Domingo, 19.09.10

Elucidativos envelopes do 1º dia, PAIGC e burros "anotados"

Já ninguém liga ao 19 de Setembro aqui em Cabo Verde! Esta data é histórica para a existência do nosso país como Estado independente: é a do aniversário da criação do PAIGC por Amílcar Cabral e por outros cinco camaradas:
  • Amilcar Cabral
  • Aristides Pereira
  • Luís Cabral
  • Fernando Fortes
  • Júlio Almeida
  • Elisée Turpin
Antes do golpe de Estado na Guiné-Bissau, que resultou na cisão do partido e no  fim da célebre, mas pouco convincente, "Unidade Guiné-Cabo Verde", a data era comemorada com pompa e circunstância. Já no 2º ano de nossa independência calhou o XX aniversário da fundação do PAIGC e mais um selo comemorativo foi lançado, com o seu respectivo "envelope do 1º dia". É com prazer que vos apresento aqui o lindo selo com a esfígie de Amílcar Cabral entre a Guiné e Cabo Verde:

Mas a primeira vez que se comemorou esta data em Cabo Verde, foi em 1974, depois do "25 de Abril" mas antes da Independência, ou seja, em plena agitação política onde as forças da UPICV (União dos Povos das Ilhas de Cabo Verde) se degladeavam contra o PAIGC, causando a este sérias preocupações passíveis de um ardente desejo de neutralizar a UPICV pela parte do PAIGC. Os leitores poderão melhor entender a palavra "neutralizar" lendo o texto de José Luís Hopffer Almada no Blog Tertúlia Crioula (ver aqui), do qual isolo este extracto:
"A neutralização, que se queria definitiva e irreversível, dos responsáveis e apoiantes da UPICV materializa-se de forma cabal, nesses dias iniciais do mês de Dezembro de 1974..."
Confesso que os militantes da UPICV eram então, deveras impertinentes. Tinham a seu serviço a "Minerva de Cabo Verde", uma tipografia familiar e com bastante notariedade em Cabo Verde (ver histórico aqui e de seu fundador) e quase que quotidianamente lançavam um panfeleto muitas vezes demolidor das afirmações e ideias veiculadas em comícios pelos políticos e militantes do PAIGC. Tinham a vantagem da imprensa, cujo produto gráfico de alta qualidade,  contrastava com os panfletos policopiados do PAIGC. Vejamos então um destes produtos gráficos que a UPICV lançou, no dia 19 de Setembro de 1974, para achincalhar o PAIGC e troçar de três de seus juristas, cuja eloquência e argumentação irritava os manda-chuvas da UPICV:

A simbologia inserida neste trabalho gráfico, poderá ser melhor entendida pela análise do seguinte extracto do texto de José Luís H. Almada atrás referido:
"...a UPICV proclamava-se como sendo de ideologia maoísta e pró-chinesa, e, por isso, posicionava-se como contrária ao “imperialismo americano”, considerado como aliado natural do colonialismo português e dos seus “fantoches spinolistas autóctones”, e ao “social-imperialismo soviético”, de cujo expansionismo e hegemonismo o PAIGC era considerado mero instrumento e peão políticos."

De qualquer modo, acho que devo homenagear o génio da tipografia que foi Aires Armando Leitão da Graça, irmão do lider histórico da UPICV, José Leitão da Graça. Aires, era o guru das artes gráficas dessa época, tendo gerido a Minerva como nunca alguém o fizera antes. Aires foi um dos 6 presos políticos que a "neutralização" conseguiu pôr atrás das grades do Tarrafal e fazer Portugal assinar um acordo reconhecendo o PAIGC como a única força política representativa do povo cabo-verdiano!
Embora tendo lhe sido reconhecido o estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria, Aires morreu na miséria e bastante doente. Gostava imenso de fumar cachimbo e a melhor prenda que se podia levar-lhe durante a fase da doença, era um pacote de tabaco para cachimbo.
Porém, sou um acérrimo lutador contra o tabagismo, e termino esta crónica com mais um elucidativo envelope do 1º dia, desta feita, sobre a "luta contra o tabagismo", lançado há 30 anos atrás, em 19 de Setembro de 1980:

sinto-me:
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Domingo, 22.08.10

O caso do lacrau da Vitrola

Ontem, após algumas horas a seguir os programas do TV5 Monde (devido à chuva não houve "Baía das Gatas" nessa noite), lembrei-me que no dia seguinte era Domingo, dia de escrever para o Blog. Sem inspiração nenhuma (há semanas que não a tenho) fui à janela de minha sala, olhar para a praça Alexandre Albuquerque, naquela hora deserta (já passava da meia-noite). Para contrastar com a noite anterior, a praça, de imperceptível iluminação eléctrica, resplandecia de matizes prateadas propiciadas por um intenso luar, de lua cheia ainda meio escondida por escassas nuvens de chuva. Ainda com a TV5 ligada, me veio à mente uma cantiga infantil gaulesa:
Au clair de la lune, mon ami Pierrot Prête-moi ta plume, pour écrire un mot.
Mais precisava do "mot" que da "plume"! Olhei para o coreto vazio e imaginei-o mais tarde com a banda municipal a tocar suas animadas e sonoras peças, à base de clarinetes, tubas, trombones, cornetas e trompetes, muito "sopradas" para o meu gosto.

Quem teria mandado construir o coreto e dinamizado este já bem antigo hábito, da banda municipal aos Domingos? Lembrei-me logo do nome de Abílio Monteiro de Macedo, um dos melhores presidentes de câmara que a Praia já teve. Fui vasculhar nos meus registos e encontrei esta descrição que transcrevo:

"Foi membro do Conselho do Governo em 1917; presidente da Câmara Municipal do Fogo (1922) e presidente da Câmara Municipal da Praia (1923-28), tendo dado um grande avanço aos trabalhos municipais desde obras no mercado ao melhoramento da luz eléctrica, da banda de música ao calcetamento das ruas."
Abílio de Macedo foi um homem multifacetado: político, maçon, autarca, comerciante, proprietário, armador, director de jornal, etc. Mas, das minhas recordações, me lembro que foi um grande amigo da nossa família. Era padrinho de minha mãe e reinava uma profunda e real amizade entre ele e meu avô Antoninho, seu compadre. Após a "...exoneração do cargo de presidente da câmara, concedida em 25 de Maio de 1928 e a renúncia do mandato de vogal do Conselho do Governo, concedida em 26 de Maio de 1928" Abílio Macedo dedicou-se mais, à actividade comercial. Como armador, conhecia bem as leis marítimas e chegou a arrematar em hasta pública, todo o conteúdo de um navio americano que encalhara nos mares da Boavista. Nesta carga, constavam duas ou três vitrolas, que Abílio não vendeu, tendo oferecido uma ao meu avô Antoninho para que este melhor decorasse a sala da sua recém adquirida (1930) casa (esta onde moramos).

E é desta vitrola que vos quero falar hoje, máquina lançada pela Victor Talking Machine Company no mercado americano, em 22 de Agosto de 1906 (fazem hoje 104 anos). Em criança ouvia os mais velhos chamar ao mono, de gramofone (só recentemente vim a saber que estavam enganados pois gramofone eram os de corneta externa, sem caixa de ressonância). Eu adorava esquivar-me para a sala de visitas (geralmente fechada) para ir colocar os discos de 78 rotações no "gramofone" e fazer passos de dança ao som de fox-trots e valsas. Minha mãe brigava, pois tinha medo que me ferisse com as agulhas de aço enferrujadas. "Podes apanhar tétano", dizia ela ao mesmo tempo que me fazia sair da sala. Algum tempo depois começou o período de vacinas e lá ia eu insistindo para tomar a do tétano. Assim foi feito, na Cruz Vermelha da cidade (era onde naquele tempo se ministravam vacinas) e fiquei por isso mui grato à instituição (que completa hoje 146 anos), pois já podia tocar o "gramofone" a meu bel prazer e a contragosto de minha mãe. Mas, um belo dia, ao abrir a tampa da vitrola, salta-me de lá dentro um lacrau (pequeno escorpião cá das ilhas, creio, já extinto) ! Corri esbaforido para a sala de jantar, onde meus pais iam iniciar o almoço, gritando de medo. Após verificação do ocorrido e de que o aracnídeo não me picara, meu pai de sorriso maroto me tranquilizou enquanto minha mãe sentenciava: "bem feito! assim deixas o gramofone em paz!"... e deixei mesmo (até regressar da faculdade, quinze anos mais tarde). Apresento-vos então "O GRAMOFONE":


Com o "clair de lune" girando no meu cérebro, procurei se porventura esta ária de Debussy se encontrava entre os inúmeros discos de 78 rotações que eram guardados em compartimento próprio da vitrola. Não encontrei. Pena! ... os violinistas do Festival da Baía das Gatas bem ma poderiam tocar, nesta noite de luar em que se celebra o 148º aniversário do nascimento deste grande compositor francês. Não faz mal! Encontrei uma excelente interpretação do "Clair de Lune" tocada por um violinista. Ofereço-vo-la em guisa de despedida:

* * .
sinto-me:
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Domingo, 28.03.10

Bicentenário do nascimento de quem originou o nome de minha mulher

"E Hermengarda sentia ao contacto daquela mão fria e trémula apertando a sua, no acento dessas frases, tempestuosas como o oceano, tristes como céu proceloso, que lá, no peito do vulto que tinha ante si, havia um coração de homem vivo, onde chaga antiga e cancerosa vertia ainda sangue. A espécie de pesadelo em que se debatia desaparecera com a realidade. O repentino impulso da sua alma foi lançar-se nos braços de Eurico".

Este extracto foi tirado de um dos mais famosos romances históricos portugueses, o "Eurico o Presbítero" (cuja resenha se pode baixar aqui) de Alexandre Herculano. Neste dia, 28 de Março de 2010, em que se comemora o bicentenário do nascimento dum dos maiores escritores lusófonos do século XIX, é com grande prazer que transcrevo da wikipédia o resumo da história de Eurico e Hermengarda:

O enredo conta a história de amor entre Eurico e Hermengarda, que se passa na Espanha visigótica do século VIII. Eurico e seu amigo, Teodomiro, lutam ao lado do rei da Espanha, Vitiza, contra os "montanheses rebeldes e contra a francos, seus aliados". Depois de vencer o combate, Eurico pede ao Duque de Fávila a mão de sua filha, Hermengarda, porém este recusa o pedido ao saber que se trata de um homem de origens humildes. Eurico, então, se entrega à religiosidade, tornando-se o Presbítero de Cartéia, para se afastar das lembranças de Hermengarda, através das funções religiosas e da composição de poemas e hinos religiosos. No entanto, quando ele descobre que os árabes estão invadindo a Península Ibérica, liderados por Tárik, alerta seu amigo Teodomiro e se transforma no enigmático Cavaleiro Negro. De maneira heróica, Eurico, agora Cavaleiro Negro, luta em defesa de sua terra e, devido a seu ímpeto, ganha a admiração dos visigodos e dos demais povos da península, agora seus aliados, e lhes dá forças para combater o invasor. Quando a vitória parece certa para os godos, Sisebuto e Ebas, filhos do imperador Vitiza, traem seu povo, a fim de ganhar o trono espanhol. Logo após, Roderico, rei dos visigodos, morre na Batalha de Guadalete e o povo passa a ser liderado por Teodomiro. Enquanto isso, os árabes invadem o Mosteiro da Virgem Dolorosa e raptam Hermengarda. O Cavaleiro Negro a salva quando o "amir" estava prestes a profaná-la. Durante a fuga, Hermengarda é levada até as Astúrias, onde está seu irmão Pelágio. Em segurança numa gruta de Covadonga, Hermengarda encontra Eurico e declara seu amor por ele. Contudo, Eurico não acredita que esse amor possa se concretizar, devido às suas convicções religiosas, e revela a real identidade do Cavaleiro Negro. Ao saber disso, Hermengarda perde a razão e Eurico, ciente de suas obrigações, parte para um combate suicida contra os árabes e enfrenta os traidores Bispo Opas e Juliano, Conde de Ceuta.

 

É óbvio que o grande Alexandre Herculano não escrevia sobre a minha Hermengarda, mas o danado é o responsável pelo invulgar, quiçá estranho nome de minha mulher! É que meu falecido sogro, Augusto Barbosa Barros (vejam-no na foto ao lado), era um devoto e fervoroso admirador de Alexandre Herculano. Para além de ter dado à filha o nome de Hermengarda, quando foi morar para Portugal não deixava de ir em peregrinação todos os anos, por ocasião do falecimento do malogrado historiador, à Quinta do Vale de Lobos (onde Herculano viveu seus últimos dias).

Pode baixar em Pdf o "Eurico o Presbítero" de Herculano, clicando aqui.
sinto-me:
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Domingo, 02.08.09

O povo quem mais ordena, levou Hitler à minha árvore genealógica

Já é hábito olhar para as efemérides, para espevitar as meninges a respeito de algum evento relacionado com a minha vivência. Eis que me deparo com Adolfo Hitler! O facto assinalado hoje é o da chegada do ditador à presidência da Alemanha, pela morte do então presidente Hindenburg. Eis um extracto da notícia, tirado do Wikipédia:
"Em 2 de Agosto de 1934, Hindenburg morre. Hitler apodera-se do seu lugar, fundindo as funções de Presidente e de Chanceler, passando a se auto-intitular de Líder (Führer) da Alemanha e requerendo um juramento de lealdade a cada membro das forças armadas." (ler todo o artigo aqui)
Lembrei-me logo de muitos dos filmes da II Guerra Mundial que assisti. A saudação nazista em muitos deles patente, fez-me recordar de uma foto antiga, da classe de ginástica da minha mãe, aquando de sua passagem pelo Liceu Gil Eanes em São Vicente (anos trinta). Antes de vos apresentar a foto, vejam Hitler a discursar aos jovens de então (reparem na saudação):
..
Embora o tom deste discurso me faça lembrar outros discursos mais recentes, abstenho-me de os evocar e vou de imediato mostrar-vos as fotos seguintes, a de um comício do Führer e a da classe de ginástica da minha mãe:
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.
Não é difícil tirar as conclusões, nesse tempo em que Salazar se exercitava com as ideologias de seu comparsa adolfino. E a ditadura de Salazar e seus seguidores, durou 40 anos! Mas, eis que em 1974, com o 25 de Abril, chega a Liberdade e o anti-fascismo a Portugal e à nossa terra! Pululavam os comícios e assistia-se aos mais inusitados exageros do lado da revolução. Presenciámos actos de "africanização" dos costumes, com pessoas a deitar vinagre no cabelo (para os tornar crespos), a comer com as mãos, sentadas no chão, enfim, a fazer tudo o que mais lhes pudesse afastar dos hábitos dos derrotados colonizadores. É assim, que surgiram novos nomes próprios nos registos civis cabo-verdianos, como: Abel Djassi, Samora, Lumumba, Kwame, Che, Guevara, Lenin, etc..

 

Meu tio Oldegar, que tal como o pai (meu avô) era conhecido pelo seu acutilante espírito de contradição, irritado com esses nomes "esquerdistas", resolve dar ao seu então mais recente pimpolho, o pomposo nome de ... Adolfo Hitler de Melo Sousa Brito.

 

Pobre rapaz! Que culpa tinha ele para carregar este aberrante epíteto pela vida fora. Felizmente, teve o bom-senso de mandar retirar o Hitler de seu nome, logo que fez 18 anos! Parabéns!
 
Para desanuviar os espíritos, deixo-vos agora com um anti-fascista da época, que se estivesse vivo, completaria hoje 80 anos! Trata-se do autor de "Grandola vila morena!":
 
Nascido em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929
..
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sinto-me:
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Domingo, 28.06.09

Djédjé di Nhô Antóni, viu São Pedro!

Após as estrondosas notícias dos últimos dois dias ... :

  • 25 de Junho - " O cantor e compositor Michael Jackson, 50, morreu às 18h26 (horário de Brasília) desta quinta-feira (25), após sofrer uma parada cardíaca em sua casa, em Los Angeles. Segundo o jornal "Los Angeles Times", os médicos do hospital da Universidade da Califórnia confirmaram a morte do cantor, que teria chegado ao local em coma profundo" - [in UOL]
    ..
  • 26 de Junho - "Cidade da Praia, 26 jun (Lusa) - A elevação da Cidade Velha a Patrimônio Mundial da Humanidade, anunciada nesta sexta-feira pela Unesco, marca um projeto iniciado há uma década e vai permitir o desenvolvimento do primeiro núcleo populacional surgido na ilha de Santiago, em Cabo Verde. Também conhecida por Ribeira Grande de Santiago, a região foi descoberta pelos portugueses em 1460 e, dois anos mais tarde, foi fundada no local a primeira cidade do mundo construída por europeus nos trópicos." [in LUSA]

 

Vejam o que eu dizia a este respeito em 31 de Janeiro de 2007 :
..
 
... chegamos a este Domingo, véspera de São Pedro, com vontade de regressar ao sopé do Vulcão do Fogo e desfrutar a calma ali reinante:
 

 

Mas, ... porque resolvera eu ir ao Fogo há dois meses atrás e levar minha mulher comigo? Precisamente para apreciar in loco o que eram as "festas da bandeira" e ter uma visão daquilo que minha avó Quinha, tios e primos contam a propósito da "Bandeira di nhô San Pedro" que tem "estado na família" desde que meu bisavô Djédjé di Nhô Antóni a tomou!

 

 

Eis a história:

 

José António da Silva pertencia a uma família de posses, filho do major António José da Silva, influente personagem do século XIX na ilha do Fogo. Conhecido por Djédjé di Nhô Antóni, José da Silva possuía um navio, de que era capitão, que fazia viagens entre Cabo Verde e os Estados Unidos, no início do século XX. Embora tivesse ganho muito dinheiro com este circuito, Djédjé transportava de graça para os USA, muita gente pobre e era um homem conhecido pela sua bondade e devoção religiosa. Numa de suas viagens de regresso da Nova Inglaterra, Djédjé apanhou um violento temporal e o navio teve um rombo, começando a entrar água. O naufrágio era iminente. Meu bisavô, poz-se de joelhos e começou a rezar fervorosamente. Nisto, fez-se um clarão (provavelmente de um incêndio na rectaguarda) e Djédjé exclama "Nhu San Pedro! nhu salvan!". E não é que uma embarcação que passava ao largo do escuna, vê as chamas e vem em socorro de Djédjé e da tripulação?

 

Desde então, José da Silva prometeu usar o resto de sua fortuna, promovendo as festas da "Bandeira de nhu San Pedro", até que a morte o levasse. Só que as estrondosas festas foram-se desvanecendo (de tal sorte que já nem delas se falam nos artigos nacionais: ver aqui) à medida que os anos se passavam e que a fortuna de Djédjé definhava. O homem viveu 96 anos!

 

Hoje, com muito pouca festa, ainda se diz a missa e se entrega a bandeira ao padre. A bandeira continua na nossa família e é sustentada pelo neto "Nénezinho", que vive nos Estados Unidos.

 

O ponto alto das festas de São Pedro no Fogo recai sobre o então célebre Canizade (uma espécie de dança, com máscaras e saiotes de palha). Este tem lugar na véspera do dia da festa. Hoje, dia 28 de Junho é vespera de Nhô San Pedro! Haverá Canizade no Fogo? NB: segundo Henrique de Pina Cardoso:

 
"Canizade, úndi qês canizade tã badjabo, tê de pramanha… Rôpa de canizade êh um s’péce de máscra, qi tâ parce qês índio maricano, qú qês saia de padja, qês latas pindrado, suma qês tchocadjo qi tâ podo na limária pâ bú sabê úndi ês s’ta tâ anda."
sinto-me:
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Domingo, 14.06.09

Mauro, Mancini e Matrimónios

.

Na senda desta minha súbita febre melómana e inclinação pelas notáveis músicas de filmes, não resisto neste mês das crianças, a apresentar a castiça fotografia seguinte, de meu filho Mauro, em sua tenra idade:
 
Pobre "pantera cor-de-rosa"! coitadinha, de cabeça para baixo, sabe-se lá para onde será arrastada.
 

Este meu filho, adorava o rosado boneco e como nasceu com queda para a música, veio mais tarde a interpretar com mestria, o clássico Pink Panther Theme Song de Henry Mancini, mais um notável compositor e maestro de músicas de filme.
 
Podemos apreciar a precoce sensibilidade musical, de Mauro Jorge Barros Brito, na parte final deste clip:
..

Cedo colocamos nossos dois filhos mais novos, numa escola de música e mais tarde ele seguiu a turma de piano clássico. Comprámos-lhe um teclado electrónico semi-profissional, e Mauro divertia-se a tocar as mais diversas árias, tendo Mélanie a seu lado como "cantora lírica".
 
Como dizia, Mauro tocava muito bem o Pink Panther de Mancini e sempre gostou dos desenhos animados da Pantera cor-de-rosa. Donde veio isso? Vou agora especular, baseado nas coincidências:
 
Henry Mancini (1924-1994) nasceu no mesmo ano em que minha mãe nasceu. Nasceu a 16 de Abril (dia em que minha mulher e eu, comemoramos os aniversários de nosso casamento) e morreu a 14 de Junho (dia em que meus pais comemoram seus aniversários de casamento).
 
Adivinharam! hoje (15 anos após a morte de Mancini) meus pais fazem 55 anos de casados. São as Bodas de Esmeralda. Eles casaram-se por procuração, pois nessa altura (1954) meu pai estava colocado na ilha do Sal, como rádio telegrafista.
 
Finalizo com o tema Pink Panther de Mancini, (que se encontra sentado ao piano) em homenagem a todos os que aqui mencionei:
.. .
sinto-me:
publicado por jorsoubrito às 18:03 | link do post | comentar
Domingo, 08.02.09

Que há de comum entre: Hilário Brito, John Baird, Jules Verne e Dmitri Mendeleev ?

Desde já a resposta: o 8 de Fevereiro e a "Tele-visão"
(além da testa e do olhar confiante no futuro)
Recentemente conectei ao meu desktop, uma "penTV". Cedo me apercebi que a antena da "pen" era pouco sensível e lá fui adquirir uma dessas antenas interiores numa das lojas chinesas da capital.
Porém, era preciso fazer uma ginástica tremenda de orientação da mesma para poder captar algo credível. Lembrei-me logo do significado da frase "captar TV" que há 42 anos ouvia troar nos meus ouvidos de recem-teenager, a propósito das tentativas de meu pai em teimar poder ver televisão na Praia.
Como estas ideias lhe tinham surgido em Fevereiro de 1967, resolvi então dedicar o meu próximo "post" dominical (este) ao espírito pioneiro de Hilário Brito, em querer estar entre os primeiros a captar TV em Cabo Verde (no Sal já um português se vangloriava te ter captado TV).
Segundo os apontamentos (encontrados na página "8 de Fevereiro") de uma velha agenda do meu progenitor, que religiosamente guardei (ele nem se deu conta do confisco), a ideia lhe surgiu no início de Fevereiro de 1967, quando comprara um minúsculo televisor Crown e uma antena de vários elementos. Ainda me lembro dos valentes rapazes dos CTT e da Central Eléctrica que içavam o poste enorme de ferro onde se via a tal antena no topo e, sob o comando de Hilário, ajustavam os fios de aço que seguravam e mantinham o poste hirto e imune à força dos ventos.
Durante os meses que se seguiram, lá ia Hilário escrutinando os ares para ver se "via" alguma coisa, ora virando a antena para a esquerda ora para a direita. A 30 de Julho, como reza o artigo anexo (clique nele), conseguimos vislumbrar uns "fantasmas" que iam e vinham acompanhados de algum som espanholado. Não me esqueço de uns quatro minutos de "debujos animados" dos Flinstones que me deleitaram e ditaram a paciência e a ansiedade de ficar especado à frente do minúsculo écran por largos minutos a olhar para a "chuva" acinzentada que propiciava. Poderão inteirar-se de outras aventuras e incursões no mundo da televisão que Hilário Brito prosseguiu, ao ler (façam clique na imagem) a crónica anexa. Podem também ver a entrevista que lhe fizeram aquando da gala comemorativa 20 dos anos da televisão estatal cabo-verdiana: Quanto a mim, fui investigar na Internet um pouco sobre as origens das primeiras emissões de TV e qual não foi o meu espanto, quando deparei com a informação de que a primeira emissão de televisão entre Londres e Nova York se realizara num 8 de Fevereiro (em 1928) fazendo hoje precisamente 81 anos de tal histórico evento. Mais interessante ainda é ler a biografia de seu autor, um escocês de nome John Logie BAIRD, e constatar seu espírito visionário e empreendedor. Eis um resumo tirado da wikipédia:
John Logie Baird (13 de Agosto de 1888, Helensburgh – 14 de Junho de 1946, Bexhill) foi um engenheiro escocês, um dos pioneiros da televisão. Em fevereiro de 1924 transmitiu imagens estáticas através de um sistema mecânico de televisão analógica. Em 30 de outubro de 1925 transmitiu as primeiras imagens em movimento. Em 1927 fundou a Baird Television Development Company, a qual em 1928 fez a primeira transmissão transatlantica de televisão, entre Londres e Nova York e também o primeiro programa de televisão para a BBC. Em 1931 realizou a primeira transmissão ao vivo.

Este homem de visão, que transportou a "visão" de um continente a outro, me lembrou um outro: Jules Verne, aquele que foi: .
"considerado por críticos literários como o precursor do género de ficção científica, tendo feito predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como os submarinos, máquinas voadoras e viagem à Lua"
Fui então descobrir que ele nascera a 8 de Fevereiro de 1828, exactamente 100 anos antes da citada emissão de televisão entre Londres e Nova York !
(faça um clique nesta imagem e aceda ao site de origem)
Em matéria de previsões, muito cedo, nas minhas lides com a Química, tropecei num outro grande vulto da ciência: Dmitri Ivanovich Mendeleev
"em russo Дми́трий Ива́нович Менделе́ев, (Tobolsk, 8 de Fevereiro de 1834 — São Petersburgo, 2 de Fevereiro de 1907) foi um químico russo, criador da primeira versão da tabela periódica dos elementos químicos, prevendo as propriedades de elementos que ainda não tinham sido descobertos. "
Mais uma coincidência, este novo "barbudo" nasceu a 8 de Fevereiro, exactamente há 175 anos, e seis anos depois do anterior "barbudo", o Verne ! Está provado: a comum data de 8 de Fevereiro e o facto destes quatro homens serem homens de visão que a transportaram no tempo e no espaço (tele) prevendo e propiciando tempos melhores nos círculos onde viveram!
publicado por jorsoubrito às 09:36 | link do post | comentar
Domingo, 14.12.08

Alice, baptismo meu e a sexy Jane Birkin

Sim! Não é uma menina, sou eu há 51 anos, quando fui baptizado. Minha madrinha era Alice Aguiar Santos, irmã de minha mãe e professora primária conceituada, da época. Alice tinha uma saúde frágil e preferiu não se casar, dedicando toda a sua vida ao magistério primário. Durante minha infância passava mais tempo com ela do que com minha mãe que quando ia ao trabalho, deixava-me em casa da minha avó, onde morava a professora Alice. Esta só leccionava num dos períodos do dia, pelo que passava eu com ela, pelo menos metade do dia. Qualquer traquinice minha, punha-me ela de castigo. Alice não usava castigos corporais; ainda guardo a palmatória que ela trouxera da escola e escondera em casa. Reclamava várias vezes da maldade dos colegas e do sistema repressivo de então. Porém, adorava esses seus colegas professores. Vejam ao lado uma foto onde Alice se encontra entre seus pares (Ivete Antunes, Mocho Ribeiro, Ida Santos, Josefa(Pêpinha), Arcádio, José Manuel Gomes, etc): Alice, solteira e afável, tinha muitos afilhados (mais de 30). Porém, eu era o afilhado preferido. Várias vezes ela o demonstrou e quis o destino que falecesse, precisamente fazem hoje (14 de Dezembro) cinco anos, num dia comemorativo daquele em que me baptizara!
~~~~~00~~~~
Mas 14 de Dezembro é também a data do aniversário de Jane Birkin. Há 40 anos (Dezembro de 1968), Serge Gainsbourg e Birkin (de 22 anos) gravavam aquela que viria a ser a canção proibida e censurada mais ouvida pelos jovens (e não só) da época: "Je t'aime, moi non plus":
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Mas esta é a 2ª versão. Gainsbourg tinha gravado uma "mais sexy" versão em 1967, com Brigitte Bardot, vejam no YouTube, aqui. .
publicado por jorsoubrito às 08:43 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 07.12.08

A Promessa Escuteira de meus filhos ... e a minha

Eis que meus filhos fizeram hoje, o que fizera eu há 35 anos: a promessa do escuteiro.
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Devo dizer que me senti bastante orgulhoso e ao ir ler de novo os dez artigos da lei escuteira senti que eles moldaram grandemente a minha forma de ser e estar em sociedade. A prática escuteira trouxe-me o gosto pela democracia, o sentido da honra e o dever ecológico:
Conceitos inerentes à Lei Escoteira

Honra, integridade, lealdade, presteza, amizade, cortesia, respeito e proteção da natureza, responsabilidade, disciplina, coragem, ânimo, bom-senso, respeito pela propriedade e auto-confiança.

Vejam agora este clip de vídeo, que enaltece as virtudes do Escotismo:

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Domingo, 07.09.08

Homens elegantes, bonitos e sedutores da nossa árvore: II - Os Rezende Mascarenhas

Como já o dissera em artigo anterior, descendentes masculinos da minha bisavó Ludovina da Graça Rezende e de seu primeiro marido, o médico Lourenço de Loyola da Silva Mascarenhas, foram considerados também como integrantes de um grupo de homens elegantes e bem parecidos da nossa árvore genealógica.


São todos descendentes do único filho desse casal e não obstante a influência da beleza das diferentes mulheres deste paradigmático indivíduo conhecido por Chico Gaiola, têm todos o cunho indelével dos traços de Francisco (cabelos grisalhos precoces dos Rezende e lábios finos dos Mascarenhas). Vejamos então alguns destes "galãs de cinema": quatro são filhos de Francisco Xavier de Rezende Mascarenhas e os restantes quatro são netos. Passando o cursor (ou fazendo um clique) sobre uma foto, pode-se saber quem é o pai (ou a mãe se esta for filha de Chico). Um clique sobre a pergunta "Quem sou?" leva à página genealógica respectiva.

---"Quem sou?"--- ---"Quem sou?"--- ---"Quem sou?"--- ---"Quem sou?"---


---"Quem sou?"--- ---"Quem sou?"--- ---"Quem sou?"--- ---"Quem sou?"---
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