Domingo, 07.11.10

Agressividade - o traço animalesco de Guerra e Paz

Aos Domingos de manhã, dedico-me um pouco mais ao jardim e aos nossos animais de estimação. Após cuidar dos caniches, sentei-me a descansar e a olhar para os pássaros. De repente o habitual "coquetel de chilreios" transformou-se numa estridente algazarra sonora. Tirei imediatamente do bolso o telemóvel-câmara e filmei a cena:
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Porque estariam estes animais, que se davam tão bem, a brigar? São fêmeas da mesma espécie, a Melopsittacus undulatus ou periquito australiano. Ciúmes?

Nasceu a 7 de Novembro de 1903
Bem, lá me vi eu de novo a cogitar sobre o comportamento de animais. Esta "mania", vim aprender muito mais tarde, que se enquadrava numa ciência chamada Etologia, a qual teve por expoente máximo, Konrad Lorenz. Eis o que dele se diz num site educativo:

"Tinha um mini-zoológico em casa, com várias espécies de peixe, aves, macacos, cães, gatos e coelhos, muitos dos quais ele capturava em suas excursões pelo campo. Ainda muito jovem, ocupava-se de nutrir e tratar os animais doentes no zoológico de Schonbrunner, nas proximidades de sua casa. Também anotava metódica e detalhadamente em um diário o comportamento de suas aves. A observação dos hábitos dos animais e a comparação do instinto de agressão animal com o comportamento humano foi uma grande preocupação dos cientistas e um momentoso tema dos pensadores no período entre as duas grandes guerras, em busca de explicações para a agressividade humana."

Efectivamente, Konrad fez bastantes estudos sobre a agressividade animal, com vista à comparação com o comportamento humano. Vejamos mais um extracto do citado site:

"Em 1973 Lorenz recebeu o prémio Nobel de Medicina e Fisiologia, dividido com outros dois estudiosos do comportamento animal, Karl von Frisch e Nikolaas Tinbergen. Seu trabalho sobre as raízes da agressividade alcançou grande repercussão devido à possibilidade de aplicação ao conhecimento da violência urbana e, em maior escala, à prevenção das guerra. Jean Piaget tomou-o, juntamente com os resultados de sua própria pesquisa, como base para sua inovadora psicobiologia. Recebeu também diplomas honorários das Universidades de Yale, Loyola. Leeds, Basel, e Oxford, além de vários outros prémios e honrarias.
O ponto crucial da visão de Lorenz a respeito da natureza humana é que, assim como muitos outros animais, o homem tem o impulso inato do comportamento agressivo em relação a sua própria espécie."

Morreu a 7 de Novembro de 1910
Guerra e Paz, as eternas faces da mesma moeda. Muito gira à volta desta "moeda", muito se escreveu e se pode escrever sobre este assunto. Leão Tolstoi gastou rios de tinta para escrever uma obra com este nome:

"É uma das obras mais volumosas da história da literatura universal. O livro narra a história da Rússia à época de Napoleão Bonaparte (nomeadamente as guerras napoleónicas na Rússia). A riqueza e realismo de seus detalhes assim como suas numerosas descrições psicológicas fazem com que seja considerado um dos maiores livros da História da Literatura."

Como liguei sempre mais às ciências ditas exactas que à história, não cheguei a ler Guerra e Paz. Nos primeiros anos da Independência, o "livro grosso" que mais estava na moda era "o Capital" de Karl Marx. Muitos dos jovens "revolucionários" de então, andavam em lugares públicos com este calhamaço debaixo dos braços, para ganhar status de intelectuais. Conhecendo a "escrita pesada" desta obra e conhecendo o nível de discernimento de alguns destes ditos-cujos, o conteúdo do livro só poderia transitar por osmose para os seus detentores, na razão inversa da catinga do sovaco.

Nasceu a 7 de Novembro de 1879
"Peta", um destes jovens, era no entanto pessoa inteligente e andava muito envolvido em movimentações políticas. Muitas vezes um pouco agressivo, viu-se um belo dia perseguido por agentes do poder e, creio eu, uma bala foi disparada. Um médico psiquiatra e político activo, amigo do nosso herói, foi o primeiro a vir em socorro do mesmo. Houve muito alarido nessa altura, vindo à tona a questão dos Trotskistas do PAIGC. Foram momentos tensos, tendo havido sessões de "crítica e autocrítica", onde muitos "Trotskistas" mostraram-se arrependidos (alguns de lágrimas nos olhos) e outros tiveram de sair do Governo e do país ( vejam a entrevista de Jorge Carlos Fonseca aqui). Muita agressividade pairava no ar. Bem gostaria eu de ver Konrad Lorenz a fazer a crítica destes seguidores de Trotsky e dos seus perseguidores !

A propósito de "Peta", conta-se que nos tempos do liceu (antes do 25 de Abril) era ele muito romântico e que uma vez, platonicamente, enamorou-se de uma linda jovem cuja alcunha era "Pi". Claro que nós os jovens alunos liceais, logo aproveitamos para fazer trocadilhos e aconselhamos ao mesmo que passasse a frequentar os laboratórios de química do liceu, pois ali encontraria muitas pipetas (PI-PETA) entre os vidros laboratoriais!

Nasceu a 7 de Novembro de 1867

Isto não só me traz recordações das experiências de química que fazíamos sobre as tampos azeviche das ardósias das bancadas desses laboratórios, como também dos heróis e heroínas da Física e da Química. A nossa professora de Físico-Química fazia questão de valorizar o papel da francesa Marie Curie nestas áreas, realçando o facto dela ser mulher. Mais tarde vim a saber, que na realidade a cientista era polaca e que nascera Maria Sklodowska. Foi a primeira mulher que recebeu o prémio Nobel duas vezes. Sua filha também veio a ser galardoada com este prestigioso prémio. Deixo-vos com um vídeo sobre os prémios Nobel dos Curie:

 


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Domingo, 19.09.10

Elucidativos envelopes do 1º dia, PAIGC e burros "anotados"

Já ninguém liga ao 19 de Setembro aqui em Cabo Verde! Esta data é histórica para a existência do nosso país como Estado independente: é a do aniversário da criação do PAIGC por Amílcar Cabral e por outros cinco camaradas:
  • Amilcar Cabral
  • Aristides Pereira
  • Luís Cabral
  • Fernando Fortes
  • Júlio Almeida
  • Elisée Turpin
Antes do golpe de Estado na Guiné-Bissau, que resultou na cisão do partido e no  fim da célebre, mas pouco convincente, "Unidade Guiné-Cabo Verde", a data era comemorada com pompa e circunstância. Já no 2º ano de nossa independência calhou o XX aniversário da fundação do PAIGC e mais um selo comemorativo foi lançado, com o seu respectivo "envelope do 1º dia". É com prazer que vos apresento aqui o lindo selo com a esfígie de Amílcar Cabral entre a Guiné e Cabo Verde:

Mas a primeira vez que se comemorou esta data em Cabo Verde, foi em 1974, depois do "25 de Abril" mas antes da Independência, ou seja, em plena agitação política onde as forças da UPICV (União dos Povos das Ilhas de Cabo Verde) se degladeavam contra o PAIGC, causando a este sérias preocupações passíveis de um ardente desejo de neutralizar a UPICV pela parte do PAIGC. Os leitores poderão melhor entender a palavra "neutralizar" lendo o texto de José Luís Hopffer Almada no Blog Tertúlia Crioula (ver aqui), do qual isolo este extracto:
"A neutralização, que se queria definitiva e irreversível, dos responsáveis e apoiantes da UPICV materializa-se de forma cabal, nesses dias iniciais do mês de Dezembro de 1974..."
Confesso que os militantes da UPICV eram então, deveras impertinentes. Tinham a seu serviço a "Minerva de Cabo Verde", uma tipografia familiar e com bastante notariedade em Cabo Verde (ver histórico aqui e de seu fundador) e quase que quotidianamente lançavam um panfeleto muitas vezes demolidor das afirmações e ideias veiculadas em comícios pelos políticos e militantes do PAIGC. Tinham a vantagem da imprensa, cujo produto gráfico de alta qualidade,  contrastava com os panfletos policopiados do PAIGC. Vejamos então um destes produtos gráficos que a UPICV lançou, no dia 19 de Setembro de 1974, para achincalhar o PAIGC e troçar de três de seus juristas, cuja eloquência e argumentação irritava os manda-chuvas da UPICV:

A simbologia inserida neste trabalho gráfico, poderá ser melhor entendida pela análise do seguinte extracto do texto de José Luís H. Almada atrás referido:
"...a UPICV proclamava-se como sendo de ideologia maoísta e pró-chinesa, e, por isso, posicionava-se como contrária ao “imperialismo americano”, considerado como aliado natural do colonialismo português e dos seus “fantoches spinolistas autóctones”, e ao “social-imperialismo soviético”, de cujo expansionismo e hegemonismo o PAIGC era considerado mero instrumento e peão políticos."

De qualquer modo, acho que devo homenagear o génio da tipografia que foi Aires Armando Leitão da Graça, irmão do lider histórico da UPICV, José Leitão da Graça. Aires, era o guru das artes gráficas dessa época, tendo gerido a Minerva como nunca alguém o fizera antes. Aires foi um dos 6 presos políticos que a "neutralização" conseguiu pôr atrás das grades do Tarrafal e fazer Portugal assinar um acordo reconhecendo o PAIGC como a única força política representativa do povo cabo-verdiano!
Embora tendo lhe sido reconhecido o estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria, Aires morreu na miséria e bastante doente. Gostava imenso de fumar cachimbo e a melhor prenda que se podia levar-lhe durante a fase da doença, era um pacote de tabaco para cachimbo.
Porém, sou um acérrimo lutador contra o tabagismo, e termino esta crónica com mais um elucidativo envelope do 1º dia, desta feita, sobre a "luta contra o tabagismo", lançado há 30 anos atrás, em 19 de Setembro de 1980:

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Domingo, 14.02.10

Morre James Bond, nasce o ALUPEP

Não estranharia nada se o dia 14 de Fevereiro fosse consagrado como o "Dia do Camaleão" ou o "Dia do macaco de imitação"! Irão, caros leitores, perceber as razões da minha tirada à medida que eu for desenvolvendo este artigo.
 
A 14 de Fevereiro de 1989 morria o homem que se vê na fotografia em cima, a segurar dois maçaricos-esquimós (Numenius borealis). Este cientista, foi um ornitólogo amante de pássaros tropicais, que escreveu: A Field Guide to the Birds of the West Indies, publicado pela primeira vez em 1936. Ilustre desconhecido! Porém, seu nome foi "roubado" por Ian Fleming (confissão aqui) que dele deu vida ao mais famoso espião de todos os tempos: James Bond.
 
 
Ao que parece, por mais fidedigna que seja a cópia, sempre esta acaba por adquirir a sua própria identidade, e como tal se diferencia do original. Mesmo na clonagem isto acaba por acontecer. Veja-se o caso da célebre ovelha Dolly que se tornou famosa e poucos sabem da ovelha original. Dolly era suposta viver mais seis anos do que ela... porém, teve de ser abatida aos 6 anos (a 14 de Fevereiro de 2003) por sofrer de doença típica das ovelhas velhas (suas células tinham um DNA de 12 anos). Vejam o vídeo a seguir:
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Precisamente um ano antes, (a 14 de Fevereiro de 2002) nascia o primeiro animal de estimação clonado: a gata c/c, carbon copy ou Copy Cat. Tratou-se do nono animal clonado na história da clonagem.

 

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Mas, esta imitação que de forma darwiniana se transforma progressivamente em algo individualizado e com possibilidade de reprodução sob nova identidade, não se limita a seres materiais.

 

Vejamos um caso "não material" que teve lugar em 14 de Fevereiro de 842: o dos Juramentos de Estrasburgo (Sacramenta Argentariae):

"Os Juramentos de Estrasburgo (Sacramenta Argentariae) marcam o nascimento da língua francesa. É nestes juramentos de ajuda mútua pronunciados em 14 de fevereiro de 842 entre dois netos de Carlos Magno, a saber, Carlos o Calvo (Charles le Chauve) e Luís o Germânico (Louis le Germanique), contra o irmão deles, Lotário I, que se encontra a primeira testemunho da existência de uma língua falada na França que era claramente separada do latim, a língua romana antepassada do francês" [tirado daqui]

 

 

Mas a língua portuguesa teve também um momento de glória a 14 de Fevereiro de 1990: o da aprovação do Projeto de Ortografia Unificada da Língua Portuguesa

 

No entanto, hoje 14 de Fevereiro de 2010, é Domingo gordo de Carnaval! Vou propor um novo traje para a escrita da língua portuguesa:

 

o ALUPEP!

ALFABETO UNIFICADO PARA A ESCRITA DO PORTUGUÊS

 

Isto, porque a argumentação dos arautos do alfabeto fonológico para a língua cabo-verdiana, era a de que os cabo-verdianos eram incapazes (um autêntico atestado de incompetência e de mediocridade) de escrever bem a língua portuguesa por não saberem quando o x se lia che, cse, zz, ssi ou eix, ou quando s valia c ou z. Como o problema não foi resolvido por se aceitar o bilinguismo, e o ALUPEC foi imposto, só me resta propor que a língua portuguesa passe a ser escrita com um alfabeto fonológico: o ALUPEP.
 
A partir dexte mumentu já komesei a uzar u alfabetu funulójicu. Vai ser um marku istóriku nexta sidade da Praia. Oje é dia du Sãu Valentin y todux ux namuradux extão à prokura de prezentex para oferta. Bem guxtaria de vê-lux maxkarádux, kon beisux silikunadux a tentar akêlex beijux de "txintxiróti". 14 de Fevereiru é também um dia de muitux asasinatux y masakrex, bem komo de medidax de intolerânsia kontra a liberdade de expresãu.
 
Kreiu ke vou fikar por aki, poix nãu guxtaria de ter um mandadu de kaptura extilu fatwa, emitidu pur sei lá ke dirijente pouku demukrátiku ke por aí abunda, tal a sorte de Salman Rushdie kon seux Versíkulox Satânicux. Foi a 14 de Fevereiru de 1989 (nu mexmu dia em ke Bond faleseu!) ke lhe foi lansada a tal ordem de ezekusãu!
 

Antex purém de vux deixar, guxtaria de vux prezentear kon uma belísima futugrafia dux anux trinta, onde se podem ver kriansas vextidax de karnaval a rigôr, em frente da kâmara munisipal da sidade da Praia:
 

Adeux, ke já me bateram à porta kon akele mandadu de apreensãu du meu komputador!

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Domingo, 15.11.09

Como Gerir as Personalidades Difíceis

Há dias, fui convidado pela cadeia televisiva Tiver, a falar para o programa "O bom livro, meu amigo" , sobre um ou mais livros de minha livre escolha. Foi difícil fazer esta escolha, pois a escolha é vasta e vários seriam as áreas do saber que podia escolher. Porém, queria ser diferente da maioria dos meus antecessores nesse programa. Presumi, pois nunca tinha visto o programa, que esses antecessores tivessem escolhido livros de literatura, pois a concepção de "um bom livro" é para muitos "uma boa história" escrita por um autor de renome (de preferência um Nobel da literatura, ou um desses já badalados escritores cabo-verdianos, claridosos ou não).

 

Assim, como sou um apaixonado pelos livros de psicologia e áreas afins (ver um artigo anterior meu neste blog: aqui) resolvi escolher um livro na área da auto-ajuda e , porque não, editado pelo Instituto Piaget. O livro em questão é o "Como Gerir as Personalidades Difíceis" de François Lelord e Christophe André.

 

Eis a sinopse:

 

«...Dois psiquiatras, consultores de empresas, passam em revista as particularidades dos ansiosos, paranóicos, obsessivos, narcisistas, depressivos e outros perfis diversos. O desfile é apaixonante: principia com os clássicos sanguíneos, biliosos e emotivos tão caros a Hipócrates, para nos conduzir aos tipos mais sofisticados, como o displástico e o pícnico- bons para o ditado de Pivot - passando pelo sádico ou o esquizóide. O conjunto tem um imenso mérito, raro nesta especialidade, de se ler como um romance...»

Eis os autores:

 

François Lelord, psiquiatra e consultor em empresas no domínio da gestão do stress e da psicologia das mudanças, especialista em terapias cognitivas. Antigo chefe da clínica da Universidade de René Descartes. Fez a sua graduação pós-doutoral em Los Angeles.

 

Christophe André, médico psiquiatra no Hospital de Santa Ana, em Paris, especialista em problemas de ansiedade e fobias sociais, sendo igualmente psicoterapeuta de grupo. Trabalha como consultor em empresas para as questões de stress relacional e formação na comunicação. É responsável de curso em diversas universidades de Paris.

 

 

Eis um extracto do programa da TiVer:

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Como Gerir as Personalidades Difíceis no Yahoo! Vídeo

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Domingo, 08.11.09

Alupequeando por aí

Acabo de receber um boletim muito interessante, "BANCADA", onde vem transcrito um artigo meu sobre a "Problemática do ALUPEC num ambiente bilingue". O boletim é o nº zero do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia e foi publicado em Outubro de 2009.

 

Assim, é com prazer que vos apresento o artigo que escrevi, não só para o conhecerem, como também para tirarem as vossas conclusões a respeito de eventuais inverdades e interpretações falaciosas desses "africanistas extraterrestres" a que me referi no "post" anterior. Este artigo diz respeito a uma análise transdisciplinar (e não linguística) sobre a adopção do ALUPEC como instrumento de alfabetização em simultâneo com o alfabeto etimológico usado para o Português. A meu ver é incompatível com a adopção do bilinguismo. Voltarei a aprofundar este assunto no blog sobre transdisciplinaridade (que é uma das minhas especialidades!). Eis o artigo (cliquem nas figuras e poderão lê-lo sem problemas).

 

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Domingo, 18.10.09

Pobre Eugénio Tavares! foi "alupequiado"

 

Reparem na atrocidade e no desrespeito pela forma como foram escritos estes célebres versos de Eugénio Tavares ! Não foi assim que ele os escreveu! Hoje é comemorado em Cabo Verde o Dia Nacional da Cultura:

"No passado dia 29 de Março [de 2005] deu entrada pelas mãos do deputado Jorge Lima Andrade Silva, na Assembleia Nacional de Cabo Verde, o projecto-lei que visa a instituição do dia 18 de Outubro, dia em que se celebra o nascimento do Poeta Eugénio de Paula Tavares, como o Dia Nacional da Cultura"
Como se pode ler no corpo do articulado desse projecto-lei:
"Eugénio Tavares foi a figura cimeira da vida cultural, política e social de Cabo Verde entre 1890 e 1930 tendo nessas três décadas demonstrado o domínio de todas as áreas a cultura do seu povo e tendo sido também, o seu maior interprete até aos nossos dias. A sua vastíssima obra vai da poesia à música, da retórica ao jornalismo, da ficção à política. É o primeiro homem de cultura das nossas ilhas a conseguir dar relevo literário à poesia em crioulo"

E é aqui que bate o ponto: A Caboverdianidade! Sim, este poeta seria posto na prateleira pelos "africanistas extraterrestres" que ainda deambulam pelas nossas paragens, por não ter ascendentes negros, e ser somente descendente de espanhóis (Roiz e Riam), italianos (Nozolini) e portugueses.

 

 

Porém, esquecido durante a primeira república e reabilitado por Mascarenhas Monteiro, vê finalmente seu nome indelevelmente associado à Cultura cabo-verdiana, por toda a sua vasta obra mas também ... por em crioulo [nessa época] ter escrito! É por isso que os "kapas" da citação inscrita no monumento são, a meu ver, uma barbaridade!

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Domingo, 06.09.09

Nel blue dipinto di blue: Dalton, Teixeira de Sousa e Pavarotti

Tendo sido hoje o meu último dia de férias (viva a liberdade!), fui com a família passar o dia no Sambala Village. Após o almoço, estendemo-nos à beira da piscina sobre uns catres ali colocados para o efeito. Olhava eu ora para o azul do céu, ora para o azul turquesa da piscina, tentando magicar o artigo que deveria escrever neste blog, ao regressar a casa.
 
Nisto, oiço meu filho ao lado, soltar uma valente gargalhada. Virei-me e deparei com um livro de banda desenhada de Lucky Luke, atrás do qual pude discernir o cabelo do rapaz, cuja cabeça enfiara pelo livro adentro. "A balada dos Dalton" era o título. Fiquei logo baralhado, pois ocorreu-me não ter mencionado o "outro" Dalton no artigo da semana passada. Entretanto senti saudades dos livros de quadradinhos da minha infância e das peripécias à volta das leituras dos mesmos, muitas vezes às escondidas dos nossos progenitores.
 
 
Voltei ao azul envolvente para me concentrar de novo no que iria escrever. O céu, a piscina, o mar próximo (região da praia de São Francisco) deram-me a sensação de vaguear em grande liberdade e acabei dormitando a sonhar que voava sobre as ondas do mar, acompanhado por anjos daltónicos que só viam o azul. Acordei pouco depois com uma nova, troante gargalhada. Levantei-me e fui nadar!
  
À tardinha, regressámos à Praia e dirigi-me ao computador para iniciar este artigo. Olho para o cinzento retrato de Rutherford do artigo anterior e volto a sentir remorsos por não mencionar o nome do "pai da teoria atómica moderna", ou seja John Dalton. Este estudioso e pesquisador transdisciplinar, não foi Professor universitário, mas metia muitos deles no bolso, como podem ver, seguindo o link do nome.
 
 
 

Mas, o sonho da "djonga" com os anjos daltónicos persegue-me, pelo que talvez seja bom mencionar o facto deste cientista ter feito um estudo sobre a discromatopsia, ou seja a dificuldade que algumas pessoas têm em percepcionar certas cores. Dalton padecia desta anomalia que veio, em sua homenagem, a ser conhecida por Daltonismo. Acontece que tenho dois cunhados e um meio-irmão daltónicos! esses não distinguem o verde do castanho: não distinguiriam por exemplo o número 6 na figura ao lado.

 

 

Vejo que hoje, me sinto levado no vento, qual escritor inspirado pelo azul do mar. Poderei eu um dia tornar-me escritor? A minha área é das ciências exactas e estou habituado a usar poucas palavras para ir direito a assuntos, sem rodeios! Quando disse isto a um amigo, ele me lembrou que Teixeira de Sousa era médico, porém, um respeitado escritor cabo-verdiano!

 

Efectivamente, Henrique Teixeira de Sousa é descrito como um escritor influenciado pelo Mar. Vejamos um extracto do site "Livro di Téra" a propósito do escritor e seu livro "Capitão di Mar e Terra":

 

 

"A temática do mar foi a obsessão e o fascínio de Teixeira de Sousa, o que é característico, aliás, em diversos escritores cabo-verdianos. É o mar cercando as ilhas, o mar convidando à evasão, o mar, em suma, aprisionando e aliciando à aventura, à emigração. Foi assim em Contra Mar e Vento e em Ilhéu de Contenda, é assim em Capitão de Mar e Terra."

 

 

Há bem poucos dias descobri que tenho um laço de parentesco com Teixeira de Sousa. Já tratei de o colocar na árvore genealógica (ver aqui). Talvez esses laços e a vivência do dia de hoje me esteja a conduzir para "me fascinar" à Teixeira de Sousa: mar, evasão, liberdade, um daltonismo que faça ver tudo pintado de azul! N.B.: O último livro de Teixeira de Sousa tinha capa azul e intitulava-se: "Ó Mar de Túrbidas Vagas". Mas isto me faz lembrar uma maravilhosa canção criada em 1958 por Domenico Modugno and F. Migliacci, intitulada "Nel blue dipinto di blue", mais conhecida por VOLARE:

 

Penso che un sogno così non ritorni mai più

Mi dipingevo le mani e la faccia di blu

Poi d'improvviso venivo dal vento rapito

E incominciavo a volare nel cielo infinito

 

Volare, oh, oh!

Cantare, oh, oh, oh, oh!

Nel blu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

 

E volavo, volavo felice più in alto del sole ed ancora più su

Mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiù

Una musica dolce suonava soltanto per me

 

Volare, oh, oh!

Cantare, oh, oh, oh, oh!

Nel blu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

Nel biu, dipinto di blu

Felice di stare lassù

 

 

Poderia vos oferecer esta canção interpretada pelo próprio Domenico Modugno (ver aqui) mas, sendo tantos os intérpretes ao longo dos anos, e em diversas línguas (inclusive em português por Simone de Oliveira - ver aqui), tenho o privilégio da escolha. Assim aqui vai ela, interpretada pelo maior tenor do século XX: Luciano Pavarotti. Reparem nas paisagens do clip que se segue, onde o mar e o azul dominam:

 

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Já descobri a razão desta inspiração do "outro mundo" que adveio da conspiração destas nobres almas:

 

  • John Dalton nasceu a 6 de Setembro de 1766 (243º aniversário hoje)
  • Henrique Teixeira de Sousa nasceu a 6 de Setembro de 1919 (90º aniversário hoje)
  • Luciano Pavarotti faleceu a 6 de Setembro de 2007 (2º aniversário hoje)
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música: VOLARE
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Sábado, 22.08.09

De Morais e Castro aos burros do "Tonecas", da Eulália e do Maio

Pois é! Até parece que os meus mais queridos actores cómicos portugueses, teimam em me pregar sustos, indo desta para a melhor! Acabo de chegar de férias, da Ilha do Maio e qual não foi o meu espanto ao sintonizar a SIC notícias e me dar conta do enterro do célebre professor das Lições do Tonecas. É esse mesmo, José Armando Tavares de Morais e Castro:
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Segundo o Jornal Público:
É da televisão que o grande público terá uma imagem mais vívida de José Armando Tavares de Morais e Castro, das séries e novelas da RTP e da TVI às Lições do Tonecas (1996/8), mas foi no teatro que se estreou, ainda no liceu, e que mais trabalhou ao longo de mais de 50 anos de carreira. Dirigente da Casa do Artista, onde residia nos meses que antecederam o seu internamento, casado com a actriz Linda Silva, Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939.
Assim como Solnado, faltavam-lhe poucas semanas para completar uma idade a números redondos: 80 para Solnado, 70 para Morais e Castro. Ambos nos divertiram imenso e não falhava nenhum episódio das Lições de Tonecas. Vejam um extracto de um deles:
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As aulas desta série até me fazem lembrar a escola da Dona Eulália, onde passei bons momentos e episódios do mesmo tipo que os das referidas "Lições do Tonecas". Dona Eulália era uma Setubalense, casada com um funcionário, salvo o erro dos TACV, o Sr. Arlindo. Na escola particular dela, éramos poucos e lembro-me dos terríveis irmãos Pinto Eliseu, das gémeas Ruth e Marilu, do Jorge Manuel (filho da professora), do Nando, do Necas, do Carlinhos, do Jorge Ribeiro, da Tó, e de alguns outros mais. Não eram raras as sandices à moda do Tonecas: uma vez, a professora pediu que falássemos dos tipos de sangue que circulam no corpo humano e uma das gémeas disparou sorridente: "sangue arterial e sangue venenoso!"

 

Gargalhadas e "burra!" foram as explosões que se sucederam. Dona Eulália fazia um esforço para ela também conter o riso e repreendia os que chamaram a pobre colega, agora chorosa, de "burra". Lá foi ela dizendo que as pessoas não são burras e que este animal até era bastante astuto e alerta.

 

A propósito de burros astutos e alertas, não posso deixar de manifestar a minha tristeza pela extinção dos burros selvagens da Ilha do Maio. Com efeito, há 16 anos quando lá tinha ido pela última vez, pude ver esses soberbos animais correr sobre as calcáreas pedras da ilha e a se esconder entre os arbustos da famigerada Prosopis juliflora. Esses burros eram, segundo os camponeses do Maio, impossíveis de domar; para os ter era necessário capturá-los bebés e criá-los com cuidado. De cor bege, estes animais ostentavam uma listra castanho escura a negra, na base do pescoço. Infelizmente, a seca fê-los morrer de sede ao longo dos anos e hoje já não os há selvagens! Também verifiquei com amargura que o número e a variedade ornitológica diminuiu grandemente. Onde estão as lindas aves do Maio? Porque não houve declaração de "zonas naturais protegidas" para o Maio? Houve sim a designação de ZDTIs (Zonas de Desenvolvimento Turístico Integrado) que muita polémica fez surgir (ver aqui por exemplo) .

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Fiquemos agora com um documentário sobre esta magnífica ilha do Maio, que aos poucos vai despontando para um turismo promissor (ZDTI aqui):
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Domingo, 24.05.09

O Kapa em mim: da total confiança ao cepticismo afirmado

Se para um indivíduo amante da Ciência, o X é uma incógnita, o K é certamente uma certeza: o símbolo do Potássio, a constante de Boltzmann, a unidade da temperatura absoluta (o Kelvin), etc. são disso exemplos paradigmáticos. Mas, não obstante os significados do que acabo de dizer serem para mim uma evidência, não é de matérias científicas que vos vou falar. Falar-vos-ei de algumas recordações e factos associados à letra K que, de uma maneira ou de outra, causaram-me uns, agradáveis emoções, outros, emoções de cepticismo e repúdio:
  1. Maria Helena Pereira Fogaça (1928-1984), era o nome de uma das melhores professoras de Liceu que jamais tive. A senhora era um espectáculo em matéria de matemática, fazendo-me apanhar o gosto por esta disciplina. Ela não falava nas aulas senão de Matemática e sabia manter o respeito. Eis uma história que não contei no artigo que publicara em tempos, sobre a vivência no Liceu Adriano Moreira (ver aqui): Fogaça explicava as séries e lá ia ela desfilando uma sucessão de k1, k2, k3, .... e ia dizendo "capa um", "capa dois", "capa três"...; nisto, ouve-se uma voz do fundo da sala a dizer "capa tudo alguén...". Risos! ... Fogaça, sem se virar do quadro, profere: "Sr. Vaz, faça o favor de sair da sala ... capa quatro, capa cinco....", continuando a série "castradora" como se de nada se tratasse. Os risinhos tornaram-se abafados e foram-se amortecendo à medida que o "Sr Vaz", cabisbaixo, encaminhava-se para a porta.
  2. Quando cheguei a Tucson - Arizona em 1986 para fazer o Doutoramento, fui morar para um castiço condomínio perto da universidade. Ainda sem carro, o posto de abastecimento alimentar mais próximo era uma das tais "convenience stores" denominada Circle K. Tornei-me assíduo frequentador desse "Círculo Kapa" como jocosamente designava o local, com a minha mania de então, em aportuguesar propositadamente todos os nomes de lojas das redondezas. Mais tarde vim a descobrir outros locais mais em conta, mas guardo até hoje em memória o grande K do símbolo (ver a figura do topo).
  3. Tinha eu 14 anos e meio quando fui pela segunda vez a Portugal com meus pais, acompanhando-os na sua 2ª licença graciosa. Minha prima Lena também se encontrava com os pais em Portugal. Ela (então com 16 anos) tinha o cabelo alourado e, branca de pele, ninguém em Lisboa naqueles preconceituosos tempos, suspeitaria que éramos primos em primeiro grau. Descíamos de mãos dadas o Parque Eduardo VII e Lena, que acreditava em "quiromancia", fez-me ler a sina por uma cigana. Esta pega-me na mão e após passar uma rápida olhadela pela Helena vaticina: "... vejo um futuro risonho à sua frente; há uma moça loira muito rica, que lhe quer bem e que está apaixonada por si... Ela é tímida mas acabarão por se casar e ter dois filhos...". Foi assim que o K, que nas línguas semitas representava a "mão", fez-me cimentar o cepticismo que já nutria pelas crendices dos advinhos.
  4. Recentemente, tive de fazer uma incursão sobre os perigos do uso do ALUPEC num sistema que se quer (será?) bilingue. Já não é de agora que falo disso (ver aqui). Porém, aquando das Jornadas Parlamentares do MpD, apresentei uma comunicação, onde a dado passo escrevi: "A campanha do alfabeto fonológico e kapiano só faz criar um asco e uma relutância à língua portuguesa que sob essa luz nos parece ser uma língua marciana, complicada e … não nossa. A expressão “nôs língua é cauberdianu” diz, por inferência, que o português não é nosso! ". Isto valeu-me de alguns que são amantes do monolinguismo, ou seja do Caboverdiano como língua oficial única de Cabo Verde, alguns meio-insultos e desconsiderações. Para mim, não há razão nenhuma de substituir o C pelo K, pois sendo o Caboverdiano uma língua latina, deve manter a convenção sobre o K (quando as palavras provenientes do grego foram assimiladas pelo latim, o K foi convertido em C) das demais línguas românicas!
  5. Mas a minha pior experiência com o K é a das injecções desssa vitamina, que me via obrigado a tomar em criança, em virtude do constante sangrar pelo nariz (EPISTAXE) de que padecia. Por ser oleosa esta vitamina K, era uma dor terrível que sentia durante a injecção que o Sr. Agnelo, o vizinho enfermeiro, me aplicava com um amável sorriso, óculos de plástico negro e palavreado oco de um "não vai doer..não dói...já passou!". A vitamina K tem efeito coagulante e pode ser usado no tratamento da hemofilia
Pois bem! Acontece que hoje comemoram-se os 190 anos do nascimento da Raínha Victória de Inglaterra. Esta senhora ficou conhecida por ser a monarca com o reinado mais longo do Reino Unido, mas também por ser a primeira transportadora conhecida de hemofilia na realeza.
sinto-me:
publicado por jorsoubrito às 09:44 | link do post | comentar
Domingo, 19.04.09

Santidade, Beleza, Charme e Sensualidade

<<<1917 >>><<< 1928 >>><<<1954 >>><<<1957 >>><<<1999>>>

 

Parecem-vos "santas" estas mulheres? Quem são? Que têm elas em comum?

 

Tirando a palavra "santidade", o resto do título deste artigo poderia perfeitamente ser a resposta do que elas poderiam ter em comum. Mas a realidade é que todas são actrizes de cinema (clicar nas fotos) e todas personificaram em filmes diferentes (clicar nas datas sob as fotos) a mesma santa: Joana d'Arc cuja beatificação ocorreu precisamente há cem anos, no dia 19 de Abril de 1909.

 

Uma semana após a Santa Páscoa, eis que me surge este dia de 19 de Abril, com poderosas efemérides de Santidade:

 

Joseph Ratzinger foi eleito pelo conclave, no dia 19 de Abril de 2005, como o actual Santo Papa Bento XVI. Foi eleito como o 266º Papa com a idade de 78 anos e três dias (Wikipédia) .

 

Roberto Carlos Braga, "o Rei" nascido em 19 de Abril de 1941 em Cachoeiro de Itapemirim, no Estado do Espírito Santo, Brasil, completou 68 anos (Wikipédia).

 

 

 

Mas, a efeméride dos 100 anos da beatificação de Jeane d'Arc, mereceu da minha parte mais atenção. pois lembro-me de, em criança, ter visto um dos filmes que retratava a vida de Joana d'Arc, e impressionou-me bastante o fim que ela teve ao ser queimada viva, por ordem da Igreja. Eis um resumo do filme:

..
Resolvi reavivar meus conhecimentos sobre a matéria, usando desta vez o veículo da Internet e muitas interrogações surgiram-me com o que vi:
  • Deveria uma mulher que se passara por homem nesse tempo ter uma cara e uma silhueta de mulher?
  • Porque foram escolhidas actrizes de fisionomias femininas (e não só!) para o papel?
  • Seria Joana d'Arc uma mulher atraente?
  • O que é a atracção?
Estas perguntas me levaram a consolidar uma teoria que há muito me ronda de que a atracção feminina assenta em três pilares (o da beleza, o do charme e o da sensualidade), ora equilibrados, ora sendo um deles preponderante, ora sendo deficiente. Muitas máximas e pensamentos de notáveis personagens, estabelecem este relacionamento que se quer equilibrado.
 
Beleza
"Não serve para nada ser-se jovem sem beleza, nem bela sem juventude"

Charme

"É uma espécie de encanto numa mulher. Se tem charme, não precisa de mais nada; se não o tem, tudo o resto não serve para muita coisa"

Sensualidade

"Não existe antídoto mais poderoso contra a baixa sensualidade do que a adoração da beleza"
Terminemos este artigo com fotos BCS (Beleza, Charme e Sensualidade) de mais uma aniversariante do 19 de Abril, a tenista russa:
.
sinto-me:
publicado por jorsoubrito às 08:27 | link do post | comentar

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