão da Praia, borboleta negra e Dick Van Dike

Na passada sexta-feira dia 11 de Dezembro estava eu de camisa branca e gravata negra em nó de borboleta, fazendo vezes de "performer" que nem o meu homenageado do dia, Dick Van Dike. Homenageado por ter feito hoje, 13 de Dezembro, 84 anos e por ter alegrado a minha cinéfila infância com dois fantásticos filmes: "Mary Poppins" em 1964 e "Chitty, Chitty Bang Bang" em 1968. Voltarei ao assunto mais abaixo.

 

Falemos do nosso Orfeão que deu seu primeiro espectáculo de bilheteira. Já o fizéramos no dia 25 de Maio como poderão constatar fazendo clique aqui. Não disponho ainda de informações para vos retratar o que de nós foi dito. Apenas dir-vos-ei que pudemos rectificar os erros e insuficiências havidos em Maio e que o Auditório Jorge Barbosa estava a 2/3 cheio.

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Vi o "Mary Poppins" no cinema da Praia, tinha eu uns 8 anos. Nunca mais me esqueci de pronunciar rapidamente o "Supercalifragilisticexpialidocio". Para mim era a palavra mais longa do universo e soava tão bem aos ouvidos. Tratando-se de um filme sobre "como seria uma babá perfeita", há quem tivesse encontrado uma explicação para essa mágica palavra:

 

Super ="acima", Cali="beleza", Fragilistic="delicadas", Expiali="espiar" e Docio="educada".
Em suma:
"Expiatório para a educação através de delicada beleza"
 
Como de orfeões estamos embebidos, oiçam estas criancinhas a entoar a canção da emblemática palavra:
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Curiosidade: Mary Poppins foi o primeiro filme em que se misturou na mesma cena, desenhos animados e actores humanos. Ora vejam:
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A alegria do Chitty Chitty Bang Bang, um belíssimo calhambeque mágico, não me podia ser de modo algum indiferente: vejam aqui o artigo que há tempos publicara neste blog. Este filme é a adaptação de um livro de Ian Fleming (criador do Agente 007). Deixo-vos com um clip do filme:

 

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sinto-me:
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Sábado, 22.08.09

De Morais e Castro aos burros do "Tonecas", da Eulália e do Maio

Pois é! Até parece que os meus mais queridos actores cómicos portugueses, teimam em me pregar sustos, indo desta para a melhor! Acabo de chegar de férias, da Ilha do Maio e qual não foi o meu espanto ao sintonizar a SIC notícias e me dar conta do enterro do célebre professor das Lições do Tonecas. É esse mesmo, José Armando Tavares de Morais e Castro:
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Segundo o Jornal Público:
É da televisão que o grande público terá uma imagem mais vívida de José Armando Tavares de Morais e Castro, das séries e novelas da RTP e da TVI às Lições do Tonecas (1996/8), mas foi no teatro que se estreou, ainda no liceu, e que mais trabalhou ao longo de mais de 50 anos de carreira. Dirigente da Casa do Artista, onde residia nos meses que antecederam o seu internamento, casado com a actriz Linda Silva, Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939.
Assim como Solnado, faltavam-lhe poucas semanas para completar uma idade a números redondos: 80 para Solnado, 70 para Morais e Castro. Ambos nos divertiram imenso e não falhava nenhum episódio das Lições de Tonecas. Vejam um extracto de um deles:
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As aulas desta série até me fazem lembrar a escola da Dona Eulália, onde passei bons momentos e episódios do mesmo tipo que os das referidas "Lições do Tonecas". Dona Eulália era uma Setubalense, casada com um funcionário, salvo o erro dos TACV, o Sr. Arlindo. Na escola particular dela, éramos poucos e lembro-me dos terríveis irmãos Pinto Eliseu, das gémeas Ruth e Marilu, do Jorge Manuel (filho da professora), do Nando, do Necas, do Carlinhos, do Jorge Ribeiro, da Tó, e de alguns outros mais. Não eram raras as sandices à moda do Tonecas: uma vez, a professora pediu que falássemos dos tipos de sangue que circulam no corpo humano e uma das gémeas disparou sorridente: "sangue arterial e sangue venenoso!"

 

Gargalhadas e "burra!" foram as explosões que se sucederam. Dona Eulália fazia um esforço para ela também conter o riso e repreendia os que chamaram a pobre colega, agora chorosa, de "burra". Lá foi ela dizendo que as pessoas não são burras e que este animal até era bastante astuto e alerta.

 

A propósito de burros astutos e alertas, não posso deixar de manifestar a minha tristeza pela extinção dos burros selvagens da Ilha do Maio. Com efeito, há 16 anos quando lá tinha ido pela última vez, pude ver esses soberbos animais correr sobre as calcáreas pedras da ilha e a se esconder entre os arbustos da famigerada Prosopis juliflora. Esses burros eram, segundo os camponeses do Maio, impossíveis de domar; para os ter era necessário capturá-los bebés e criá-los com cuidado. De cor bege, estes animais ostentavam uma listra castanho escura a negra, na base do pescoço. Infelizmente, a seca fê-los morrer de sede ao longo dos anos e hoje já não os há selvagens! Também verifiquei com amargura que o número e a variedade ornitológica diminuiu grandemente. Onde estão as lindas aves do Maio? Porque não houve declaração de "zonas naturais protegidas" para o Maio? Houve sim a designação de ZDTIs (Zonas de Desenvolvimento Turístico Integrado) que muita polémica fez surgir (ver aqui por exemplo) .

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Fiquemos agora com um documentário sobre esta magnífica ilha do Maio, que aos poucos vai despontando para um turismo promissor (ZDTI aqui):
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Domingo, 02.08.09

O povo quem mais ordena, levou Hitler à minha árvore genealógica

Já é hábito olhar para as efemérides, para espevitar as meninges a respeito de algum evento relacionado com a minha vivência. Eis que me deparo com Adolfo Hitler! O facto assinalado hoje é o da chegada do ditador à presidência da Alemanha, pela morte do então presidente Hindenburg. Eis um extracto da notícia, tirado do Wikipédia:
"Em 2 de Agosto de 1934, Hindenburg morre. Hitler apodera-se do seu lugar, fundindo as funções de Presidente e de Chanceler, passando a se auto-intitular de Líder (Führer) da Alemanha e requerendo um juramento de lealdade a cada membro das forças armadas." (ler todo o artigo aqui)
Lembrei-me logo de muitos dos filmes da II Guerra Mundial que assisti. A saudação nazista em muitos deles patente, fez-me recordar de uma foto antiga, da classe de ginástica da minha mãe, aquando de sua passagem pelo Liceu Gil Eanes em São Vicente (anos trinta). Antes de vos apresentar a foto, vejam Hitler a discursar aos jovens de então (reparem na saudação):
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Embora o tom deste discurso me faça lembrar outros discursos mais recentes, abstenho-me de os evocar e vou de imediato mostrar-vos as fotos seguintes, a de um comício do Führer e a da classe de ginástica da minha mãe:
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Não é difícil tirar as conclusões, nesse tempo em que Salazar se exercitava com as ideologias de seu comparsa adolfino. E a ditadura de Salazar e seus seguidores, durou 40 anos! Mas, eis que em 1974, com o 25 de Abril, chega a Liberdade e o anti-fascismo a Portugal e à nossa terra! Pululavam os comícios e assistia-se aos mais inusitados exageros do lado da revolução. Presenciámos actos de "africanização" dos costumes, com pessoas a deitar vinagre no cabelo (para os tornar crespos), a comer com as mãos, sentadas no chão, enfim, a fazer tudo o que mais lhes pudesse afastar dos hábitos dos derrotados colonizadores. É assim, que surgiram novos nomes próprios nos registos civis cabo-verdianos, como: Abel Djassi, Samora, Lumumba, Kwame, Che, Guevara, Lenin, etc..

 

Meu tio Oldegar, que tal como o pai (meu avô) era conhecido pelo seu acutilante espírito de contradição, irritado com esses nomes "esquerdistas", resolve dar ao seu então mais recente pimpolho, o pomposo nome de ... Adolfo Hitler de Melo Sousa Brito.

 

Pobre rapaz! Que culpa tinha ele para carregar este aberrante epíteto pela vida fora. Felizmente, teve o bom-senso de mandar retirar o Hitler de seu nome, logo que fez 18 anos! Parabéns!
 
Para desanuviar os espíritos, deixo-vos agora com um anti-fascista da época, que se estivesse vivo, completaria hoje 80 anos! Trata-se do autor de "Grandola vila morena!":
 
Nascido em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929
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Domingo, 26.04.09

Fotos BCS de lindas, simpáticas e atraentes primas minhas

As fotos BCS (Beleza, Charme e Sensualidade) do meu artigo anterior causaram um agradável efeito em muitos que passaram pelo blog.
 
Uma de minhas primas achou interessante e prometeu-me enviar fotos dela para que compusesse um BCS neste espaço. Então pus-me a pensar que se calhar não seria má ideia homenagear a beleza, o charme e a sensualidade de algumas das mais bonitas, simpáticas e atraentes jovens que figuram na minha árvore genealógica. 
 

Procurei as fotos que elas mesmas publicaram na Internet e com a devida vénia as reproduzo aqui em forma BCS. Durante algum tempo não colocara nem nomes nem links, para que, se porventura a alguma delas não agradasse a ideia, houvesse tempo de remover ou substituir fotos. Como não obtive objecções, libero por agora os links.

 

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Minha prima em 5º grau
 
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Minha prima em 8º grau
 
 
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Minha prima em 5º grau
 
 
Minha prima em 4º grau .
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Domingo, 22.03.09

Os Beatles, meu vizinho Tadeu ... e muita água!

Com "dôs águ na corpo" meu vizinho SANA sobe as escadas da entrada de minha casa a cantarolar uma ária dos Beatles. Vinha trazer-me uma prenda que, segundo ele, fizera vir dos Estados Unidos especialmente para mim. Agradeci a gentileza, perguntei-lhe pelo John Lennon e ... foi o suficiente para uma longa conversa que, desejava ele fosse regada com água ardente, mas que em louvor ao dia de hoje, o Dia Mundial da Água, ( comemorado a 22 de Março desde 1992), foi apenas saudada com a boa e fresca água de nascente.
Não se inquietem, que o Jonh Lennon a que me referi está vivo, reside nos USA e é o filho deste meu vizinho, não se tratando do célebre membro da banda de Liverpool. SANA é louco pelos Beatles e pela música rock. Aliás foi graças a ele que tive a ideia de lançar este blog (ver o primeiro artigo aqui). SANA, é muito conhecido em Cabo Verde pela sua habilidade em animar festas, concertos e festivais com a sua música descontraída e com bastante rock & roll à mistura. Actualmente, fundou um duo musical intitulado "Sana Pépas & Julai" que, de acordo com seu auto-marketing, é o melhor conjunto da cidade da Praia.
Vejamos agora, porque meu vizinho, de nome Tadeu Monteiro Fontes, é mais conhecido por "Sana Pépas". A resposta só poderia estar na esfera da Beatlemania: Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, abreviado Sargent Pepper's , o álbum de vinil mais conhecido dos Beatles! A sonoridade britânica do nome foi rapidamente creolisada para Sana Pépas, o nome de que ele até se orgulha. Fiquei curioso com esta referência e preferência. Fui então procurar no You Tube a seguinte composição ilustrativa do citado álbum:
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Como tenho uma propensão pelas coincidências "efeméricas", eis que hoje fazem precisamente 46 anos que o primeiro álbum de vinil dos Beatles foi lançado: Please, Please Me. A Capa foi algo inusitado, pois, "George Martin, que tinha encanto pelo Zoológico de Londres, pensou que seria uma boa publicidade para o mesmo se os Beatles posassem para a capa do álbum diante da casa de insectos do Zoo, mas a Sociedade Zoologica de London não permitiu que isso fosse feito. Decidiu-se então que a foto da capa fosse dos quatro integrantes em um balcão da escadaria da EMI. Esta foto tirada por Angus McBean foi usada posteriormente para a capa da colectânea The Beatles 1962-1966."
Para terminar este artigo, convido-vos a apreciar um clip dos Beatles a tocar a canção que deu o título ao álbum:
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Domingo, 15.03.09

Será púdica a Mimosa?

Desde criança que a frase "toma sima nau-mi-toques" me impressiona. Esta frase era pronunciada geralmente em resposta a uma atitude com contornos de susceptibilidade exacerbada. Claro que cedo soube se tratar de uma planta cujas folhas se fechavam ao mais ligeiro toque. Sempre quis conhecê-la mas por muitos anos nunca tive o ensejo.
No início dos anos noventa do século passado, chefiava o Departamento de Recursos Naturais do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário e tinha a tutela do primeiro jardim botânico da República de Cabo Verde. Foi então que pela primeira vez me cruzei com essa dama que ostenta o nome científico de mimosa pudica. Porém, só ali estavam dois exemplares e mesmo assim escondidos do público, no viveiro do Jardim!
Dezanove anos depois, numa das minhas visitas ao Jardim Botânico, lembrei-me de perguntar pela "sensitiva", outro nome da "não-me-toques". E levaram-me ao viveiro onde pude perceber num periclitante vaso, uma mirrada planta que provou ser a dita cuja, após um toque que lhe fiz.
Não resisti em filmar a coitadinha com a câmara de meu telemóvel, não vá ficar sem poder ter uma recordação visível da mesma. Embora se possam encontrar outras filmagens de púdicas mimosas na Internet, é com muito gosto que coloquei a que fiz no YouTube e vo-la apresento aqui:
..
sinto-me:
publicado por jorsoubrito às 17:54 | link do post | comentar

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