Domingo, 24.10.10

Recebi pragas dum fantasma das chuvas!

Pois é! Até me apetece amaldiçoar a chuva, que por ter caído três dias sem parar (a foto ao lado é elucidativa - clique nela para saber quem é seu autor), fez vários estragos no jardim interior de minha casa. A título de exemplo: o grande ninho em aglomerado de madeira pintado, inchou de água, tornou-se pesado e despencou da parede, matando três passarinhos e esborrachando vários ovos. Estive todo dia a refazer a estética do aviário e a imaginar que criatura inteligente me teria rogado esta praga. Inteligente, porque "praga'l burro ca ta súbi céu!"

Aí que descobri, que a maldita pessoa foi a Dona Emília Savana da Silva Borba, conhecida como Emilinha Borba, por eu não ter tido a gentileza de lhe fazer no último artigo deste blog, a "efemérida" homenagem por ocasião do V aniversário de seu falecimento (a 3 de Outubro de 2005). Foi ela sim, que voltou a cantar (só para me arreliar) a sua famosa "Tomara que chova...três dias sem parar!" Oiçam-na:
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Esta cena foi tirada de um excelente filme brasileiro do tipo "chanchada" que foi o Aviso aos Navegantes.


A história se passa num luxuoso navio, onde uma companhia teatral brasileira, com Eliana e Adelaide Chiozzo, está retornando ao Brasil depois de apresentações em Buenos Aires. Na embarcação também está um príncipe que se apaixona por Eliana, mas ela só tem olhos para o imediato do navio. Oscarito, camareiro de Eliana, embarca clandestinamente no mesmo navio, onde é descoberto pelo cozinheiro da embarcação, surge entre os dois a relação de amor e ódio, cheia de implicância. A bordo há também um perigoso espião internacional, que precisa ser detido antes que todos cheguem ao Rio de Janeiro.

Este filme era muito cómico, e cada vez que vinha ao cinema da Praia era lotação esgotada. Eu vi-o umas três vezes. Suas canções são inesquecíveis, como o "Bate o Bombo Sinfrônio" e a do "Neném". Esta, interpretada por Oscarito, é impagável:
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Mas para mim, chegara a "hora de papar". Lá subi as escadas do quintal para lanchar. Mas ... a praga não tinha acabado (esta é a 2ª), adoro manteiga e esta já tinha acabado! Fiquei com as fatias de pão a abanar no ar (como o fazia Oscarito com a chupeta) e minha mulher sugere: "põe manteiga planta!". Nem pensar! riposto eu esclarecendo: "e já estou farto de dizer que planta não é manteiga  mas sim margarina!". Continuei a lição sobre os lípidos, mas já ninguém me ouvia. "Raios! quem terá inventado a maldita margarina?!" - Resposta: "Hippolyte Mège-Mouriés (Draguignan, 24 de Outubro de 1817 - Paris, 31 de Maio de 1880) foi um químico francês a quem se atribui a invenção da margarina".

Deixei para lá o pão e sentei-me a preencher o formulário de pedido de renovação de bilhete de identidade, pois ele expirou hoje! (3ª praga?, uma por cada dia de chuva). Junto à papelada que mandara buscar, vinha o substrato do próprio bilhete. De qualquer maneira, teria de ir entregar a papelada pessoalmente, pois teriam de "ver-me a assinar!" e teria de molhar o dedo na tinta para colocar a minha impressão digital nos locais apropriados. Lembrei-me logo da recente viagem aos USA, onde à entrada é obrigatório colocar os dez dedos da mão (às vezes 8) sobre uma placa de vidro, para que  com um "scanner", se faça a identificação do sujeito (sem tintas). Acho obsoleto, esta coisa da impressão digital a tinta no BI.

Em muitos países há muito que não se usam bilhetes de identificação com impressões digitais. Vontade de protestar! Mas acedi a esta exigência, tal como o fez o pai das medidas antropométricas na investigação policial, Alphonse Bertillon,  há precisamente 108 anos. Com efeito, este opositor à dactiloscopia, acabou por utilizar as impressões digitais no dia 24 de Outubro de 1902 para reunir provas contra Henri Léon Scheffer , no decorrer de um inquérito judicial. Este facto tornou-se histórico. Por isso, é com muito gosto que coloco o dedo na tinta, neste dia memorável para a criminologia [um outro Alphonse foi  também histórico  num dia 24 de Outubro (de 1931) ao ser sentenciado a 11 anos de cadeia: Al Capone]. Deixo-vos agora com um clipe sobre Alphonse Bertillon, o "Pai da Polícia Científica":

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Domingo, 26.09.10

Tim-tim por tim-tim, saibamos como aqui chega o Sol

Desde que passámos a ter criação de aves tropicais decorativas, não tenho descartado as oportunidades de me sentar no nosso jardim interior a contemplar os voos saltitantes desses seres alados e a ouvir os trinados e pios dos mesmos, numa autêntica terapia ornitológica. Muito melhor que qualquer ansiolítico para dissipar o stress, stress que é a causa de muitos dos ataques cardíacos e AVCs de que se ouve falar.

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Justamente neste dia 26 de Setembro, dedicado à problemática das doenças cardiovasculares e em que se comemora o "Dia Mundial do Coração", resolvi ficar mais tempo a contemplar os pássaros e a tomar um pouco de sol. Às tantas, surge-me o meu filho Mauro a interpelar-me sobre esta prática, para ele absurda:

- "Não tens outra coisa para fazer? Pareces um velho!"
- "Antes pelo contrário! Estou a cultivar a minha juventude! Nada como o relaxe para se manter forte e saudável e sem problemas cardíacos" - ripostei eu com um sorriso de antecipação prevendo a tirada seguinte do adolescente:
- "Juventude?! com essa idade?! ... mas... com que idade se deixa de ser jovem?"
- " Até aos 77 anos ! atirei eu, pensando na célebre frase da revista Tintim: "a revista dos jovens dos 7 aos 77 anos""
- "Estás a gozar comigo!" lamenta ele.

Então expliquei-lhe de onde tirara a ideia e pedi que aguardasse um pouco. Fui ao baú das preciosidades de minha infância e passados alguns minutos, lá estava eu a fazer a "entrega oficial" da colecção da revista Tintim (em versão portuguesa) ao meu adolescente rapaz. NB: "entrega oficial" pois ele já conhecia esta colecção que eu frisava sempre ser minha e não dele. Agora passa a ser dele e o acto foi fotografado pela irmã. O simbolismo do gesto tem seu valor, pois hoje é o aniversário do lançamento da versão original belga. Esta deu à estampa em 26 de Setembro de 1946, num dia em que se comemora a revolução belga de 1830 que conduziu esse país à independência.

E lá vem o Sol de novo, vejam a capa do Tintim belga: "Le temple du Soleil". É caso para dizer: "Here comes the Sun" como o dissera George Harrison, um dos Beatles, numa música de sua autoria e do mesmo nome, surgida pela 1ª vez no álbum Abbey Road. Este álbum, tornou-se célebre por ser o último álbum a ser gravado pela banda. Também foi em Abbey Road que George Harrison se firmou como um compositor de primeira linha. Após anos a viver à sombra de John Lennon e McCartney, finalmente empunhou dois grandes sucessos com este álbum: "Here Comes the Sun" e "Something". Ambas foram regravadas várias vezes ao longo dos anos. Abbey Road foi lançado em 26 de Setembro de 1969, mas o tributo que faço neste dia de sol, é a Harrison. Vejamo-lo a interpretar, alguns anos após os Beatles se terem desmanchado, a música que lhe deu ... "um lugar ao sol":

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Domingo, 22.08.10

O caso do lacrau da Vitrola

Ontem, após algumas horas a seguir os programas do TV5 Monde (devido à chuva não houve "Baía das Gatas" nessa noite), lembrei-me que no dia seguinte era Domingo, dia de escrever para o Blog. Sem inspiração nenhuma (há semanas que não a tenho) fui à janela de minha sala, olhar para a praça Alexandre Albuquerque, naquela hora deserta (já passava da meia-noite). Para contrastar com a noite anterior, a praça, de imperceptível iluminação eléctrica, resplandecia de matizes prateadas propiciadas por um intenso luar, de lua cheia ainda meio escondida por escassas nuvens de chuva. Ainda com a TV5 ligada, me veio à mente uma cantiga infantil gaulesa:
Au clair de la lune, mon ami Pierrot Prête-moi ta plume, pour écrire un mot.
Mais precisava do "mot" que da "plume"! Olhei para o coreto vazio e imaginei-o mais tarde com a banda municipal a tocar suas animadas e sonoras peças, à base de clarinetes, tubas, trombones, cornetas e trompetes, muito "sopradas" para o meu gosto.

Quem teria mandado construir o coreto e dinamizado este já bem antigo hábito, da banda municipal aos Domingos? Lembrei-me logo do nome de Abílio Monteiro de Macedo, um dos melhores presidentes de câmara que a Praia já teve. Fui vasculhar nos meus registos e encontrei esta descrição que transcrevo:

"Foi membro do Conselho do Governo em 1917; presidente da Câmara Municipal do Fogo (1922) e presidente da Câmara Municipal da Praia (1923-28), tendo dado um grande avanço aos trabalhos municipais desde obras no mercado ao melhoramento da luz eléctrica, da banda de música ao calcetamento das ruas."
Abílio de Macedo foi um homem multifacetado: político, maçon, autarca, comerciante, proprietário, armador, director de jornal, etc. Mas, das minhas recordações, me lembro que foi um grande amigo da nossa família. Era padrinho de minha mãe e reinava uma profunda e real amizade entre ele e meu avô Antoninho, seu compadre. Após a "...exoneração do cargo de presidente da câmara, concedida em 25 de Maio de 1928 e a renúncia do mandato de vogal do Conselho do Governo, concedida em 26 de Maio de 1928" Abílio Macedo dedicou-se mais, à actividade comercial. Como armador, conhecia bem as leis marítimas e chegou a arrematar em hasta pública, todo o conteúdo de um navio americano que encalhara nos mares da Boavista. Nesta carga, constavam duas ou três vitrolas, que Abílio não vendeu, tendo oferecido uma ao meu avô Antoninho para que este melhor decorasse a sala da sua recém adquirida (1930) casa (esta onde moramos).

E é desta vitrola que vos quero falar hoje, máquina lançada pela Victor Talking Machine Company no mercado americano, em 22 de Agosto de 1906 (fazem hoje 104 anos). Em criança ouvia os mais velhos chamar ao mono, de gramofone (só recentemente vim a saber que estavam enganados pois gramofone eram os de corneta externa, sem caixa de ressonância). Eu adorava esquivar-me para a sala de visitas (geralmente fechada) para ir colocar os discos de 78 rotações no "gramofone" e fazer passos de dança ao som de fox-trots e valsas. Minha mãe brigava, pois tinha medo que me ferisse com as agulhas de aço enferrujadas. "Podes apanhar tétano", dizia ela ao mesmo tempo que me fazia sair da sala. Algum tempo depois começou o período de vacinas e lá ia eu insistindo para tomar a do tétano. Assim foi feito, na Cruz Vermelha da cidade (era onde naquele tempo se ministravam vacinas) e fiquei por isso mui grato à instituição (que completa hoje 146 anos), pois já podia tocar o "gramofone" a meu bel prazer e a contragosto de minha mãe. Mas, um belo dia, ao abrir a tampa da vitrola, salta-me de lá dentro um lacrau (pequeno escorpião cá das ilhas, creio, já extinto) ! Corri esbaforido para a sala de jantar, onde meus pais iam iniciar o almoço, gritando de medo. Após verificação do ocorrido e de que o aracnídeo não me picara, meu pai de sorriso maroto me tranquilizou enquanto minha mãe sentenciava: "bem feito! assim deixas o gramofone em paz!"... e deixei mesmo (até regressar da faculdade, quinze anos mais tarde). Apresento-vos então "O GRAMOFONE":


Com o "clair de lune" girando no meu cérebro, procurei se porventura esta ária de Debussy se encontrava entre os inúmeros discos de 78 rotações que eram guardados em compartimento próprio da vitrola. Não encontrei. Pena! ... os violinistas do Festival da Baía das Gatas bem ma poderiam tocar, nesta noite de luar em que se celebra o 148º aniversário do nascimento deste grande compositor francês. Não faz mal! Encontrei uma excelente interpretação do "Clair de Lune" tocada por um violinista. Ofereço-vo-la em guisa de despedida:

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Domingo, 14.03.10

Que j'aime à faire connaître ce nombre utile aux sages

Acordei sorrindo ao me aperceber que neste dia 14 de Março, morria em 1883 o pai do comunismo (Karl Marx) e nascia em 1990, o MpD (partido liberal do nosso modesto espectro político).

 

Afastei mentalmente esta mania minha de harmonizar efemérides e dirigi-me ao jardim interior de minha casa (o quintal) onde, entre outros seres viventes, também se encontram aves decorativas e canoras. Entrei na ampla gaiola destes emplumados para deles cuidar, e eis que minha filha bate-me uma chapa surpresa, que resultou na fotografia que vos apresento em cabeçalho.

 

Após os matinais cuidados disponibilizados aos coloridos pássaros, resolvi sentar-me debaixo do caramanchão formado por videiras de uvas brancas, numa cadeira de lona virada para a gaiola, a observá-los e a ouvi-los cantar. "Pi, pi, piiii..." soava a caturra, "criiik...crik crac cric" metralhavam os fishers, e os rosicolers "zen, zeen, czzz" ritmavam os mandarins e "sherlii, scherliu chiu..." contrapunha o bengalim macho.

 

Precisavam de um maestro, tal a descoordenação dos sons e dos cantos. Aproxima-se a primavera e eles mais se preocupam com encontrar pequenos ramos e cordéis para confeccionar os ninhos. "Looking for straws" em vez de "Sounding like Strauß" pensei eu com os meus botões, enquanto lia no meu tablet PC que Johann Strauss (pai) nascera a 14 de Março de 1804 (há 206 anos).

 

Lembrei-me que tinha lido num dos famosos livros da colecção "Ver & Saber", deleite da minha adolescência, que a harmonia musical estava intimamente ligada a frequências proporcionais e perfeitamente calculáveis com bastante precisão e grau de previsão.

 

Tratava-se do livro "Números e Figuras". Documento precioso que despertou em mim o gosto pela matemática. Li-o quando tinha 10 anos! Numa linguagem simples, fazia a correlação entre factos da vida quotidiana e noções basilares do mundo matemático. É pena que hoje em dia já não se fazem livros tão preciosos como esses.

 

Um desses capítulos, o que mais me impressionou, foi o da descoberta do número π (pi) . Este número irracional é mesmo estranho; uma dízima infinita não periódica, um número aproximado cujos algarismos após a vírgula tem vindo a ser objecto de muita paixão.

 

 

3,1415926 lá o íamos decorando nós no liceu. Hoje os melhores computadores já calcularam um trilhão de algarismos após a vírgula! 3/14 - March 14th, é o dia escolhido em 1988 por Larry Shaw, físico americano do Museu de Ciências Exploratorium, em São Francisco, para o "Dia internacional do Pi". O auge desta festa (vejam a foto ao lado) de 3/14 é às 1h 59mn e 26s. Há quem tente recitar o número pi com milhares de cifras!

 

 

 

Malucos esses físicos e matemáticos diriam vocês. Mas é um desses malucos que me inspirou bastante: o que disse que um grama de matéria convertido em energia, daria para iluminar uma lâmpada de 100w durante 40 mil anos! Trata-se de Albert Einstein, o mais memorável físico de todos os tempos! Hoje, também se comemora o aniversário de seu nascimento: 14 de Março de 1879.

 

 

 

Assim como estes físicos, gostaria de "fazer conhecer este número útil aos de bom senso":

 

 

Que3 j'1 aime4 à1 faire5 connaître9 ce2 nombre6 utile5 aux3 sages5

 

os algarismos a vermelho (nº de letras na palavra) são os primeiros do número Pi com dez casas decimais!

 

 

E agora, o que haverá de comum entre os "malucos" a seguir retratados em friso?:

 

  • Adoram Matemática
  • 14 de Março lhes é importante
  • Têm cabelos grisalhos, compridos e desgrenhados
  • Têm caras passíveis de caricatura e parecem se divertir bastante
  • Aprenderam a língua alemã

Agora vou vos deixar com uma marcha dedicada a um glorioso marechal austríaco, que durou 70 anos no exército e naturalmente, falava também alemão: o Marechal Josef Wenzel Radetzky von Radetz. A marcha chama-se Marcha Radetzky e é considerada a obra prima de Johann Strauß (sénior). A orquestra é a Filarmónica de Viena, dirigida por Georges Pétre, em concerto do ano novo de 2010:

 

 

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Domingo, 31.01.10

Da magia de Bosco à magia de Schubert

Há dias mundiais para tudo e mais alguma coisa! Hoje, 31 de Janeiro, é o Dia mundial do Mágico e não resisto em evocar a paixão que sempre senti por esta arte, a do ilusionismo!

 

Em criança, tive o privilégio de assistir várias vezes aos espectáculos do, então famoso, Professor Cobrah. Este bondoso senhor, tinha o gosto de deleitar as crianças com a sua arte, não sendo porém essa a sua profissão. Se não estou em erro, ele era regente agrícola e pertencia à família Henriques, do Fogo. Um dos truques mais marcantes de Cobrah, era o dos lenços coloridos que fazia sair de um rolo de cartolina preta. O mágico fazia questão de nos provar que o cilindro negro era oco, podendo se ver através do canudo!

 

Naquele tempo, também havia um outro indivíduo aqui na Praia que fazia magia, mas era mais faquirismo que ilusionismo: tratava-se do " Barbosa", que se celebrizou por "comer vidro". Claro que isso de ver alguém comer vidro não me entusiasmava, preferia os truques que faziam puxar pela cabeça. À medida que crescia, tentava sempre aprender novos passes de mágica e aos 16 anos via-me eu a impressionar os colegas com truques os mais diversos. Livrei-me de alcunhas do tipo "Jojo magia", pois não eram truques de tuta-e-meia, nem os fazia por "dá cá aquela palha". Minha mulher chegou a confessar que os truques que me via fazer, tiveram influência positiva na opinião que de mim tinha, antes de lhe ter pedido namoro!

 

Quando fui para a universidade em França, adquiri vários livros de ilusionismo, e adorava ir a espectáculos de magia. Mais recentemente, seguia com atenção a série televisiva apresentada na SIC:

Os Segredos da Magia
Vejam um extracto:
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Há poucos anos, assisti em Lisboa, a um fantástico filme: "O Ilusionista". Eis a sinopse:
O famoso ilusionista Eisenheim assombra as plateias de Viena com seu impressionante espectáculo de mágica. Suas apresentações despertam a curiosidade de um dos mais poderosos e cépticos homens da Europa, o Príncipe Leopold. Certo de que as mágicas não passam de fraudes, Leopold vai ao show de Eisenheim disposto a desmascará-lo. Quando Sophie, noiva de Leopold, é chamada ao palco para participar de um número, ela reconhece em Eisenheim uma paixão juvenil. Eles iniciam um romance clandestino e o príncipe delega a um inspector de polícia a missão de expor a verdade por trás do trabalho do mágico. Este, no entanto, prepara-se para executar a maior de suas ilusões.
Apreciem a apresentação deste filme:
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Mas, porque se escolheu o dia 31 de Janeiro para o "Dia Mundial do Mágico"? É que é nesta data que se comemora o aniversário da morte (31 de Janeiro de 1888) do Santo padroeiro dos Mágicos: São João Bosco. Conta-se que, quando menino, ele ajudava a família trabalhando como acrobata, malabarista e mágico. Bosco é igualmente o fundador da Sociedade de São Francisco de Sales, mais conhecida por Salesianos. Bosco ajudou também a criar a congregação das Filhas de Maria Auxiliadora.

 

É caso para se dizer então AVÉ MARIA! e façamo-lo com esta famosa peça de Franz Peter Schubert, (nascido a 31 de Janeiro de 1797). Apreciem-na na inconfundível voz de Andrea Bocelli:
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Domingo, 13.12.09

Orfeão da Praia, borboleta negra e Dick Van Dike

Na passada sexta-feira dia 11 de Dezembro estava eu de camisa branca e gravata negra em nó de borboleta, fazendo vezes de "performer" que nem o meu homenageado do dia, Dick Van Dike. Homenageado por ter feito hoje, 13 de Dezembro, 84 anos e por ter alegrado a minha cinéfila infância com dois fantásticos filmes: "Mary Poppins" em 1964 e "Chitty, Chitty Bang Bang" em 1968. Voltarei ao assunto mais abaixo.

 

Falemos do nosso Orfeão que deu seu primeiro espectáculo de bilheteira. Já o fizéramos no dia 25 de Maio como poderão constatar fazendo clique aqui. Não disponho ainda de informações para vos retratar o que de nós foi dito. Apenas dir-vos-ei que pudemos rectificar os erros e insuficiências havidos em Maio e que o Auditório Jorge Barbosa estava a 2/3 cheio.

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Vi o "Mary Poppins" no cinema da Praia, tinha eu uns 8 anos. Nunca mais me esqueci de pronunciar rapidamente o "Supercalifragilisticexpialidocio". Para mim era a palavra mais longa do universo e soava tão bem aos ouvidos. Tratando-se de um filme sobre "como seria uma babá perfeita", há quem tivesse encontrado uma explicação para essa mágica palavra:

 

Super ="acima", Cali="beleza", Fragilistic="delicadas", Expiali="espiar" e Docio="educada".
Em suma:
"Expiatório para a educação através de delicada beleza"
 
Como de orfeões estamos embebidos, oiçam estas criancinhas a entoar a canção da emblemática palavra:
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Curiosidade: Mary Poppins foi o primeiro filme em que se misturou na mesma cena, desenhos animados e actores humanos. Ora vejam:
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A alegria do Chitty Chitty Bang Bang, um belíssimo calhambeque mágico, não me podia ser de modo algum indiferente: vejam aqui o artigo que há tempos publicara neste blog. Este filme é a adaptação de um livro de Ian Fleming (criador do Agente 007). Deixo-vos com um clip do filme:

 

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Domingo, 06.09.09

Nel blue dipinto di blue: Dalton, Teixeira de Sousa e Pavarotti

Tendo sido hoje o meu último dia de férias (viva a liberdade!), fui com a família passar o dia no Sambala Village. Após o almoço, estendemo-nos à beira da piscina sobre uns catres ali colocados para o efeito. Olhava eu ora para o azul do céu, ora para o azul turquesa da piscina, tentando magicar o artigo que deveria escrever neste blog, ao regressar a casa.
 
Nisto, oiço meu filho ao lado, soltar uma valente gargalhada. Virei-me e deparei com um livro de banda desenhada de Lucky Luke, atrás do qual pude discernir o cabelo do rapaz, cuja cabeça enfiara pelo livro adentro. "A balada dos Dalton" era o título. Fiquei logo baralhado, pois ocorreu-me não ter mencionado o "outro" Dalton no artigo da semana passada. Entretanto senti saudades dos livros de quadradinhos da minha infância e das peripécias à volta das leituras dos mesmos, muitas vezes às escondidas dos nossos progenitores.
 
 
Voltei ao azul envolvente para me concentrar de novo no que iria escrever. O céu, a piscina, o mar próximo (região da praia de São Francisco) deram-me a sensação de vaguear em grande liberdade e acabei dormitando a sonhar que voava sobre as ondas do mar, acompanhado por anjos daltónicos que só viam o azul. Acordei pouco depois com uma nova, troante gargalhada. Levantei-me e fui nadar!
  
À tardinha, regressámos à Praia e dirigi-me ao computador para iniciar este artigo. Olho para o cinzento retrato de Rutherford do artigo anterior e volto a sentir remorsos por não mencionar o nome do "pai da teoria atómica moderna", ou seja John Dalton. Este estudioso e pesquisador transdisciplinar, não foi Professor universitário, mas metia muitos deles no bolso, como podem ver, seguindo o link do nome.
 
 
 

Mas, o sonho da "djonga" com os anjos daltónicos persegue-me, pelo que talvez seja bom mencionar o facto deste cientista ter feito um estudo sobre a discromatopsia, ou seja a dificuldade que algumas pessoas têm em percepcionar certas cores. Dalton padecia desta anomalia que veio, em sua homenagem, a ser conhecida por Daltonismo. Acontece que tenho dois cunhados e um meio-irmão daltónicos! esses não distinguem o verde do castanho: não distinguiriam por exemplo o número 6 na figura ao lado.

 

 

Vejo que hoje, me sinto levado no vento, qual escritor inspirado pelo azul do mar. Poderei eu um dia tornar-me escritor? A minha área é das ciências exactas e estou habituado a usar poucas palavras para ir direito a assuntos, sem rodeios! Quando disse isto a um amigo, ele me lembrou que Teixeira de Sousa era médico, porém, um respeitado escritor cabo-verdiano!

 

Efectivamente, Henrique Teixeira de Sousa é descrito como um escritor influenciado pelo Mar. Vejamos um extracto do site "Livro di Téra" a propósito do escritor e seu livro "Capitão di Mar e Terra":

 

 

"A temática do mar foi a obsessão e o fascínio de Teixeira de Sousa, o que é característico, aliás, em diversos escritores cabo-verdianos. É o mar cercando as ilhas, o mar convidando à evasão, o mar, em suma, aprisionando e aliciando à aventura, à emigração. Foi assim em Contra Mar e Vento e em Ilhéu de Contenda, é assim em Capitão de Mar e Terra."

 

 

Há bem poucos dias descobri que tenho um laço de parentesco com Teixeira de Sousa. Já tratei de o colocar na árvore genealógica (ver aqui). Talvez esses laços e a vivência do dia de hoje me esteja a conduzir para "me fascinar" à Teixeira de Sousa: mar, evasão, liberdade, um daltonismo que faça ver tudo pintado de azul! N.B.: O último livro de Teixeira de Sousa tinha capa azul e intitulava-se: "Ó Mar de Túrbidas Vagas". Mas isto me faz lembrar uma maravilhosa canção criada em 1958 por Domenico Modugno and F. Migliacci, intitulada "Nel blue dipinto di blue", mais conhecida por VOLARE:

 

Penso che un sogno così non ritorni mai più

Mi dipingevo le mani e la faccia di blu

Poi d'improvviso venivo dal vento rapito

E incominciavo a volare nel cielo infinito

 

Volare, oh, oh!

Cantare, oh, oh, oh, oh!

Nel blu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

 

E volavo, volavo felice più in alto del sole ed ancora più su

Mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiù

Una musica dolce suonava soltanto per me

 

Volare, oh, oh!

Cantare, oh, oh, oh, oh!

Nel blu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

Nel biu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

 

 

Poderia vos oferecer esta canção interpretada pelo próprio Domenico Modugno (ver aqui) mas, sendo tantos os intérpretes ao longo dos anos, e em diversas línguas (inclusive em português por Simone de Oliveira - ver aqui), tenho o privilégio da escolha. Assim aqui vai ela, interpretada pelo maior tenor do século XX: Luciano Pavarotti. Reparem nas paisagens do clip que se segue, onde o mar e o azul dominam:

 

..

 

 

Já descobri a razão desta inspiração do "outro mundo" que adveio da conspiração destas nobres almas:

 

  • John Dalton nasceu a 6 de Setembro de 1766 (243º aniversário hoje)
  • Henrique Teixeira de Sousa nasceu a 6 de Setembro de 1919 (90º aniversário hoje)
  • Luciano Pavarotti faleceu a 6 de Setembro de 2007 (2º aniversário hoje)
sinto-me:
música: VOLARE
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Sábado, 15.08.09

Bossa Nova, Sex symbol, Elvis e Caymmi

O Verão bate em pleno! Bem me apetecia refrescar-me em praias tropicais, ao sabor das ondas (do mar e das beldades). Ainda bem que em Cabo Verde temos praias dessas que fazem inveja a Ipanema e a suas garotas! Uma caipirinha ao som da célebre "Garota de Ipanema" não cairia nada mal! Saibam que esta mundialmente famosa canção de Bossa Nova, foi composta no ano de 1962 (ano da estreia do filme Dr. No - a foto ao lado foi extraída deste clássico de James Bond) e que a 19 de Março de 1963 (dia do 27º aniversário da garota da foto ao lado) sai a gravação para a gravadora Verve. Claro que esta garota não é de Ipanema! Trata-se de Úrsula Andress, uma das sex symbol dos anos sessenta. Nesse tempo comecei a ir ao cinema em frente da minha casa (ocupava um dos lugares captivos de que meu pai dispunha no cine-teatro municipal, por conta da assistência técnica que prestava ao cine) e deleitava-me com os filmes de James Bond e outros de cariz recreativo, alegre ou musical. Esta actriz tinha seu nome na boca de todos os púberes da época, que em 1968, já a tinham visto em "Casino Royale - 007", "What's New Pussycat?" e "Fun in Acapulco". Eis um pouco deste último, onde contracena com o grande Elvis Presley:
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Mas, que atrevimento esse o de Presley, em martelar nas palavras Bossa Nova, num show de Rock que de Bossa Nova só levava o título: "Bossa Nova Baby"? Que diria Tom Jobim, um dos pais desse ritmo e um dos criadores da Garota de Ipanema? Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim , mais conhecido como Tom Jobim, é considerado um dos maiores expoentes da música brasileira. Amigo de um outro grande expoente da música brasileira, Dorival Caymmi, ("um compositor e poeta popular que se inspirava nos hábitos, costumes e tradições do povo baiano e que tendo como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica" - tirado daqui) ei-lo no vídeo a seguir, em casa de Caymmi, interpretando com ele e com a ajuda das respectivas famílias, o não menos célebre "Eu vou para Maracangalha" da autoria de Dorival:
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Que bonito ver neste vídeo, o velho dorival Caymmi rodeado da família e dos amigos ! O homem (embora aqui, quase octogenário) transborda juventude e alegria. Será que poderemos dizer o mesmo da "garota não de Ipanema" que está na fotografia introdutória deste artigo? Vejam-na na foto ao lado, agora com 73 anos.
 
Este artigo, fi-lo em homenagem a Elvis Presley e a Dorival Caymmi, pois hoje, 16 de Agosto, é o aniversário do desaparecimento físico de ambos: Elvis em 1977 com 42 anos e Dorival em 2008, com 94 anos.
 
Como o Bossa Nova e a Garota de Ipanema foram o elo entre Elvis e Dorival, através de Andress e Jobim, eis que vos proporciono um derradeiro clip, de Tom Jobim há 20 anos atrás (1989) a tocar Ipanema em estilo Jazz:
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sinto-me:
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