Cinco caminhos genealógicos

Porque me interesso pela Genealogia? Além de mim, muita gente gostaria de o saber! Há quem até torne mais lata a pergunta: "porque é que pessoas se interessam pela Genealogia?"

Antes de responder, pus-me a observar os dados que tinha e tornou-se-me óbvio que há várias razões para que haja interesse nesse ramo do saber. Mais, as motivações e os objectivos são tão diversos que podemos mesmo agrupá-los em categorias diferentes e, curioso, até disjuntas: há quem faça genealogia por motivos diametralmente opostos e há quem o faça por razões que nada têm a ver umas com as outras (nem convergentes, nem divergentes)

Deste modo, acabei ao longo destes anos, por classificar em cinco tipos, as motivações e as pessoas atrás de um empreendimento genealógico. A classificação que se segue é puramente subjectiva e é o modo como "vejo a questão":
  1. Genealogia académica - Quando a Genealogia é encarada como uma ciência, ela é exercida de maneira assaz rigorosa, corroborada por fontes seguras e comprovadas e observando as regras da investigação científica próprias das ciências humanas. A Universidade do Minho, por exemplo, tem um ambicioso programa de investigação genealógica em curso. Pelo mundo fora, assistem-se a várias teses de doutoramento em Genealogia. Também há investigadores que fazem estudos genealógicos por moto próprio, com vista à publicação de obras e\ou artigos.
  2. Genealogia elitista - Independentemente do natural gosto pelo conhecimento dos seus antepassados, muitos fazem genealogia para que se sintam distintos dos demais. Também os há que por razões de "sangue azul" e políticas (monárquicos) associam-se a um outro ramo do saber (a Heráldica) para traçar ramos genealógicos aristocráticos e plenos de brasões. Porém, a Heráldica e a Genealogia de famílias reais, são componentes essenciais dos estudos académicos já mencionados.
  3. Genealogia religiosa - Muitas religiões se interessam pela Genealogia, principalmente as cristãs. E isto por razões diversas. No entanto a dos Mormons é a que mais me impressiona: estes constroem as árvores genealógicas do mundo inteiro, por acharem ser de sua responsabilidade a realização de "ordenanças de salvação" dos que morreram, com vista à redenção de suas almas (portadores do sacerdócio, realizam estas ordenanças em pessoas vivas da congregação, em favor das que tenham falecido sem as terem feito, a partir de dados provenientes da árvore pesquisada e estas têm a oportunidade de se redimir)
  4. Genealogia social - Chamo de genealogia social aquela a que muitos se dedicam por curiosidade. Saber que "fulano é meu parente" ou poder dizer que "... sou descendente directo do Marquês de Pombal!" ou mesmo o de honrar os antepassados, procurando conhecê-los. Ter um gráfico (árvore genealógica) emoldurado ou arquivado, da sua família ascendente é para muitos assaz importante. Muitas vezes se entra em clubes e associações de genealogia, ou se preenchem "softwares" de genealogia. Torna-se uma espécie de hobby
  5. Genealogia utilitária - Trata-se da prestação de serviços e do desenvolvimento comercial da Genealogia. Como se sabe, muita gente precisa de estudos genealógicos para provar a sua ascendência (processos de nacionalidade) ou para inserir em processos de herança. Outros gostariam de conhecer "avós perdidos" ou de saber de doenças hereditárias (incidência de câncer ou de diabetes) na família. Outros ainda queriam ter um estudo genealógico sobre a história de suas famílias e não sabendo fazê-lo, encomendam-no. Assim, encontramos genealogistas profissionais que vendem os seus serviços. A indústria de programas informáticos tem um sector genealogia, que naturalmente requer profissionais atentos.
Não me vou classificar agora, deixando aos meus leitores a oportunidade de me catalogar entre os grupos que mencionei. Voltarei na próxima semana para melhor ilustrar este assunto.

Recomendo agora a leitura dum sublime texto de Pedro Wilson Carrano Albuquerque, onde poderão conhecer as diversas utilidades da Genealogia e do interesse do seu estudo. Façam clique no link de Considerações sobre a Genealogia
publicado por jorsoubrito às 13:14 | link do post